Friday, May 06, 2011


Abril de 2015

- Posso entrar? – bati na porta semi-aberta da sala do tio Ben.
- Claro, mas o que ainda está fazendo aqui? – ele consultou o relógio no pulso – O trem vai sair em 10 minutos pra Londres, vai passar a páscoa na escola?
- Não, queria saber se pode me levar pra casa – respondi um pouco sem graça – Não queria ir de trem.
- Ah, claro – ele entendeu, finalmente – Estou terminando de guardar as coisas e já vamos, mais cinco minutos.

Assenti e coloquei a mochila no chão, ocupando uma das cadeiras de seu escritório. Sabia que era besteira, que o trem não ia capotar na viagem de volta, mas ainda não conseguia andar em um sem entrar em pânico e preferia não ter outro ataque na frente de toda a escola. Tio Ben guardou toda a bagunça que tinha em cima da mesa e saiu por alguns minutos para falar com McGonagall, mas voltou depressa e criou uma chave de portal para podermos ir para casa.

Por casa, entenda-se Londres, na casa do tio George. Sempre passávamos o feriado de páscoa lá, com o restante da família. Mamãe veio logo me abraçar quando chegamos, já esperava que eu não fosse voltar de trem e estava preocupada. Não consegui fazer um bom trabalho em tranqüilizá-la, mas ela se deu por satisfeita temporariamente e me liberou para paparicar meus sobrinhos. As gêmeas já estavam com quase 10 meses e aprendendo a andar, o que significava a família inteira alerta vigiando pra onde elas iam.

Durante toda a semana de recesso a família tinha alguma programação para ocupar todo o dia, tudo organizado semanas antes pela minha tia Penélope, mãe de Nigel e Otter. Teve desde picnic até uma disputa de rúgbi que terminou com mamãe quebrando o nariz do tio Julian e tendo que convencê-lo que consertar com magia seria mais eficiente que ir a um hospital trouxa. Ela só não mencionou que seria mais doloroso, e isso acabou resultando no melhor momento do feriado: vê-lo chorar como uma menininha quando o nariz voltou pro lugar certo.

Teria que voltar para Hogwarts em dois dias e já começava a ensaiar pedir que mamãe falasse com o tio Quim para me autorizar outra chave de portal quando recebi uma visita inesperada. Hiro apareceu na casa do tio George, me convidando para dar um passeio. Achei estranho de inicio, o que ele estava fazendo em Londres? Mamãe relutou um pouco em me deixar sair, ainda com a dor de cabeça das férias fresca na memória, mas era o Hiro, o garoto mais responsável da face da Terra, ela acabou cedendo.

- O que veio fazer aqui? – perguntei assim que saímos de casa – Vocês passaram a páscoa aqui e não avisaram?
- Não, passei a páscoa no Japão como todo ano, vim ontem pra cá com papai. Prometi a Brittany que ia almoçar com a família dela ontem – ele deu de ombros, um pouco sem graça. Aquele assunto nunca terminava bem entre nós dois.
- Ah, claro.
- Não vamos começar, não é?
- Não, claro que não. Você já sabe que eu não a suporto – ele me olhou sério, mas eu ri, o que acabou fazendo-o relaxar – É só que... Sinto sua falta. Não posso nem chegar perto de você na escola que ela rosna e você sempre foi meu melhor amigo.
- Ainda somos melhores amigos, só que agora tenho que dividir meu tempo entre você, o grupo e ela. Eu não reclamo do tempo que você passa com o Thruston.
- Ok, vamos mudar de assunto.
- Tem certeza? Esse está tão divertido! – e nós dois rimos.
- Pra onde estamos indo?
- Aqui.

Hiro parou de andar e parei também, olhando ao redor. Estávamos em frente à estação de metrô de St. James Park. Quando ouvi o metrô passando debaixo dos meus pés, congelei. Hiro voltou e parou de frente pra mim, mas eu estava entrando novamente em estado de choque e continuei imóvel.

- Sei que você passou por um trauma muito grande naquela viagem de trem e que poderia ter morrido, mas como vai ser daqui a 2 anos, quando nos formarmos e fizermos nossa última viagem juntos no Expresso de Hogwarts? Vai usar uma chave de portal ao invés de estar com seus amigos? Pra que isso não aconteça, você e eu vamos entrar naquele metrô, agora mesmo, juntos. E ficaremos nele até que você perca o medo e sinta-se apenas entediada.

Eu continuei parada, embora tenha ouvido cada palavra e quisesse me mover, mas não conseguia. Ele entendeu isso, pois segurou minha mão e me guiou escada abaixo até a plataforma do metrô sem que eu empacasse. Ele também entendeu que eu não conseguia dizer nada e ficou o tempo inteiro calado, enquanto esperávamos o próximo metrô, enquanto me conduzia até um assento vazio e enquanto o metrô se movia de estação em estação.

Foi um dia longo e silencioso. Não estava controlando no relógio, mas já tínhamos passado por tantas estações mais de uma vez que já devia estar no fim da tarde. E passamos todo esse tempo sem conversar, apenas sentados um ao lado do outro e Hiro segurando minha mão. Com o tempo o pânico foi passando, sentia meu corpo relaxar aos poucos e certa hora eu já não estava mais apavorada, apenas cansada. Ele percebeu e quebrou o silencio.

- Já está entediada?
- Um pouco. Minha bunda está quadrada.
- Quer ir embora ou ficamos mais um pouco?
- Acho que já podemos ir.

Duas estações depois e estávamos de volta a St. James Park. Finalmente levantamos, deixando o metrô e voltando à superfície. Já estava quase escurecendo, o que significava que realmente havíamos passado toda à tarde dentro daquele vagão.

- Obrigada – falei quando chegamos à frente da casa do tio George – Por fazer isso.
- Sei que não é o tratamento mais recomendado e um psicólogo ia querer me matar por isso, mas sentimos sua falta no trem, precisamos de você de volta. Preciso da minha parceira de monitoria de volta.
- Ainda não consigo deixar de pensar no acidente, mas acho que consigo fazer as viagens para Hogwarts. Não é todo trem que capota, certo?
- Ah, chegaram, ainda bem! – mamãe deve ter escutado nossas vozes e abriu a porta – Por onde andaram que já está quase escurecendo?
- Já explico – rimos e o abracei – Obrigada de novo.
- Nos vemos na estação depois de amanhã?
- Nos vemos na estação.

Hiro se despediu da minha mãe e entrei com ela, que tinha uma expressão de extrema curiosidade no rosto. Sentamos no sofá e comecei a contar o que ele tinha feito e de como tinha ajudado, embora eu ainda não estivesse 100% bem. Mamãe me olhava enquanto eu falava com aquela cara de quando estava prestes a me deixar muito constrangida. Infelizmente, eu estava certa.

- Qual é a história entre você e Hiro? O que acontece que eu não estou sabendo ainda?
- Não tem nada acontecendo! De onde tirou isso? – eu era uma idiota, reagi rápido demais e mamãe nunca deixa isso escapar.
- Ok, então o que já aconteceu? – ela insistiu, me olhando com atenção – Não tente me enrolar, sempre sei quando está mentindo.
- A gente se beijou. Uma vez só! – acrescentei depressa – Não tem mais nada, juro.
- Quando foi isso e por que não fiquei sabendo?
- Foi no Halloween e não contei porque não foi nada demais, nem sei direito como isso aconteceu. Fomos pra festa na Lufa-Lufa e o salão estava uma bagunça, tinha muita gente, então fomos caminhando pros túneis que levam aos dormitórios, sabe? – ela assentiu e parecia um pouco tensa – Estávamos conversando normalmente, nem lembro mais sobre o que, e de repente ele me imprensou contra a parede e nos beijamos. Ficou meio esquisito depois, nos sentimos estranhos, então concordamos que não íamos mais tocar no assunto.
- Você pareceu bem surpresa quando ele chegou aqui mais cedo, tem certeza que decidir não falar mais sobre isso foi a melhor opção? Vocês estão bem mesmo?
- Não tem nada a ver com isso, é que como ele agora namora a insuportável da Brittany, quase não passamos mais tempo juntos. E também não sabia que ele estava em Londres.
- Não acho certo você se afastar de um amigo porque não gosta da namorada dele. Vocês sempre foram tão próximos, por que isso agora?
- A única hora que ele está sozinho é no salão comunal, só à noite. Não tem como falar com ele quando ela está perto. Ela fica fazendo cara feia, especialmente comigo, já que o ódio é mútuo.
- E desde quando cara feia espanta você? A filha que eu criei não se intimida com isso, ainda mais quando o que está em jogo é uma amizade de 15 anos.
- O problema é que se nós começarmos a discutir, ele vai tomar partido dela. Eu entendo, ele tem que defender a namorada, não ficar do meu lado. Eu evito o confronto porque isso vai me magoar.

Ficamos em silêncio um tempo. Eu pensava no que tinha contado a ela, que tanto me incomodava e nunca tinha contado a ninguém, mas sem conseguir encará-la. E enquanto fitava o sofá, esperava que mamãe começasse sua avaliação. Era óbvio que ela tinha uma opinião muito bem formada pra dar.

- Vai, pode falar – me rendi - Sei que está louca pra dar sua opinião sobre toda a história.
- Não preciso dizer nada, você mesma já entendeu.

Mamãe me puxou pra perto dela e deitei em seu colo, algo que não fazia já há bastante tempo. Tinha até esquecido o quanto era bom e reconfortante só ficar deitada deixando que ela mexesse em meu cabelo. Não voltamos mais para aquele assunto e foi ela quem tomou a iniciativa de desviar o rumo da conversa.

- Sua orientação vocacional é agora depois do feriado, não é? – assenti com a cabeça, ainda deitada – Já tem idéia do que dizer ao Yoshi?
- Sim – levantei do colo dela e a encarei, sorrindo – Vou dizer a ele que quero ser Curandeira.
- Curandeira? – mamãe estava visivelmente surpresa, mas igualmente feliz – Tem certeza disso? Quando tomou essa decisão?
- Comecei a mudar de opinião sobre o que você faz quando me obrigou a passar dois meses como voluntaria no CTI da Pediatria, mas acho que me decidi depois do acidente no trem – minha voz morreu um pouco, mas não empaquei dessa vez – Se você não tivesse lá, se você não fosse médica, aquelas pessoas teriam morrido. Você as salvou.
- Você me ajudou.
- Porque você me orientou. Sem você lá, ninguém teria sobrevivido. Quero poder fazer isso também.
- Você sabe que ia apoiar e me orgulhar do que você escolhesse, mas tenho que admitir que estou explodindo de orgulho agora – ele me puxou de volta e me abraçou apertado – Meu bebê quer seguir meus passos.
- Quero fazer medicina trouxa também, não só bruxa.
- Nesse caso, aceita uma sugestão? – e fiz que sim com a cabeça – Faça uma só e quando terminar comece a outra. Não é impossível fazer as duas ao mesmo tempo, Mirian, Sam e eu conseguimos, mas é coisa de maluco. Você já não vai ter muito tempo livre fazendo uma só, se optar pelas duas ao mesmo tempo vai ter que se privar até mesmo de dormir.
- Como você conseguiu sobreviver?
- Eu tinha um bebê a caminho. Precisava do dinheiro que já recebia no hospital bruxo e precisava me formar depressa para começar a ganhar dinheiro com a medicina trouxa. Você não precisa sofrer desse jeito, faça uma de cada vez. Foi isso que sugeri ao Ethan e ele optou por começar com a medicina bruxa, pra só depois entrar para uma universidade trouxa.

Concordei com a idéia e prometi pensar por qual das opções ia começar, mas ainda tinha dois anos pra tomar aquela decisão, não precisava fazer isso agora. Por hora, só queria curtir mais um pouco do colo da minha mãe antes de voltar para a escola e ter que lidar com meus problemas por conta própria.

Thursday, May 05, 2011


Algumas anotações de Justin Silverhorn

Quando minha avó me mandou uma mensagem avisando que eu teria que ir até a tribo, pois um dos anciões havia morrido e eu teria que estar presente aos rituais, a primeria coisa que pensei foi em mandar uma mensagem a Haley avisando aonde ia, até que me lembrei de que não estávamos mais juntos e que se ela não havia vindo se desculpar comigo, não seria eu a dar o primeiro passo.

Após os ritos funerários, de Abner Lockwood, e eu ter aprendido tudo o que eu deveria saber, minha avó, me disse pra aproveitar um pouco o bate papo a redor da fogueira junto com os outros, mas me sentei um pouco afastado. Puxei do meu bolso, uma foto de Haley, e senti saudades, olhei para o lado e o espirito de minha mãe, me olhava paciente, como se dissesse que eu sabia o que tinha de fazer, porém eu sou do tipo teimoso. Guardei a foto e comecei a me distrair, ouvindo os mais velhos contando histórias animadas sobre o velho ancião.
Após algum tempo, Rachel Lockwood, que era neta dele, e embora fosse mais velha que eu uns três anos, se aproximou:
- Obrigada, xamã, pela cerimônia, tenho certeza que meu avô a aprovou.
- Não foi nada, eu só fiz o que era esperado de mim e minha avó fez a maior parte.
- Começou cedo não é Justin?- e como eu a olhasse curioso ela continuou:
- As responsabilidades pela tribo, minha mãe me contou tudo sobre você se tornar um guardião. Um garoto comum a esta hora da noite estaria saindo com a namorada ou os amigos. Você tem namorada não é?- até abri a boca para dizer que sim, mas disse apenas:
- Estamos brigados no momento, e...Devo dizer que brigamos por minha culpa, sou excessivamente ciumento e ela um pouco geniosa, mas é incrível. É a melhor artilheira da escola.- disse orgulhoso.- ela sorriu- E você? Há alguém na faculdade de Direito? - perguntei:
- Não sei...Quer dizer, ainda estamos conversando...Ele sofreu um trauma horrivel com a ex namorada e não quero forçar nada. Algumas vezes, não sei o que dizer a ele, e apenas ficamos juntos sem conversar...
- O que aconteceu?
- Ele e Cassandra, namoravam há alguns anos, daqueles namoros de infância sabe? Mas ele percebeu que só sentia amizade por ela e resolveu terminar, ela não aceitou isso bem, e depois de insistir muito, começou a persegui-lo, como ele se recusasse a voltar, ela ameaçou se matar...- senti um nó no estômago e esperei ela terminar.
- Um dia, ela foi até a casa do Chad, e pediu novamente para voltar e como ele continuasse firme em suas decisão, ela tirou uma arma da bolsa e deu um tiro na própria cabeça.Ela tinha 19 anos, e era filha única.
- Que tragédia, imagino como esteja a cabeça de seu amigo e dos pais dela.
- Ele precisou tirar uns meses para melhorar, e agora está de volta ao curso. Ele soube do vovô, e queria vir ficar comigo, mas eu não quis. Eu não teria forças para lidar com mais nada neste momento.
- Às vezes o mais importante é só estar ao lado, não precisa dizer nada.- e ficamos ali sentados ouvindo o estalar da fogueira e as conversas dos mais velhos.

o-o-o-o-o-o

Quando cheguei a Hogsmeade, passava um pouco das nove da noite. Me despedi de meu pai, e fui para o castelo acompanhado do professor Hagrid, que havia vindo me buscar com uma carruagem guiada por um par de testrálios.
Ao entrar no castelo, estranhei não encontrar Rupert ou Julian no salão comunal da Corvinal e nem em nosso dormitório.Comecei a tirar as roupas, quando o Corvo entrou no quarto apressado:
- Que bom que você voltou, já não era sem tempo, não temos conseguido mais segurar a Haley.Precisamos de você.
- O que aconteceu?
- Arte disse que Haley está possuida por um espirito maligno, e tentamos ver se a ajudavamos, mas a garota está totalmente descontrolada. Está até provocando briga com as meninas, e desculpa te dizer isso, mas ela já andou beijando vários caras do último ano. Haley nunca faria isso, ela gosta demais de você. Não diga que eu contei. Ela já desafiou a diretora e até cantou o tio Ben. Quase foi suspensa, então contamos a eles o que estava acontecendo, eles querem chamar a minha avó.
- Quando ela começou a ficar diferente?- perguntei enquanto via o espirito de minha mãe me olhar aflito.
- As meninas disseram que foram brincar de ouija no hotel, pois estavam com uma ressaca enorme e que após uns cinco minutos de brincadeira, ela olhou para a frente assustada e desmaiou. Cara, ela está até usando nome de guerra: Cassandra.
- Julian, eu acho que sei o que fazer para ajuda-la, mas preciso que vocês a atraiam até o corredor da torre de Astronomia.- Julian me olhou curioso e eu disse rápido:
- Olha, quanto mais demorarmos pior será para a Haley, depois eu explico. Levem-na até lá e depois fiquem afastados.
Fui para o corredor onde ficava a torre de astronomia, através de outro caminho e estava escondido, quando ouvi umas risadas. Vi que Haley chegava e estava abraçada ao Damon. Senti vontade de fazer ele tirar as mãos dela, e fazer ele engolir os dentes, mas quando a ouvi, dizendo a ele para chama-la de Cassie, lembrei-me que aquela não era a Haley. Respirei fundo e esperei eles chegarem a um determinado ponto, quando me revelei. Não foi surpresa, ver que nossos amigos logo se juntaram a mim, e o professor O’Shea tambem estava lá acompanhado do professor Storm.
- Damon querido, porque todas estas pessoas estão aqui? Não sabia que você gostava de exibir...- e quando ela me viu arregalou os olhos e disse:
- Isso é uma armadilha.- se soltou de Damon e tentou correr, mas nossos amigos ja a cervavam por todas as rotas de fuga. Levantei o braço e logo uma barreira invisível a impedia de sair.
Ouvi quando Arte explicou o que estava acontecendo:
- Não podemos nos aproximar, Justin traçou um circulo alquímico, se tentarmos entrar poderá haver consequências tanto para nós quanto para eles. Agora só nos resta esperar.
- Cassandra, você deveria liberar a Haley e ir embora, eu quero que você faça isso agora.- eu disse e pude sentir o meu poder aumentando, talvez fosse uma resposta a ela, pois suas feições se transformaram e seus olhos brilhavam com ódio:
- Você não vai conseguir me mandar embora. Ela não tem mais forças para lutar, está se rendendo.
- Não, ela não vai se render, Haley não se rende nunca.- eu respondi confiante e a garota riu:
- Ah se rende sim, eu mostrei a ela o que você fez este fim de semana, as garotas com quem você ficou...Foi divertido ver o quanto o coração dela sangrou pela decepção com você....
E nesta hora ela fez com que algumas pedras voassem em minha direção e eu as repeli.Sua força era tão grande, que algumas foram em direção aos nossos amigos, mas Arte e os professores os protegeram.
- Você não vai ficar com o corpo dela, você teve sua chance de viver e a desperdiçou, Cassandra, Chad não vai voltar para você. Ninguém gosta de garotas burras.
- Ele vai voltar sim, ele até já se interessou por este corpo.- ela gritou e com sua raiva aumentada, ventos surgiram por todo o corredor e pude ver algumas faíscas, parecendo raios. Era um espirito muito poderoso.Ela riu cuspindo as palavras:
- Espantado xamã? Enquanto estava solta por aí, eu pude andar por muitos mundos e aprender muitas coisas.E neste corpo eu sei que poderei me tornar invencivel. E sabemos que ela não tem uma linha da vida tão longa, deixe-me ficar aqui e você poderá usufruir deste corpo também. – disse maliciosa.
- Você não vai ficar aqui, Haley vai voltar para nós, afinal ela é forte e íntegra, e tem muitas pessoas que a amam, quanto a você você sabe o que a espera e por isso está aí bancando a valentona. – levantei meus braços e o circulo de luz, aumentou sua intensidade, e como eu sabia que ocorreria, meu corpo e minhas vestes foram se transformando nas roupas rituais.
- Você se esquece que ela precisa querer voltar, xamã, e depois de saber que ela não terá futuro com você, ficou muito mais fácil convencê-la a ficar onde está. Ela já esta nas últimas e sabe o que será melhor? Acabo com uma mediadora enxerida, me torno uma heroína no mundo dos espíritos e ainda faço um rombo no seu coração e o torno mais fraco...E estes seus amigos, já sabem o que os aguarda? Que não conseguirão evitar a tragédia?- a ignorei e disse firme:
- Haley, sei que você está ai e pode me ouvir: lute Haley.

‘Cassandra, eu a expulso, de volta para a escuridão
De onde você veio e de onde não deveria ter saído
Saia agora deste corpo e devolva a sua luz...’


Nesta hora, o corpo de Haley caiu ao chão e começou a se debater e a uivar como se fosse um lobo raivoso, e enquanto eu repetia as palavras, vi quando a alma de Haley ia emergindo de seu corpo e a alma invasora, ia sendo expulsa. Em questão de segundos, Haley estava normal e em frente a ela, o espirito de Cassandra a olhava com raiva. Haley a olhou firme nos olhos e disse:
- Eu também aprendi algumas coisas,enquanto estava por ai. Você vai para o seu verdadeiro lugar, é o que eu quero.- e nesta hora sombras escuras brotaram do piso e envolveram o espirito que começou a se debater enquanto afundavam no chão. Haley não se aguentou, e desabou, enquanto eu corria até ela. Nossos amigos quiseram entrar no circulo, mas o professor Storm gritou:
- Fiquem onde estão, Justin precisa fechar o circulo antes de nos aproximarmos, ou tudo terá sido em vão.
Abracei Haley e notei que ela se agarrava a mim e tinha os olhos rasos d’agua, beijei suas lágrimas e ao longe eu ouvia exclamações de assombro. Quando percebi que ela estava bem, eu ergui meu braço novamente e disse:
- Obrigado a todos os elementos que me ampararam neste momento, este circulo de cura está fechado.- e logo nossos amigos se aproximaram e nos abraçaram, falando ao mesmo tempo:
- Pepper é você mesmo?- quis saber Clara enquanto Keiko chorosa, sacudia o braço da Haley e ela riu.
- Sou eu mesma, e peço desculpas por ter sido tão idiota.Eu mais do que ninguém deveria saber que não se pode brincar com espiritos, especialmente estando de ressaca.- e elas riram.
Afastei-me um pouco, para que ela pudesse ser abraçada por nossos amigos, quando senti a mão de Arte em meu ombro, Chronos estava atrás dela e me olhava sério:
- Você foi muito bem Justin, fiquei orgulhosa.
- Eu tive medo de não conseguir e a perder.- eu admiti e ela sorriu compreenssiva:
- Eu sei como é, mas o medo faz parte de nossas vidas. Isso vai acontecer novamente?- disse se referindo à possessão.
- Não, não vai mais acontecer, não com ela. - eu disse e ela respondeu:
- Eu sabia que o halo de luz que vimos rodeando vocês dois, devia significar alguma coisa a mais além de amor.Você deu um pouco de seu poder a ela não é? – e como eu ficasse quieto, ela apenas sorriu, e vi Chronos assentir positivamente em minha direção, parecia um cumprimento e eu retribui:
- Eu sempre soube que por trás deste jeito durão, você é um romântico. Venha, vocês agora têm muito o que conversar, antes que tio Ben, nos mande dormir.- disse Arte me puxando para perto do grupo, e quando Haley me viu, esticou sua mão que eu peguei sem hesitar e a boa e velha sensação de estar em casa, me preencheu totalmente.

I will never let you fall
I'll stand up with you forever
I'll be there for you through it all
Even if saving you sends me to heaven

Cause you're my, you're my, my true love, my whole heart
Please don't throw that away
Cause I'm here for you
Please don't walk away and,
Please tell me you'll stay, stay



N.Autora: trechos da música: Your Guardian Angel, The Red Jumpsuit Apparatus
Julian Thomas Montpellier às 2:48 PM

Sunday, May 01, 2011


Março, 2015

Estávamos fazendo um treino extra de quadribol, quando reparei que na arquibancada, Julian e Justin estavam acompanhados de nossos amigos e vi quando uma garota se aproximou de Justin e tampou os olhos dele, enquanto sussurrava em seu ouvido. E ele riu, colocando as mãos em cima das dela. Conhecia aquela garota e sabia que ela era do tipo que não respeitava ninguém, e havia sido uma das várias que haviam saido com ele. Me concentrei no treino, mas por dentro eu fervia, ao ver em como ele era todo sorrisos com ela que sentou do seu lado. E nosso goleiro sofreu, pois eu descarreguei minha raiva nos meus lances a gol.
Depois que o treino terminou, optei por sair do outro lado do campo, e por acaso encontrei Graham e ele veio sorrindo para o meu lado e eu retribui:
- Sua vassoura está puxando pra direita, por isso perdeu dois gols fáceis.
- Eu sei, não tive tempo de calibrar antes do treino, mas farei isso antes da partida. A menos que você queira fazer por mim...- respondi e ele assentiu enquanto me jogava uma garrafa de água que comecei a beber rápido e logo terminei.
- Obrigada por isso, você sabe como agradar uma garota.- eu disse e ele riu ficando vermelho, e de repente vi Justin se aproximando. Vi a postura de Graham mudar e levantar o queixo, e Justin agia do mesmo modo, encarando-o.
- McKay.
- Silverhorn.- cumprimentaram-se friamente e eu joguei a garrafa vazia no lixo, e Graham me olhou:
- Depois eu calibro a vassoura para você e deixo no lugar de sempre. - E foi embora e Justin disse me encarando:
- Ele não tem amor próprio mesmo não é? Ainda corre atrás de você, sabendo que você está comigo.
- Ah me poupe disso Justin, Graham continuou meu amigo, aliás você sabe bem disso. Já é algo que não posso dizer da Nathalie que parecia um polvo pro seu lado.Ela sabe que você tá fora do circuito? Ou você não avisou?
- Mas eu não a incentivei a nada, ao contrário de você: ‘você sabe como agradar uma garota’.- disse numa voz fina e irritante que ele achava que lembrava a minha voz e piscou os olhos como um demente.
- Eu não falo assim. E nao dou estas piscadinhas frescas.
- Quando é com ele você fala e fica toda melosa sim. Qual é? Tá com saudades do ‘ursinho pimpão’?- disse sarcástico e eu me irritei:
- Talvez eu esteja mesmo, posso ter me cansado do pavão que você se transforma quando passa perto de qualquer rabo de saia. Óoh desculpe, você vira outra ave cócóricó...- e agitei os braços como se fosse uma galinha e ele bufou:
- Então porque não volta pra ele de uma vez ao invés de ficar jogando migalhas?
- Acho que vou seguir o seu conselho e saiba que com ele nunca são migalhas.- provoquei e vi que ele tinha uma veia saltada no pescoço, isso era o sinal que ele realmente estava zangado.JJ se aproximou e o puxou pela camisa:
- Justin, vamos embora depois com mais calma vocês conversam, estão de cabeça muito quente e já estão falando besteiras. – e após um puxão do JJ, ele saiu do vestiário.

Passamos a semana toda sem nos falar, e nossos amigos apenas ficavam esperando quem daria o primeiro passo fazer as pazes, e é claro que eu esperava que ele desse o primeiro passo, pois eu tinha razão, e ele parecia pensar o mesmo, logo a sexta feira do passeio com a Clara chegou, e nada de estarmos bem um com o outro.
Quando tio Ben nos deixou no hotel, eu sabia que ele não iria nos desapontar. O lugar era incrivel, pois tinha um Spa, e com todos aqueles tatamentos incluidos na conta, é claro que iríamos aproveitar. Estávamos indo para uma das massagens quando esbarramos com um grupo de rapazes, que vinham em sentido contrário. Trocamos olhares e alguns deles até falaram, algumas gracinhas, porém um dos rapazes me chamou muito a atenção. Era o mais calado dos quatro e quando olhou para mim, nos encaramos por alguns segundos e ele após ficar vermelho sorriu e foi embora com os outros. O que me chamou a atenção nele não foi apenas o fato dele ser bonito, mas uma aura negra que o rodeava, como se fosse uma sombra. Senti que era alguma coisa muito ruim, pois os pelos de meu braço se arrepiaram, mas quando o focalizei novamente, não vi mais nada. Talvez eu estivesse vendo coisas demais.

-o-o-o-o-o-o-o

Minha última memória, era de estarmos no quarto do hotel, brincando e de ter visto o fantasma que estava mexendo o ponteiro do tabuleiro de ouija. Era uma garota e tinha um olhar muito maldoso. Aquilo me assustou e muito, pois eu a conhecia.
Eu estou presa num lugar escuro e frio....Sinto sede...Não sei aonde estou, mas sei que tenho que sair deste lugar...Comecei a tatear as paredes,e depois de algum tempo eu as golpeei com toda a força que tinha enquanto gritava...
Mas de repente, foi se uma televisão fosse ligada em minha frente e me vi junto de minhas amigas, me trocando para ir embora para a escola. As chamei, mas elas não me responderam.
Gritei com força para chamar sua atenção, mas senti que algo me jogava na parede oposta....Demorei a recuperar o fôlego. Quando levantei a cabeça vi a garota.

- Hey, hey, pare de ficar batendo assim, já estou com dor de cabeça, esta deixando meu humor pior.- ela disse apertando os olhos.
- Olá...eu preciso de ajuda para sair daqui...
- Você não vai sair daqui.
- Eu tenho que ir embora...
- Nossa, como você é burrinha. Você não vai embora porque eu quero que você fique. Preciso desenhar?
- Você não pode me segurar contra a minha vontade...
- Não? Acho que ja estou fazendo isso.E se você ficar aqui, eu posso ficar em seu lugar.- ela disse cínica.
- Olha, eu ja a vi antes, sei que precisa de ajuda. Preciso sair daqui e ai eu te ajudo a ir para a luz...
- Quem disse que eu quero ir para a luz? Eu quero viver, foi para isso que te procurei, mas aquele intrometido não me deixou chegar perto de você...Tudo poderia estar resolvido a meses.
- Você não vai poder ficar com meu corpo, Justin vai saber e vai te mandar embora.
- Não, ele não vai sabe porque? Ele está bem longe daqui e enquanto você estiver presa, vou sugando toda a sua energia, e meu espirito irá ficar de vez com o seu corpo, que não é perfeito, mas foi o melhor que pude conseguir.
- Você não vai conseguir ficar com o meu corpo, meus amigos irão perceber e vão chutar o seu traseiro magro pra longe.- e isso a irritou:
-Não pense que vai conseguir sair daqui fedelha, seu corpo ainda está sofrendo os efeitos do álcool, e isso a tornou um alvo fácil...Antes eu era apenas uma garota muito irritada, e agora com o seu corpo eu descobri que também sou uma bruxa e das boas. E Chad, pelo jeito o aprova, acho que ele cansou das loiras naturais...era só ter dito que eu escureceria meus cabelos...
- Quem é Chad?- disse me levantando devagar.
- É aquele cara lindo que você ficou dando mole para ele ontem. Ele é meu, sua vaca, MEEUUUUUUU!
- e novamente me jogou na parede, e não vi mais nada.

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Algumas observações de Julian McGregor

Quando as meninas voltaram do fim de semana em Londres, todas exibiam os efeitos de uma ressaca meteórica, mas Haley, estava muito diferente. Para começar não tirava os óculos escuros de jeito nenhum e nem queria ir conosco para a sala de video game jogar uma partida de GoW, até ela ver John Wesley e Damon passarem e a cumprimentarem. Foi como se ela houvesse tomado uma injeção de ânimo. Ela foi aos dormitórios e quando voltou, estava toda arrumada, e passou a noite toda perto deles,e até pediu para que eles a ensinassem a jogar, algo que ela já sabia é claro.
John até ficou um pouco sem graça pela atenção, uma vez que Blair sua namorada, chegou cuspindo fogo e Haley a olhou zombeteira, chamando-a de cão de guarda magrelo, e se virou para Damon:
- Quero muito dar uma volta pelo castelo, você me leva ou tem medo de alguém? - e como Damon não é do tipo que pensa muito em seus atos, os dois sairam dali e sumiram o resto da noite. Até brinquei com as garotas, dizendo que Haley ainda continuava bêbada, mas ninguém acreditou realmente.

No dia seguinte, durante as aulas, percebemos que Haley estava com sérios problemas. Não soube como transfigurar uma folha de papel em pássaro, algo que ela sempre fez bem. Depois acabou errando uma poção revigorante num teste rápido do professor Yoshi, e na hora do almoço, a vimos no corredor dando um beijo no Harper. Liz Weasley se aproximou de nossa mesa fumegando:
- Muito bem, qual foi a droga que vocês usaram neste fim de semana? Falem logo, antes que tudo fique pior do que está.
- Não usamos nada, Lizzie, nós apenas bebemos um pouco de tequila, whisky, e mais nada. É sério.- disse Clara enquanto Lena e Keiko concordavam.
- Não vou querer saber como conseguiram a bebida, ou terei que contar ao tio Ben, mas Haley esta sob o efeito de alguma droga, ela deu em cima do Johny, saiu com o Damon, já beijou o Harper e aquela saia por Merlim?
- E ela também andou me beliscando em um local muito privado. Ela tá drogada, é um fato. - disse Rupert vermelho.
- Ela não está drogada, ela está possuída. - disse Arte enfática e nos viramos para ela:
- Como assim possuída? Tipo aqueles filmes de terror trash e vômito verde?- quis saber Jamal e as garotas ficaram pálidas.
- Por favor, não fale a palavra com V e nem a cor, ou eu não me responsabilizo.- disse Lena levando o punho à boca, e não pude evitar de rir, mas logo quis saber:
- Acho isso bizarro, mas se por acaso for verdade, o que podemos fazer? Haley não pode ficar fazendo este monte de loucura, porque depois que este espirito subir, ela vai ter que arcar com as consequências, e eu duvido que Mimi vai acreditar nisso.- disse quando vimos Minerva puxando Haley para um canto e falando irritada com ela sobre a sua saia, que estava quase dois palmos acima do joelho.
-Ela está possuida por um espírito maligno, Chronos já me afirmou isso e...
- Então faça alguma coisa, um exorcismo, um benzimento, um vodu ou sei la como se chama, afinal você é uma sacerdotisa e das mais poderosas.- eu disse preocupado e Arte respondeu:
- Não posso, não tenho forças e nem o conhecimento para fazer isso, ela precisa de um xamã, no caso ela precisa do Justin.
- Ah e ele vai salva-la pelo poder do amor? Não sei se você se lembra, mas eles estão se estranhando e muito no momento. Aliás porque ele não está aqui hoje? - disse Lena e Arte disse:
- Ele teve que ir até a tribo, um dos anciões morreu e ele teria que fazer os ritos de passagem, não sei quanto tempo pode demorar.
- E o que faremos enquanto isso? Porque por Merlim, ela vai apanhar de alguém se continuar investir em cara comprometido...- disse Lizzie, enquanto víamos Haley andando toda rebolativa até a mesa onde estava Johny e Leonardo.
- Teremos que bancar os guardiões da Haley, e mandarei um patrono pedindo a Justin para voltar logo, ou ela vai acabar sendo expulsa por atentado ao pudor.- disse Lizzie enquanto se dirigia a passos rápidos para tentar evitar que a criatura que estava possuindo Haley, fizesse mais estragos. O nosso dia seria dedicado ao controle de danos. Ele seria longo.


(continua...)