Thursday, October 30, 2008


- Primeiranistas, por aqui!

Foi a primeira coisa que os alunos do primeiro ano ouviram ao desceram do trem na estação de Hogsmeade. Um homem muito grande segurando um lampião os chamada com os braços. Era Hagrid, o guarda-caças da escola e velho conhecido de todos ali. Eles o seguiram até a beira de um lago e se acomodaram em pequenos barquinhos, que ao sinal dele, saíram sozinhos lago adentro.

Todos haviam ouvido muitas histórias sobre a escola dos pais e irmãos, mas nenhuma delas poderia tê-los preparado para, do meio do lago, terem a primeira visão de Hogwarts. O enorme castelo compostos por torres e torrinhas chamava a atenção mesmo tão longe. Nem todos os relatos do irmão poderiam ter feito Clara imaginar que fosse tão grande. À medida que o barco ia se aproximando do túnel apertado, o castelo ia saindo do campo de visão.

- Abaixem a cabeça – Hagrid anunciou quando os barcos adentraram os túneis escuros e logo saíram em um pequeno cais – Subam às escadas, a diretora McGonagall está esperando no saguão!

Todos obedeceram e subiram a longa escadaria que dava acesso aos jardins da escola. Saíram atrás das estufas, onde um rabugento zelador indicava o caminho com a mão, sem dizer nada. JJ já havia puxado um saco de balas e vinha comendo no caminho e Clara lembrou que tinha um saquinho de feijõezinhos de todos os sabores no bolso. Já haviam chegado ao saguão de entrada quando ela, ao tentar abrir o saco, puxou com força demais e o rasgou por inteiro. Os feijõezinhos se espalharam por toda a escadaria. Clara riu dando de ombros e colocou a mão no bolso para puxar a varinha, mas Jamal segurou sua mão antes que ela fizesse alguma coisa.

- O que pensar que vai fazer?
- Nick me ensinou um feitiço de limpar.
- A gente ajuda a catar com a mão, vai ser menos catastrófico.
- Mas que bruxo é você, Jam? – Clara puxou a varinha do bolso e apontou pro chão – Scourg-
- Guarde a varinha, Srtª Lupin – a voz severa de Minerva McGonagall ecoou no corredor bem a tempo - Bem vindos a Hogwarts – disse a mulher de olhar também severo – O banquete de abertura do ano letivo vai começar daqui a pouco, mas antes de se sentarem às mesas, vocês serão selecionados por casas. A seleção é uma cerimônia muito importante porque, enquanto estiverem aqui, sua casa será uma espécie de família em Hogwarts. Vocês assistirão a aulas com o restante dos alunos de sua casa, dormirão no dormitório da casa e passarão o tempo livre no salão comunal. As quatro casas chamam-se Grifinória, Lufa-lufa, Corvinal e Sonserina. Cada casa tem sua historia honrosa e cada uma produziu bruxas e bruxos extraordinários. Enquanto estiverem em Hogwarts os seus acertos renderão pontos para sua casa, enquanto os erros a farão perder. No fim do ano, a casa com o maior número de pontos receberá a taça da casa, uma grande honra. Espero que cada um de vocês seja motivo de orgulho para a casa à qual vier a pertencer. A Cerimônia de Seleção vai se realizar dentro de alguns minutos na presença de toda a escola. Sugiro que vocês se arrumem o melhor que puderem enquanto esperam, voltarei quando estivermos prontos para recebê-los. Por favor, aguardem em silêncio.
- Lupin? – Clara ouviu uma voz desdenhosa assim que a diretora deixou o saguão - Então papai tinha razão, o lobisomem teve mesmo outro filho – uma garota de cabelos castanhos e olhos azuis falava e uma outra menina e um menino riam – Chocante eles poderem procriar uma vez, duas é um milagre.
- Não fala do meu pai!

No instante seguinte, a menina tinha a cabeça quase encostada no chão enquanto seus cabelos estavam bem presos na mão de Clara. A garota os puxava com força, sem se importar com os gritos desesperados da morena e nem com as lagrimas que já escorriam pelo seu rosto.

- Solta meu cabelo, ta machucando – a garota suplicava, gritando
- Retire o que disse!
- O que está acontecendo aqui?

A voz de McGonagall foi novamente ouvida e Clara soltou a garota, que caiu de joelhos no chão, chorando. A menina e o menino que riram com ela a ajudaram a levantar.

- Srtª Lupin, explique-se! – McGnagall ordenou, mas Clara não respondeu
- Essa selvagem me atacou do nada! – a garota acusou e os amigos confirmaram
- Isso é verdade?
- Ela ofendeu meu pai!
- Não ofendi coisa alguma!
- Então repete o que você falou e deixe que a professora diga se foi uma ofensa!
- Já chega. Peçam desculpas uma a outra, imediatamente!
- Desculpa – a menina murmurou contrariada e McGonagall encarou Clara
- Sua vez, Srtª Lupin.
- Não vou me desculpar – respondeu sustentando o olhar da diretora. Jamal perdeu o ar ao seu lado
- Perdão? – McGonagall disse surpresa
- Não vou me desculpar, professora. A gente só deve pedir desculpar quanto está arrependido e eu não estou. E ela também não, então foi um pedido de desculpas falso.
- Srtª Lupin, se não se desculpar com a sua colega nesse instante, será a 1ª aluna a receber uma detenção antes mesmo de ser selecionada para uma casa! – Clara continuou a encarando e não respondeu. McGonagall tremeu levemente – Detenção! Quando for selecionada, o diretor de sua casa saberá o que fazer! Vamos andando agora, a Cerimônia de Seleção vai começar – disse com uma voz enérgica.

Os alunos seguiram a diretora em silêncio, mas ele foi quebrado assim que atravessaram a imensa porta do salão principal. O teto, encantado para parecer céu aberto, estava todo decorado com velas flutuantes. Quatro grandes mesas abrigavam milhares de alunos curiosos com os novatos e cada uma delas tinha a bandeira da casa que representava flutuando por toda sua extensão. No fim do salão estava a mesa dos professores e Clara logo avistou seus tios Ben e George, olhando ansiosos para ela e seu primo Rupert, que caminhava bem à sua frente olhando para os lados em transe. A diretora parou diante de um banco e um chapéu velho. Todos agora tinham a atenção no chapéu, que segundos depois se moveu e um rasgo surgiu como uma boca. Clara olhou espantada e o chapéu começou a cantar. Era a canção mais maluca que ela já ouvira, e quando o chapéu se calou, o salão foi tomado por aplausos. O chapéu fez uma reverência para cada uma das mesas e se calou novamente.

- Quando eu chamar seus nomes, vocês colocarão o chapéu e se sentarão no banquinho para a seleção. Ackerly, Sebastian.

Um garoto magricelo saiu do meio dos alunos e sentou no banquinho. Ele olhava para o alto tentando ver o chapéu, assustado. Só respirou aliviado quando ele anunciou sua casa.

- CORVINAL!

O garoto desceu correndo e foi recebido pela 2ª mesa da direita com muita festa. Depois dele, mais uma menina foi selecionada para a Corvinal e um menino para a Lufa-Lufa.

- Chronos, Ártemis!

Ártemis se assustou ao ouvir seu nome e se adiantou receosa. McGonagall colocou o chapéu em sua cabeça e ela mal tinha sentado e ele logo anunciou alto.

- GRIFINÓRIA!

Ela respirou aliviada e saiu correndo para a segunda mesa da esquerda. Elizabeth Weasley a cumprimentou animada. Mais alguns nomes foram ditos. Duas meninas foram mandadas para a Lufa-lufa e um menino para a Corvinal.

- Cohen, Joshua!

JJ engoliu seco e olhou para os amigos como se estivesse indo para a forca. Toda sua família, com a exceção de uma tia do qual sua mãe não gostava, pertenceu a Corvinal, e seu receio era não ir para lá também. Ele sentou no banquinho pálido e esperou pacientemente, até que o chapéu tomou sua decisão.

- SONSERINA!

Os amigos se olharam chocados e JJ arregalou os olhos, seu rosto mais pálido que antes. Suas pernas tremeram violentamente quando ele levantou do banco e quase não conseguiu chegar até a última mesa do salão, que irrompia em palmas. Nicholas foi o primeiro a levantar para apertar sua mão, e um pálido JJ sorriu aflito.

- Dashwood, Brittany!

A garota que ofendera o pai de Clara se adiantou tentando parecer calma, mas seus cabelos despenteados e rosto vermelho de choro não ajudavam. O chapéu demorou a se decidir e a garota começava a suar. Clara desejou que não houvesse casa para ela e que o chapéu a mandasse embora, mas ele pareceu se decidir.

- GRIFINÓRIA!

A garota chamada Brittany pareceu surpresa, mas desceu do banco aliviada e foi recebida com entusiasmo pelos novos colegas de casa. Depois dela, o chapéu mandou mais dois meninos pra Grifinória.

- Lupin, Clara!

Clara olhou para os amigos e caminhou até o banco. O chapéu era tão grande que quase cobriu sua cabeça toda. Enquanto ele lia sua mente e procurava qualidade das casa, ela pensou na garota que acabara de ser mandava para a Grifinória. Podia cair em qualquer casa, menos na mesma que ela. Queria ficar em uma casa rival, para poder derrotá-la em tudo. O chapéu pareceu levar esse desejo em consideração.

- SONSERINA!

Clara saltou do banco sorrindo e correu para a mesma mesa onde JJ estava sentado. Seu primo Nicholas a abraçou feliz e JJ pareceu um pouco mais aliviado, não estaria sozinho, afinal. Sentou ao lado do amigo e voltou à atenção ao banquinho.

- Menken, Hiro!

O garoto tropeçou nas vestes ao ouvir seu nome e se acomodou no banco. Cada segundo que o chapéu demorava a se decidir fazia Hiro amolecer. Já estava quase escorregando para o chão quando ouviu o anuncio.

- SONSERINA!

Clara e JJ se olharam sorridentes e um Hiro mais branco que os fantasmas do castelo se juntou a eles. Sorria assustado, esperava ser mandado para a Corvinal, mas se acalmou ao ver seu tio Yoshi fazer sinal de positivo da mesa dos professores. Ele era professor de poções e diretor da Sonserina.

- Menken, Keiko!

A irmã de Hiro correu até o banco e aguardou o anuncio do chapéu. Não estava nem um pouco assustada, mas ansiosa para saber aonde se sentar.

- SONSERINA!

Keiko desceu do banco sorridente, mas torceu o nariz ao lembrar que o irmão também estava na Sonserina. Teria que dividir o mesmo teto com ele por mais 7 anos. Os quatro sentaram-se lado a lado e olharam para o banquinho mais uma vez. Os alunos iam diminuindo cada vez mais.

- Montpellier, Julian!

Um garoto magro e até um pouco alto, cabelos pretos quase no ombro e caindo no rosto sentou no banquinho. Ele não parecia tão assustado quanto os outros, mas sem duvida estava fascinado com aquilo tudo. Não demorou quase nada com o chapéu na cabeça.

- CORVINAL!

Ele levantou satisfeito e se sentou ao lado do primeiro garoto selecionado. O chapéu mandou uma seqüência de alunos para a Lufa-Lufa e mais dois garotos e uma garota para a Grifinória.

- Shacklebolt, Jamal!

O filho do Ministro da Magia caminhou seguro até o banco. Parecia calmo e olhava para um ponto fixo em sua frente, tentando não transparecer a ansiedade que o consumia por dentro.

- SONSERINA!

Jamal pulou do banco com um salto rápido e embora surpreso, não escondia o alivio de ser mandado para a mesma casa dos amigos. Sentou ao lado JJ apertando a mão dos alunos mais velhos com muito entusiasmo.

- Storm, Rupert!

Clara ouviu o nome do primo e parou de conversar para prestar atenção. Da mesa dos professores seu tio George, pai se Rupert, esticava o pescoço parecendo mais ansioso que o garoto ruivo e baixo para seus 11 anos que estava sentado encolhido no banquinho.

- CORVINAL!

Rupert sorriu e se juntou aos colegas de casa. Ele se sentou ao lado do garoto chamado Julian e começaram a conversar. Depois dele, mais 4 meninas foram mandadas para a Corvinal em seqüência, e Clara viu que o garoto que ria junto com a menina chamada Brittany se chamava James Thruston e também fora mandado para a Grifinória. Agora restaram poucos alunos.

- Warrick, Haley!

A garota sentou no banco e tentava transparecer tranqüilidade quanto à casa que seria mandada, mas as constantes olhadas que lançava na direção à mesa onde seus amigos a observavam ansiosos indicavam o contrario. E o chapéu percebeu.

- SONSERINA!

A garota pulou feliz e correu para abraçar os amigos, tremendamente aliviada. Victoire Weasley foi selecionada para a Grifinória e foi recebida pelos primos com muita festa. Ártemis ficou feliz por não estar totalmente sozinha, já que todos os amigos ficaram em outra casa. Por último, um garoto esquisito chamado Sheldon foi mandado para a Sonserina, mas nada mais importava agora. Os seis estariam todos juntos outra vez, por mais sete anos.

Wednesday, October 29, 2008


- É claro que ela vai para Corvinal, Alex sou capaz de apostar com você...
- Ah! Esta eu ganho fácil. Não se esqueça que ela tem muito de mim Logan, então ela vai pra Lufa-Lufa. É a melhor casa para ela. E o uniforme de lá é muito mais bonito.

Estávamos indo de carro até a estação de Kings Cross, onde eu tomaria o trem para Hogwarts. Eu estava sentada atrás com Ethan e durante o trajeto, meus pais estavam mais animados que eu pra ir à escola e discutiam sobre tudo que viveram lá. Estavam tão empolgados e distraídos com suas brincadeiras e recordações sobre seu tempo de estudante, que eu poderia saltar do carro em movimento que eles não perceberiam.
Não era, que eu não quisesse ir para a escola, sabia que meus amigos estariam lá, mas era a primeira vez que eu ia morar longe dos meus pais e isso me deixava um pouco insegura. Ethan depois de me olhar nos olhos, disse baixo:
- O que te preocupa, Pepper?- ele me conhecia bem demais. Aliás, todos os meus irmãos me conheciam bem demais, mas Ethan era o mais paciente. Não pressionava para saber das coisas, esperava que a pessoa estivesse pronta para falar, só esperando.
Dificilmente eu o via perder a calma, aliás, ele só perdia a calma, quando ia ver jogo de futebol e seu time perdia.
- E se...Eu não gostar de lá?
- Está brincando? Falou em ir pra lá o verão todo, desde que recebeu a carta de Hogwarts.
- Ah eu sei, mas é tão longe...
- Não fique preocupada, papai e mamãe já estão arrumando um jeito de dar umas incertas por lá, e tem os tios também. Ou você acha que os ‘velhos’ não iam cuidar para estarem de olho em todos vocês juntos? Fizeram até reunião para garantir à diretora que vocês eram comportados. Por sorte a bruxa não pediu para nenhum deles assinar nada, senão estariam fritos. - rimos, mas logo fiquei séria novamente:
- Ty não veio...
- Ele virá, ele sempre cumpre o que promete. Ele esteve presente na minha vez, quando fui para Beauxbatons, virá na sua com certeza.
Logo chegávamos à estação e depois de passarmos pela barreira mágica, estávamos na plataforma 9 ¾, e não demorou muito para ver o que porque meus pais estavam empolgados.
Uma enorme locomotiva vermelha a vapor, estava parada na plataforma e no alto um letreiro informava: Expresso de Hogwarts, 11 horas. A fumaça que a locomotiva soltava sobre as cabeças das pessoas, não alterava as conversas, enquanto gatos de todas as cores trançavam por entre as pernas delas. Muitas gaiolas com corujas que piavam descontentes, eram arrastadas junto com pesados malões. Vários vagões já estavam cheios de estudantes, muitos estavam debruçados nas janelas conversando com seus familiares, e dava para ver alguns brigando por lugares.
Logo chegávamos perto de um grupo muito barulhento, mas que eu não conseguia imaginar minha vida sem eles, e à medida que íamos chegando e nos metendo nas conversas e brincadeiras, era como se nunca nos separássemos, havia uma ‘unidade’ entre nós.
Tia Louise puxava Clara, para acertar a gola de sua blusa, e ela revirava os olhos exasperada, enquanto tio Remo pálido e com os olhos fundos, conversava com tio Ben, mais na frente tio Scott, falava alguma coisa para Nicolas e eles riam, e nesta hora um flash foi visto, com certeza era Gabriel, afinal ele não iria perder a ida da irmã, dos afilhados e dos ‘primos’ para a escola, e como ótimo fotógrafo que era, registraria tudo. Tia Yulli devia estar dando algum aviso de última hora para Keiko, e ela fingia um ar compenetrado, enquanto olhava por sobre o ombro da mãe, vendo Miyako, sua irmã mais velha, imitando comicamente a mãe delas. Tio Sergei e Hiro fingiam conversar, mas riam das imitações de Miyako; tia Samantha resmungava com tio Josh e JJ, fingia que não pertencia à família; Ártemis, depois de se soltar de tio Lu, abraçava Seth enquanto Luna pendurava nela um colar cheio de umas coisas que pareciam rabanetes, Griff fingia vomitar vendo o colar e minha irmã Emily, sua esposa, dava-lhe um tapa no ombro, fingindo-se de séria, mas bastou olhar para os olhos dela tão iguais aos do Ty, para ver que ela estava se segurando para não magoar o jeito peculiar de Luna agir e tia Mirian sorria enquanto conversava com minha mãe e meu pai.
Ethan foi ajudar Gui e Fleur Weasley a embarcarem as coisas de Victoire, que hoje parecia muito mais pálida e mais loira que o normal. Acho que seu sangue veela, está borbulhando à toda pela excitação. Logo se juntaram ao mar de cabelos vermelhos, marca registrada da familia deles, conversando com os O’Hara Weasley, e era engraçado ver John e Lizzie, os gêmeos de 13 anos, corarem embaraçados, por estarem recebendo beijos da mãe deles, Morgan. Claro que tudo era porque Lizzie tinha uma queda por Ethan e Johny zombava dela por isso. Quando um grupo com rapazes que pareciam ter uns 15 anos, passaram e lançaram olhares para elas, Carlinhos chegou e disse com sua voz grossa:
- A entrada do trem é para lá. Se estiverem perdidos, eu já os oriento. - e flexionou aquele braço grande e pesado. Os garotos olharam para o tamanho dele e saíram assustados. Lizzie, disse irritada:
- Mãe! O papai tá fazendo de novo...- rimos porque o assunto corrente era que Carlinhos andava dizendo que o menino que desse em cima da Elizabeth, tomaria uns tapas.
- Não ligue meu bem, ele não vai poder vigiar você na escola. - Morgan disse presunçosa e a cara decepcionada de Carlinhos arrancou risos de todos, e logo as conversas continuavam.
Percebemos uma certa movimentação e as pessoas iam sendo afastadas por uns homens que lembravam gorilas, em seus ternos pretos, para que um homem negro e muito alto passasse. Era Quim Shackelbolt, Ministro da Magia e pai de nosso amigo Jamal, que vinha com uma cara entediada, afinal ele vivia sob vigilância constante, não podia aprontar tanto quanto o resto de nós. Tio Quim conversou com nossos pais, e vez ou outro era cumprimentado pelos pais de outros alunos. Os ponteiros do relógio avançaram rápidos e quando faltavam uns 15 minutos para o trem sair, senti alguém esbarrar forte em mim e um par de mãos fortes me segurar. A pessoa usava uma capa escura e um capuz grande, mas ao olhar para cima não contive o sorriso:
- Você veio. - era meu irmão Ty.
- Cumpro minha promessa baixinha. - e enquanto ele me erguia para me dar um abraço o seu capuz caiu para trás e as pessoas ao redor começaram a perceber quem estava ali e um burburinho começou.
Logo os pedidos de autógrafos, fotos, apertos de mão, eram solicitados, as pessoas de dentro dos vagões correram para as janelas e acenavam chamando o nome dele. Ty atendia aos fãs, mas fez questão de abraçar a cada um de nós e nos desejar boa sorte. Para não nos machucarmos, Seth, Griff, Ethan, e Carlinhos ficaram ao redor dele e mantinham os fãs sob controle. Embarcamos e achamos uma cabine vazia no ultimo vagão do trem, quando soou o último apito, e mesmo com o trem em movimento corremos para a janela e vimos quando tio Quim falou alguma coisa com Ty, e eles saíram cercados pelos gorilas e pela guarda improvisada.
- Para onde eles vão?- perguntei e Jamal respondeu:
- Papai deve estar indo com o Ty para algum lugar mais espaçoso, ficar ali na plataforma é um pouco perigoso. E fora da estação tem mais guardas para protegê-los, enquanto Ty dá os autógrafos.
Lizzie e John nos deram tchau e foram ficar com seus colegas, nos acomodamos na cabine, e ficamos ali conversando, enquanto a hora passava. Na parte da tarde quando a mulher do carrinho de doces chegou, foi uma festa. Ela tinha muitas novidades e nós queríamos experimentar de tudo.
Quando um garoto usando as vestes da escola, e um distintivo de monitor, bateu na nossa cabine e avisou para trocarmos de roupa, que Hogwarts estava perto, olhamos uns para os outros e Hiro falou sério:
- Acho que agora a jornada começou de verdade...
- Ééé...- respondemos em coro.
- Bom, então vamos marcar este dia. - disse Jamal sacando um canivete do bolso e entalhando na cabine do trem uma data e suas iniciais. Logo o canivete passava de mão em mão. Quem olhasse para aquela parede veria escrito:

01 de Setembro de 2010. O ano em tudo começou!

Time is a wheel in constant motion always rolling us along...

Trecho da música: I hope you dance, Lee Ann Womack



Thursday, October 09, 2008


- Pai, estamos atrasados! - gritei para o alto da escada, enquanto via Liz, sentar-se e encher sua xícara de chá. Estava com rabo de cavalo e as roupas de trabalhar e disse:
- Calma Johny, vocês vão usar chave de portal, e papai nunca se atrasa. Então para onde vocês vão?- e ela agradeceu o prato cheio de comida que Porshy colocou na frente dela.
- Não sei, ele não falou. Mamãe disse alguma coisa durante o passeio de vocês?
- Também não disse nada, mas estávamos tão ocupadas, que nem pensamos em você. - provocou, mas como eu estava de muito bom humor, respondi:
- É, estavam mesmo...Não te agradeci as camisetas, o tênis, os jeans, as luvas novas para jogar...- comecei a enumerar as coisas que Liz havia comprado com mamãe para mim, em Paris.
- Tá, não precisa listar tudo, mas não fica falando isso para todo mundo ok? Vão achar que gosto de você. E você já estava me fazendo passar vergonha andando com aquelas calças curtas pelo salão comunal.
Ficamos nos provocando quando meus pais finalmente desceram, e era estranho olhar para minha mãe, que de ruiva passou a ter cabelo castanho escuro. Ela trazia na mão um dos meus casacos de frio e me deu:
- Está calor lá fora, mãe. - disse o óbvio.
- Eu sei querido, mas para onde vocês vão, o verão não é tão quente assim. As luvas estão no bolso e...- com um aceno da varinha ela trocou meus tênis pelo meu par de botas. -e percebi que meu pai estava de casaco pesado, botas e luvas de couro de dragão.
- Vocês vão para a Sibéria? - perguntou Liz, e papai respondeu:
- Nós vamos visitar um amigo que não vejo há alguns anos e...Opa, olha a hora. Amor, sabe onde nos achar e se precisar de alguma coisa...
- Vá tranqüilo, tudo ficará bem e aproveitem o passeio.
E novamente eles se beijaram, e se tem uma coisa que Liz e eu concordamos, é que é nojento ver seu pai e sua mãe se beijando como dois adolescentes no meio da cozinha. Eca!
Terminada a sessão “traumatize seu filho adolescente pelo resto da vida dele”, caminhamos até para fora de casa e quando deu a hora pré-determinada, tocamos na chaleira velha e sentimos o puxão no umbigo, que nos levaria a sabe Merlim onde.

Quando pousamos, a primeira coisa que senti foi o frio. Embora o Sol estivesse alto no céu azul, a temperatura era fria. Papai respirou fundo e antes que falasse alguma coisa, um homem alto e forte como ele, deu as boas vindas. O homem era um amigo de quem já havia ouvido falar, chamado Yuri Kovac, ele trabalhou na Ilha com meus pais, e segundo ele, viu Liz e eu, dando os primeiros passos, antes de voltar ao seu país natal, a Bulgária, e a ultima vez que nos visitou, eu tinha 7 anos. Se já esqueci o que comi no café da manhã, não iria lembrar de alguém que conheci quando pequeno.
Após os cumprimentos, tio Yuri, como eu passei a chamá-lo, nos levou até o lugar onde morava e trabalhava e eu fiquei encantado: eu estava na reserva dos dragões de dorso cristado norueguês. *__*
Passamos o dia visitando a reserva e conheci a filha de Yuri, Lena. No começo achei que fosse um garoto pelo jeito masculino de se vestir, mas vi que era uma garota ao estilo da Haley e da Clara, bem moleca. Foi estranho não ver a mãe dela por ali, quando perguntei, ela disse que a mãe dela havia morrido, e o clima ficou meio tenso. Resolvi ficar de boca fechada quando senti a mão do meu pai apertando meu ombro. Às vezes falo demais.

A outra parte do passeio surpresa, me deixou eufórico. Iríamos ver uma partida de quadribol pela Taça Européia, afinal Copa Mundial ainda estava longe, mas ver o jogo já dava uma prévia do que esperar. E não era para ver qualquer um jogando, era Iago Karkaroff, campeão do bastão de ouro por 5 vezes seguidas. Só perdendo nos últimos anos para o Ty McGregor, que joga com ele no mesmo time e formam a dupla de batedores que era o desespero dos artilheiros adversários. Ambos jogavam pelo Vratsa Vultures, um time eletrizante, que sempre dava oportunidade aos novos talentos, eram pioneiros no chute de gol longo (um lançamento dado bem longe da pequena área) e quando entraram em campo depois das mascotes, com as vestes vermelho sangue e um abutre no peito, eu gritava feito louco.
- Vai Abutres! - E não quero ser presunçoso, mas acho que eles me ouviram, Ty deu um rasante perto de onde estávamos e Karkaroff veio do lado contrário e chocaram seus bastões. Quando a imagem deles apareceu no telão mágico, a torcida foi à loucura e nem ouvimos o nome dos jogadores adversários. E quando o jogo terminou, eu já estava rouco de tanto gritar, e sentia até pena do Bigonville Bombers. Claro, era um time ofensivo e com ótimos marcadores de gol, mas o melhor time venceu.
Ao final, pudemos ir aos vestiários encontrar com eles e Lena, correu na frente e pulou no colo de Karkaroff, que a abraçou e girou com ela nos braços, como se ela não pesasse nada, parecia um tornado, todos no vestiário iam se afastando. Ty se aproximou de nós, e cumprimentou meu pai e tio Yuri dizendo:
- Que bom que puderam vir. Como vai Johny?- apertou minha mão e respondi:
- Liz vai querer morrer quando souber que pude ver você jogando de verdade.
- Quem é Liz? Sua namorada? - quis saber Lena se aproximando com Karkaroff e rimos:
- Não, Liz, é minha irmã. Não tenho namorada. - respondi um pouco vermelho por ter dito que não tinha uma namorada.
- Na realidade ela é a minha namorada. Uma ruiva linda, claro que ela puxou à mãe, porque se tivesse puxado ao pai... - e papai deu um empurrão amistoso no braço dele, fazendo hem, hem.
- Outra? Tia Milla diz que você não pode ver ninguém usando saias que vai atrás, parece um perdigueiro. - ela comentou e Karkaroff engasgou e tio Yuri tossiu constrangido, mas Ty riu:
- Não escute muito o que tia Milla diz, ela tem uma queda por mim, mas você é a minha namorada mais querida viu?- e garota riu o abraçando e ele continuou:
- Yéti, quero que conheça nosso futuro colega. O garoto tem braço forte e instinto, não podemos perdê-lo.
Meu queixo devia estar no chão, enquanto olhava para o jogador que muitos chamavam de fera, mas que ao chegar perto era muito gentil, ele era gente. Com a conversa descobri que ele era casado com a irmã de tio Yuri, e que havia começado no time búlgaro junto com Vitor Krum, atual Ministro da Magia da Bulgária e ele me deu um dos bastões usados na partida autografado e me levou ao campo para jogar um pouco com ele. Ty, meu pai de apanhador, tio Yuri, e até Lena voou conosco. Isso sim, é que é passear nas férias!
por um dos O'Hara Weasley às 5:23 PM

Tuesday, October 07, 2008


Agosto de 2010

As melhores coisas para mim quando estou de férias, não é estar longe dos deveres escolares, poder levantar a hora que quiser, ficar alguns dias em Londres na casa de vovó Molly e vovô Arthur com meus primos, pegar uma vassoura e sair voando sem rumo pela Ilha onde moramos e ir ver os dragões, ou mesmo ir até o vilarejo e sentar na praça com um sundae duplo de chocolate e nozes, com muito chantily e uma cereja em cima, e observar as pessoas passeando.
Para mim o ponto alto das férias é e sempre será o dia de fazer compras, mesmo que sejam os uniformes da escola. *_____*.
Como não dava para meus pais saírem ao mesmo tempo da Ilha, eles decidiram se dividir para as compras da seguinte forma: papai teria um fim de semana com John, e eu iria com minha mãe, que conseguiu tirar folga do hospital. Mamãe e eu fomos a Londres um dia antes e compramos todo o material da escola que vou usar este ano e as vestes também. Nos hospedamos no Caldeirão Furado, de lá iríamos até o Ministério, e chegaríamos via rede de Flú, no apartamento que tia Alex mantinha em Paris. E a nossa visita lá, incluiu tudo que um turista tem direito: andar à beira do rio Sena, papai pediu mamãe em casamento ali *_*, visita à Catedral de Notre Dame, fomos até o Museu do Louvre e embora eu achasse que seria um tédio, me enganei: adorei ver aquela pirâmide de vidro protegendo o museu. E o Arco do Triunfo?? Maravilhoso.
Como sou uma garota que adora estar em dia com as novidades do mundo fashion, seja bruxo ou trouxa, e este passeio foi o melhor, pois Tia Alex nos levou a todos os lugares que ela conhecia para compras e eu confesso: nasci para circular pela Champs Elyseés e fazer compras nas grandes Maison’s.
Sabe que até o cheiro da cidade é diferente? E os bistrôs? E os queijos? E as boinas?? Poucas conseguem usar boina, sem ficar ridículo como as francesas. Já tenho um novo sonho para acrescentar na minha lista: um dia vou viver naquela cidade cheia de glamour.*treinando biquinho na frente do espelho*.

- Como não comprar este sapato mamãe? Ele tem meu nome escrito nele...
- Não sabia que você atendia pelo nome de Prada, Liz, vou avisar ao seu pai.
- Mas mamãe...
- Você tem mais sapatos do que eu... E já está levando um par na sacola. Hogwarts não tem uma agenda social tão intensa assim.
- Mas usamos o mesmo numero, você pode usar alguns, sabe que não sou egoísta... E veja bem: você vive sendo convidada para aquelas festas chiques para angariar fundos para o hospital, precisa estar sempre bem arrumada e um sapato destes diz logo: ‘vou arrecadar dinheiro a noite toda sem fazer você sofrer, querida’. - e fiz uma cara de filhote de dragão, recém saído do ovo, e ela acabou rindo:
- Se levarmos o sapato, não pegamos mais nada...
- Mas e o relógio que vi na revista??
- Escolha: sapato ou relógio...- e ela foi tão firme que resolvi apelar:
- Tia, fala com a mamãe...
Ela olhou rindo para minha mãe e disse:
- Liz, acho que você não deveria levar estes sapatos....
Traição! E isto vindo de alguém que me conheceu ainda bebê...
Senti meus olhos encherem de lágrimas, meu coração acelerou, meu queixo tremia, meus joelhos queriam se dobrar... Então tia Alex continuou como se não visse minha aflição:
- Se fosse eu, investiria num belo vestido. Os alunos do terceiro ano podem ser convidados a ir ao Baile de Inverno, pelos alunos mais velhos, e não vi você comprar nenhum.
E todo aquele mal estar que me faria ir para o túmulo mais cedo passou como se fosse mágica. Tia Alex devia ser curandeira ;)
- Bom, quero um vestido bem bonito... Afinal eles podem querer eleger alguém para rainha do Baile e preciso estar preparada. - minha mãe revirou os olhos e tia Alex e Haley caíram na risada. Não entendi o motivo do riso, afinal sou uma pessoa otimista e em Hogwarts tudo pode acontecer...

Continua...
por um dos O'Hara Weasley às 3:38 PM

Thursday, October 02, 2008


Brasil, 10 de Agosto de 2010

- Mãe! – Clara gritou enquanto corria pela sala – Seu celular não para de tocar! É da casa do tio George!
- Obrigada, meu amor – Louise pegou o telefone da mão da filha e atendeu – Alô?
- Tia... – Ela ouviu a voz urgente de Rupert – Minha mãe morreu. Meu pai está desesperado e eu não sei o que fazer, ajuda a gente.
- Fica calmo, meu querido. Você está sozinho?
- Não, meu pai e a Becky estão aqui, mas estão dormindo. Ele não sabia como contar pra você. Ajuda a gente, tia.
- Está tubo bem, meu amor, fique dentro de casa e não abra a porta pra ninguém. A tia vai ai buscar vocês ainda hoje.

Rupert desligou o telefone e escorregou na parede, abraçando o aparelho e olhando para o pai e a irmã dormindo no sofá. Mais uma vez começou a chorar.


ººº

Londres, duas semanas depois

- Depressa, Clara. Quando sua mãe chegar temos que estar com tudo comprado – Remo andava rápido e Clara tentava acompanhar o pai – O que ainda está faltando da lista?
- Ahn, só esse monte de coisa de poções – respondeu distraída enquanto admirava a varinha nova – Pai, o velho falou a verdade quando disse que minha varinha era boa para duelos?
- O velho se chama Olivaras... E se ele disse, sim. Mas isso não quer dizer que pode sair duelando por ai sem saber o que está fazendo – ele parou de andar e balançou a cabeça – E guarde isso, já disse que não pode fazer mágica fora de Hogwarts antes de completar 16 anos. Entre aqui.

Remo parou na porta da loja e deixou a filha passar. Faltava apenas uma semana para ela embarcar no Expresso de Hogwarts e com a morte da esposa de George, eles ainda não tinham tido tempo de comprar os materiais das crianças. Haviam se mudado para Londres pelo resto das férias para ajudá-lo no que fosse preciso e acabaram deixando as comprar para a última semana. Deixaram a loja com uma sacola pesada contendo um caldeirão, uma balança e um kit de frascos para poções e Clara ainda brincava de passar a varinha entre os dedos, encantada por ter posse de uma pela primeira vez.

- Conseguiram comprar tudo? – Louise encontrou o marido e a filha na saída da loja e o sobrinho mais novo estava ao seu lado
- Só ficou faltando o uniforme, isso é com você. Clara, vou confiscar a varinha se não guardar agora – Remo disse em tom de aviso e ela guardou na caixa, contrariada – Já comprou a sua, Rupert?
- Já sim, tio! – o garoto ruivo abriu a caixinha preta com a varinha dentro – O Sr. Olivaras disse que ela é boa para transfigurações!
- Nicholas está no Caldeirão Furado com o Gabriel e os outros vão chegar depois, se quiser pode nos esperar lá. Não vamos demorar, só vamos na Madame Malkins.
- Temos que ir nas Gemialidades Weasley também, mamãe! – Clara lembrou animada. Louise revirou os olhos, mas concordou com a cabeça e Remo riu.
- Vejo vocês daqui a pouco então – ele beijou a esposa e subiu a rua com as sacolas de compras

Os três andaram mais algumas lojas até parar em frente a uma vitrine com uniformes de Hogwarts pendurados em diversos manequins. Uma senhora já de idade apareceu sorridente quando o sino da porta tocou e antes de se apresentar já havia puxado uma fita métrica e esticava na frente das crianças.

- Essa não é a mesma madame Malkins que fez a sua roupa, não é mamãe? – Clara perguntou intrigada quando a mulher se afastou
- Não, impossível. É a filha dela, que continuou com a loja da mãe.
- Nossa, e a filha já é velha assim! – Clara falou alto e Louise cutucou a filha quando a senhora voltou com um banquinho. Ela não pareceu ter ouvido.
- Suba aqui, meu querido. Vamos começar por você.

Rupert obedeceu e ficou parado por alguns minutos em cima de um banco enquanto a senhora espetava o uniforme inteiro com alfinetes. Pendurou o uniforme em uma cadeira e fez sinal para Clara subir. Foi mais demorado, pois Clara não conseguia ficar parada. Alguns minutos depois ainda não tinham chegado ao colete.

- Ai! – ela saltou do banco – A senhora me espetou!
- Mas é claro! Fica ai se remexendo feito uma minhoca e não quer que te fure? – a senhora puxou ela de volta para o banco
- Eu não estou me remexendo como uma minhoca! Estou parada! – ela protestou e Rupert riu
- O outro menino desceu do banquinho sem nenhum furo – a senhora rebateu, indicando Rupert com a cabeça
- Ele é muito magrinho, é difícil de acertar – Clara cruzou os braços quando ela a puxou com força para mais perto – E não quero saia, prefiro bermuda.
- Não tem bermuda, só saia. Meninas usam saia e meninos usam calça.
- O que?? – ela olhou chocada para a mãe – Mamãe, você não disse que eu ia ter que usar saia de prega!
- Você já viu dezenas de fotos minhas quando estava em Hogwarts, pensei que tivesse chegado a essa conclusão sozinha.
- Achei que Hogwarts tinha evoluído com o tempo, suas fotos são de mil anos atrás!
- Clara, pare de reclamar de tudo e fique quieta para a senhora terminar de tirar suas medidas ou vamos sair daqui dia 1º de Setembro! O uniforme de Hogwarts que você vai ter que usar é esse e ponto final.

Clara cruzou os braços outra vez, mas não tornou a reclamar e a senhora conseguiu terminar o serviço. Desapareceu por detrás do balcão por alguns minutos e voltou com dois embrulhos grandes, cada um em uma sacola. Louise pagou pelas roupas e deixou a filha e o sobrinho na porta das Gemialidades Weasley.

- Pego vocês em 10 minutos, sejam rápidos – disse enquanto atravessava a rua e entrava na Farmácia Mullpeppers.

As Gemialidades Weasley era uma loja de um laranja extremamente berrante. Estava sempre lotada de clientes e suas estantes espalhadas por todos os lados eram repletas dos produtos criados por George e seu falecido irmão gemeo Fred, mas com muitas novidades também. Rupert conseguiu se espremer entre as pessoas e lia com curiosidade as instruções de um frasco com um pó escuro.

- Pó Escurecedor Instantâneo do Peru – Clara ouviu uma voz conhecida atrás e sorriu - Faz qualquer pessoa desaparecer rapidamente. É muito útil se você quer dar uma fugidinha rápida.
- Oi tio Ron! – ela o abraçou – Viemos abastecer os bolsos.
- A gente desaparece de verdade? – Rupert estava intrigado
- Não, é só um feitiço ilusório. Dura 5 minutos, tempo suficiente para você fugir – Rupert olhou outra vez para o frasco com interesse
- Quais as novidades, tio Ron? – Clara perguntou olhando em volta
- Temos um novo Kit Mata-Aula, agora com o Febricolate, as Fantasias Debilitantes e um doce surpresa, você nunca sabe que doença vai pegar.
- Legal! Quero um desse, e também marcas negras comestíveis, caramelos incha-língua, O-aperto-você-sabe-onde, orelhas extensíveis e uma caixa de fogos básicos – Rupert arregalou o olho assustado enquanto a prima ia listando
- isso? – Ron riu, pegando os produtos e colocando na cesta
- E também uma varinha de brinquedo e uma caixa de Feitiços Patenteados para Devanear – ela disse o último rápido, olhando para os lados
- Boa tentativa, mas sabe que a venda é proibida para menores de 16 anos. Vou incluir só a varinha. E você, Rupert? Alguma coisa?
- Só o Pó Escurecedor mesmo...

Ron pegou tudo e passou no caixa. Eles pagaram pelos produtos e terminavam de guardar nas sacolas quando Louise entrou na loja, com dificuldade para se locomover entre as pessoas.

- Merlin, quantas coisas você comprou? – disse espantada olhando o tamanho da sacola na mão da filha – Oi Ron, tudo bom?
- Tudo ótimo, Louise, e você?
- Preocupada agora. Clara, veja bem o que você vai aprontar com esses produtos!
- Não se preocupe, mamãe. Não vou ser expulsa de novo, eu garanto.
- É bom mesmo que não seja! Nicholas disse que Minerva proibiu os produtos da loja na escola, mas é claro que ninguém obedece.
- Já eram proibidos quando Fred e George vendiam clandestinamente no salão comunal, Hermione ficava louca – ele riu
- Faço idéia. Bom, temos que ir. Seu pai e seu irmão estão nos esperando para almoçar.
- Diga ao Remo que mandei um abraço – Ron caminhou com eles até a porta, se despedindo.

Retornaram ao Caldeirão Furado, onde Remo, Gabriel, George, Rebecca, Scott, Ben e Nicholas conversavam animados, ocupando uma mesa grande. Os três se juntaram ao grupo e logo Anna Abbot, a nova dona do pub, começou a anotar os pedidos. Faltava só mais uma semana para a volta às aulas. Só mais uma semana para começar tudo outra vez. Em uma semana, seria o início um novo ciclo...


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N.A.: A nova fase do blog está oficialmente inaugurada! Quero desejar às boas vindas à nova turma e que tenhamos muita diversão em mais esse desafio...

Juliana =)