Friday, October 30, 2009


O sol mal tinha saído quando madame Edgecombe saiu de seu quarto para ocupar seu lugar na enfermaria da escola, mas Clara já se encontrava de pé quando ela chegou. Diferente da garota que passara todo o dia anterior encolhida na cama chorando de dor, ela parecia muito bem disposta e saudável. Inexplicavelmente curada.

- O que pensa que está fazendo fora da cama? – embora aparentasse estar bem, a enfermeira não pretendia liberar sua paciente tão depressa.
- Por favor, por favor, não me prenda aqui justo hoje! – Clara já tinha ensaiado todo o discurso para convencê-la a libera-la – É o nosso primeiro sábado em Hogsmeade e é dia das Bruxas, não posso passar o dia presa aqui!
- Ontem você estava quase desmaiando de dor, não posso deixar que saia sem descobrir o que causou tudo aquilo, pode acontecer outra vez.
- Mas eu não estou sentindo mais nada, juro. Acordei ótima, sem nenhum tipo de dor, nem parece que estava passando mal ontem!
- E você não acha isso estranho? – ela tentou empurra-la de volta para a cama, mas Clara conseguiu escapar de suas mãos – Srta. Lupin, por favor, colabore comigo. Estou preocupada.
- Olha, que tal se me deixar sair para visitar o povoado e eu prometo que passo aqui quando voltar para a escola. Se eu apresentar algum sintoma estranho, não vou relutar e passo outra noite aqui – a enfermeira ainda parecia relutante – Por favor? Posso entrar em depressão se ficar aqui, sem sentir nada, enquanto meus amigos estão se divertindo fora da escola.
- Está bem, está bem, pode ir – diante da chantagem emocional, ela acabou cedendo – Mas se não voltar aqui com seus próprios pés no fim do dia, irei caçá-la pelo castelo! Agora saia, antes que me arrependa disso.

Não foi preciso mandar duas vezes. Quando a enfermeira voltou a olhar para a porta, Clara já estava dobrando o final do corredor em direção as escadas. Poucos alunos circulavam pela escola àquela hora e Clara invadiu o dormitório da Sonserina, se atirando em cima da cama das amigas.

- Clara?!? – Haley saltou da cama assustada, vendo a amiga pular para a cama de Keiko – Você está bem?
- Estou ótima! – ela deu um salto da cama de Keiko direto para a sua, rindo – Nunca me senti tão bem.
- Mas você estava quase morrendo ontem – Keiko esfregou os olhos, sonolenta – O que madame Edgecombe deu a você, que voltou com esse gás todo?
- Nada, ela também não entendeu o que aconteceu, vou ter que voltar lá quando chegarmos de Hogsmeade.
- Merlin, pare de pular nessa cama, está me deixando tonta – Haley atirou seu travesseiro para cima da amiga, que o agarrou no ar e caiu sentada na cama, sem se desequilibrar.
- Levantem logo, Filch vai começar a liberar os alunos às 8hs, quero ser a primeira a sair daqui – ela devolveu o travesseiro e correu até a porta – Vou acordar os meninos, espero vocês no salão comunal!

As reações no dormitório masculino, enquanto Clara pulava cheia de energia entre as camas de Hiro, JJ e Jamal não foram diferentes, mas todos levantaram depressa contagiados pela sua animação. Rupert, Julian, MJ e Artemis já estavam a espera deles no salão principal e pela primeira desde que haviam entrado para Hogwarts tomaram café da manhã antes das 8hs. Quando Filch se postou no meio do pátio pronto para receber as autorizações dos pais, todos já estavam lá fora, sacudindo os pedaços de papel na cara do zelador.

O povoado de Hogsmeade ainda estava vazio quando os onze cruzaram os portões da escola e tiveram sua primeira visão do vilarejo, além da já conhecida estação de trem. Suas ruas largas abrigavam dezenas de pequenas lojas, todas em estilo colonial, como a loja de doces Dedosdemel, a loja objetos e instrumentos mágicos Dervixes e Banges, o famoso pub Três Vassouras e a melhor loja de logros do mundo bruxo, Gemialidades Weasley, que ficava localizada onde há anos atrás funcionava a Zonkos, a loja de logros mais famosa que já existiu. Aqui, longe da fiscalização pesada de George e Ron, poderiam comprar tudo que sempre era vetado na loja do Beco Diagonal.

Como não poderia deixar de ser, a Gemialidades Weasley foi a primeira parada do grupo, que deixou a loja mais de uma hora depois que entraram, com os bolsos cheios e as mãos ocupadas com sacolas pesadas. O vilarejo já estava movimentado quando voltaram à luz do dia, com alunos de Hogwarts por todos os lados. Fizeram visitas demoradas também a Dedosdemel e Dervixes e Banges, e quando conseguiram chegar ao Três Vassouras já estava na hora do almoço. O resto do povoado, incluindo a Casa dos Gritos, seria explorado na parte da tarde. Hogsmeade era ainda melhor do que eles imaginavam.

ººººº

Já passava das 20h da noite quando Clara saiu da ala hospitalar, por ter prometido a enfermeira que voltaria no fim do dia. Madame Edgecombe foi forçada a admitir, embora achasse estranho, que a garota não tinha absolutamente nada e não tinha razão para mantê-la sob vigilância. Quando chegou às estufas, Haley, Keiko e Artemis já estavam a sua espera.

- Conseguiu se livrar dela? – Arte perguntou ansiosa.
- Sim, ela teve que admitir que não tenho nada – Clara ainda estava cheia de gás – Pegaram tudo? E os meninos?
- Estou com o mapa, arranquei do livro – Keiko recebeu olhares chocados das amigas e deu de ombros – Depois eu remendo com feitiço, ninguém vai perceber. Não queriam que eu carregasse aquele exemplar grosso sobre a Batalha de Hogwarts, não é?
- Os meninos estão no salão principal se empanturrando de doces e depois vão para as masmorras para o campeonato, estão ocupados demais para notar nossa ausência – Haley sorriu marota.
- Então vamos! – Arte falou tão empolgada quanto Clara.

As quatro começaram a caminhar pelos jardins da escola, já escuros àquela hora, evitando usar as varinhas para iluminar o caminho. Qualquer tipo de luz poderia atrair a atenção de algum professor, só poderiam usar luz quando já estivessem passado da cabana do Hagrid. A cada passo que davam, se aproximando mais e mais da orla da floresta, sentiam o coração acelerar. Eram quatro bruxas de 13 anos adentrando uma floresta habitada por criaturas perigosas, tentando encontrar uma relíquia da morte. Se fossem pegas e aquilo não as levasse a expulsão, não sabiam o que mais poderia.

- Acho que já estamos longe o suficiente – Arte parou de repente, olhando para os lados. Ela tinha um excelente senso de direção – Lumus.
- Ah, bem melhor agora! – Keiko repetiu seu gesto e pegou a pagina solta do bolso. Clara e Haley também iluminaram o local com suas varinhas – Vamos ver para que lado seguir.
- Segundo o mapa da clareira onde o tio Harry se entregou a Voldemort, devemos ir para o leste – Arte consultou o mapa na pagina do livro com atenção – Se acharmos a clareira, podemos refazer seus passos e ter uma boa noção de onde ele derrubou a pedra.
- Então vamos, temos que voltar antes do amanhecer – Clara se adiantou e começou a andar pela floresta na direção indicada por Artemis.

Usando o feitiço dos quatro pontos, as quatro entravam cada vez mais fundo na floresta, sempre seguindo as orientações que constavam nas histórias sobre a Batalha de Hogwarts. A floresta ficava mais densa conforme elas caminhavam em direção ao seu centro, as arvores ficavam maiores e mais cheias, arbustos ofuscavam cada vez mais o já limitado campo de visão que elas tinham e barulhos de diferentes animais deixavam aquela expedição cada vez mais perigosa, mas nenhuma delas tinha a intenção de desistir. Em alguns pontos por onde passavam a vegetação não era tão fechada e conseguiam se locomover sem muitos arranhões, mas os ruídos eram cada vez mais intensos. Cada vez mais próximos.

- O que foi isso? – Keiko saltou com a varinha em punho, apontando para o seu lado esquerdo – Ouviram?
- Deve ser algum centauro rondando para checar se não vamos fazer morada aqui – Haley brincou, mas apertou a varinha na mão.
- Pare de fazer piada com isso, não estou gostando desses barulhos – Keiko resmungou, sentindo um arrepio.
- Olhem, já viemos até aqui, não podemos voltar agora – Clara protestou – Não andamos nem três horas ainda.
- Não disse que queria voltar, só me assustei com o barulho – Keiko se defendeu, alcançando a amiga alguns passos mais a frente.
- Não acho que seja um Centauro, então vamos ficar mais atentas, ok? – Arte também as alcançou, sem afrouxar a varinha bem presa em sua mão.

Haley ainda olhou uma última vez para trás, iluminando a escuridão, mas não havia sinal de nenhum tipo de bicho por perto. Continuou acompanhando as amigas, rindo do pânico momentâneo que tomou conta do grupo, mas Artemis parou de repente e elas acabaram trombando uma com a outra.

- O que foi agora? – perguntei levantando do chão – Outro barulho?
- Clara, o que houve? – Artemis perguntou parecendo um pouco mais preocupada que Haley – Por que parou de repente?
- Eu ouvi também – Clara olhava para um ponto fixo no meio da escuridão – Tem um bicho se aproximando.
- Ai meu Merlin, que bicho? – Keiko abandonou a coragem e começou a se desesperar – Não estou ouvindo mais nada, o que é ele?
- Não sei, acho que- - Clara interrompeu a frase, olhando para o céu escuro – Hoje é noite de lua cheia.
- LOBISOMEM!

Keiko concluiu o pensamento da amiga, quando a silhueta de um enorme lobo surgiu na frente delas. As quatro apontaram a varinha para o animal, mas incertas se deveriam mesmo atacá-lo. Feitiços comuns não derrubariam um lobisomem e nenhuma delas tinha conhecimento avançado para combatê-lo, atacá-lo só iria irritá-lo ainda mais. Artemis era a única que sabia usar o feitiço do patrono e o usava para tentar repelir o lobo, enquanto pedia elas tentavam bolar um meio de escapar com vida.

- Não gritem, isso vai assustá-lo ainda mais – ela sussurrava tentando controlar seu patrono – Vamos recuar devagar.
- Clara, o que está fazendo? – Haley viu que a amiga ainda estava parada, sem acompanhá-las – Recue também!

Mas ela não se moveu. Clara continuou parada no mesmo lugar e tremia da cabeça aos pés. O lobo se dividia entre desviar da intensa luz do patrono e encarar a garota, e em uma falha de Artemis ele avançou, mas não chegou a alcançar o grupo. Foi tudo muito rápido. Quando o lobo investiu seu corpo na direção das amigas, Clara deu um passo a frente e se transformou em um imenso lobo, tão grande quanto o lobisomem a sua frente. O lobisomem recuou com a transformação repentina e as três garotas gritaram ao mesmo tempo, correndo sem rumo quando o lobo de pêlo amarelado que segundos antes era sua amiga começou a rosnar para o lobisomem gigante.

O lobo amarelado rosnava e avançava na direção do lobisomem, que começou a recuar aos poucos, até que correu para dentro da floresta e desapareceu. Ela olhou ao redor da clareira onde estavam e se viu sozinha, não mais na forma de uma garota de 13 anos, mas sim de um enorme e assustador lobo. Talvez tão apavorada quanto às amigas que fugiram dela, Clara correu para dentro da floresta, sem saber para onde ir.



"O primeiro passo para a mudança é a aceitação. Uma vez que você aceite a si mesmo, você abre a porta para a mudança. Isso é tudo o que você tem que fazer. Mudança não é algo que você faz, é algo que você permite."
(Will Garcia)

Os períodos de febre haviam começado após a primeira hora, do aniversário em que ele completou 13 anos. Achou que fosse a famosa inflamação de garganta que acometia aos adolescentes que davam seu primeiro beijo, então deveria durar alguns dias, mas no caso dele duraram exatas vinte e quatro horas. Porém outras mudanças começaram a ocorrer. Sua visão e audição haviam melhorado e notava que seu corpo estava ficando mais forte. Tudo isso seria muito legal, se não viesse acompanhado de outros sintomas. Sentia fortes dores na boca do estômago que o faziam sentir náuseas, mas ao contrário do que podia parecer, seu apetite não foi afetado, a cada dia que passava, ele comia mais, parecia que nada o satisfazia, estava sempre com fome. Tudo isso incomodava, mas o pior de tudo eram as memórias. Ou melhor a falta delas.
Num dia em que seu companheiro de quarto estava na enfermaria com a perna quebrada, ele dormiu sozinho no dormitório da escola, e no dia seguinte acordou todo encolhido no chão frio e com suas roupas rasgadas. Supôs que alguém o houvesse atacado, mas a porta seguia magicamente trancada. Pensou que houvesse tido algum pesadelo, mas quando se esforçou para se lembrar dos seus sonhos, não havia nada. Só a escuridão e sons da noite.
Outra vez, acordou no estábulo da escola, com o rosto sendo lambido por um cavalo. Também estava com as roupas rasgadas e sujo de terra e suor. Parecia que havia passado a noite toda correndo, tamanha era a sua fome, mas ao levantar sentiu seu corpo todo dolorido. Foi para seu dormitório, trocou de roupa e procurou a enfermaria, passou o dia em repouso, e quando voltou para seu quarto para dormir, não se espantou com a forma translucida que o olhava. Era uma situação que o acompanhava desde após a morte de sua mãe: a capacidade de ver espiritos.
Aquele que o olhava era um homem com longos cabelos prateados, que não devia ter mais de quarenta anos. Ele usava uma armadura e asas brancas, parecendo com um anjo. Sabia quem ele era, pelas descrições que havia ouvido de Julian e Artemis, então fez o que sempre fazia: o olhou e o ignorou, já que ele apenas os via, não conversava com eles ou os guiava para a luz, como Haley, foi fazer suas coisas, pulou assustado quando ouviu a voz forte e decidida:
- As mudanças começaram, jovem Silverhorn. - ficaram se encarando e o homem continuou:
- Se você não se importar gostaria de conversar com você, eu sou Chronos. - o máximo que o garoto fez foi assentir com a cabeça.
Por mais que ver espiritos não o surpreende-se, conversar com um, com milhares de anos de idade, era no mínimo, chocante.
- Sei quem o senhor é. Mas que mudanças??
- Você sabe que sua herança é antiga e o tempo de decidir se vai honra-la ou deserdá-la esta chegando. Nem todos da sua tribo podem ter o privilégio de se conectar aos seres vivos como você.
- Isso é uma lenda...Eu estou com alguma febre e logo vai passar.
- Não são lendas e algo dentro de você sabe disso, tanto quanto sabe os feitiços para conjurar os elementos, sem ninguém te ensinar. Sua alma é antiga. E o que vim fazer aqui é lhe dar um conselho: outros passarão por ajustes em suas vidas e precisarão de apoio, pois não poderão ter a opção que você tem de aceitar ou não. Permita que eles o ajudem e o apóiem, seja qual for a sua decisão.
- Não há nada a decidir. Sou um garoto comum, com problemas normais em fase de crescimento, e ando muito cansado, não vou me iludir com umas lendas de muito tempo atrás, então...
O homem se moveu tão rapido que não tive reação. Colocou a mão em minha testa e lembrei de todos os sonhos e de tudo que andava acontecendo comigo nas últimas noites e à medida que Chronos me mostrava como se fosse um filme, eu sentia medo e porque não dizer, curiosidade e admiração. E Chronos percebeu, vi um canto de sua boca se erguer como se ele fosse sorrir.
- Nas primeiras vezes, que você não se lembrava, foi o seu cérebro te protegendo do choque pela dor da mudança. Com o tempo suas memórias serão melhores.
- Isso é muito doido...E se...E se eu machucar alguém?
- Não se preocupe, você não machucou a ninguém. Você não perderá a noção de quem é, você apenas assumirá outra forma de qualquer ser vivo que você queira. Agora que sabe o que acontece, pense em suas decisões jovem Silverhorn, nunca se esqueça que atrás de um grande poder, vem grandes responsabilidades, que podem ser um fardo muito pesado para se carregar sozinho, mas se você pedir ajuda, a receberá sem julgamentos ou exigências.
Olhei para ele ainda assustado, mas ele me encarou com olhos tão bondosos que uma calma se apoderou de mim, enquanto sua forma ia se desvanecendo.
- Até algum dia ‘jovem xamã’.- foram suas últimas palavras antes de sumir por completo.
Sentei-me na escrivaninha que usávamos para estudar e puxei um pergaminho. O normal seria escrever para o meu pai, mas quando pensei em tudo o que estava acontecendo comigo e nas implicações disso em minha vida, as primeiras palavras que sairam da ponta da pena foram:

‘Hey Cara Pálida!
Espero que esteja tudo bem com você. Como pode ficar chocado com a foto que estou te mandando, quero que saiba esta garota linda enroscada em mim é London Tipton, estamos ficando, e também que eu entrei para o time de quadribol, sou o batedor.
Como não recebi nenhuma carta sua dizendo que havia cumprido outra das metas deste ano, eu deduzi que ganhei a aposta, voce poderá me pagar quando nos encontrarmos nas férias rsrs.
Algumas coisas aconteceram comigo, nada que você deva se preocupar, mas seria bom, ter você por aqui.
Tonto”.
P.S. Será que você poderia ficar alguns dias na reserva nas férias? Seria importante para mim.


Li e reli a carta que Justin havia me mandado enquanto esperava Rupert terminar de se vestir , para irmos a Hogsmeade, era nosso primeiro passeio da escola e todos estavamos ansiosos, até levantamos mais cedo para sermos os primeiros a sair do castelo.
Ainda teríamos que passar na enfermaria para ver se Clara estava recuperada e se poderia ir conosco, mas se ela não pudesse já haviamos combinado de trazer um monte de presentes para ela.
- Uau! Justin tá saindo com ela?- perguntou Rupert vendo a foto de Justin com uma loira bonita enroscada nele, que estava em cima da mesa, perto da coruja negra que comia o biscoito que eu havia dado a ela.
- Sim, está.- Rupert me conhecia bem o bastante e perguntou:
- Voce parece preocupado. Aconteceu alguma coisa com ele?
- Ele não diz o que é... Mas sei que tem alguma coisa errada. ?- estiquei a carta e ele a leu rapidamente me devolvendo.
- Você pode telefonar para ele, de Hogsmeade, e ficar sabendo o que está perturbando ele.
- Ótima idéia, e ai já está pronto? Ainda temos que encontrar as meninas...
- Mais do que pronto. Hogsmeade, aí vamos nós.- rimos e saimos do dormitório.
O que que quer que estivesse acontecendo com Justin, eu descobriria uma forma de ajudá-lo, mesmo estando longe, afinal é isto que os amigos fazem.
Julian Thomas Montpellier às 5:06 PM

Tuesday, October 27, 2009


Com o mês de Outubro quase chegando ao fim, a expectativa entre todos os alunos no castelo era pela festa de Dia das Bruxas que acontecia todo ano no salão principal. Tinha sempre um banquete farto, com muitos doces e porcarias que não comemos durante o ano inteiro, música animada e os fantasmas das casas sempre ficam mais empolgados nessa data, e desatam a contar histórias da época que ainda eram vivos que sempre diverte todo mundo. Mas esse ano eu tinha planos diferentes para a noite das bruxas.

Durante uma aula como qualquer outra de DCAT, tio George estava contando a história da Batalha de Hogwarts e de como Harry Potter sobrevivera ao segundo Avada Kedavra lançado contra ele por Voldemort. Para detalhar a história, ele também resumiu o conto das três relíquias da morte, pois elas foram usadas pelo tio Harry na batalha. Acabamos descobrindo através da história que a Pedra da Ressurreição estava enterrada em algum ponto da Floresta Negra, e desde então Arte, Haley, Keiko e eu estávamos planejando uma excursão pela floresta na esperança de encontrá-la. Não que tivéssemos planos de usá-la, mas ter uma das relíquias da morte que sempre acreditamos ser parte de um conto que não era real em nossas mãos seria demais. Muito melhor que roubar a fênix do diretor.

A data escolhida só poderia ser no dia das Bruxas, quando todo o resto do castelo estaria reunido no salão principal festejando e não notariam nossa ausência. Nem mesmo os meninos perceberiam que havíamos saído, estariam ocupados depois no tradicional torneio de pôquer das masmorras que acontece uma vez por ano, sempre no dia 31 de Outubro. Era a primeira vez que eles iam participar, estavam tão obcecados em ganhar o torneio que passavam o dia inteiro com um baralho na mão, tentando aprender a contar cartas.

Saímos do dormitório na sexta-feira de manhã e encontramos o salão comunal da Sonserina tomado por um falatório empolgado, enquanto a maioria dos alunos se amontoava em frente ao quadro de avisos da casa. JJ saiu do meio da aglomeração tão animado quanto os demais.

- O que está acontecendo? – perguntei indo até ele – Suspenderam as aulas?
- Melhor! Primeiro fim de semana em Hogsmeade! – ele respondeu apontando para o quadro – Amanhã, no dia das Bruxas!
- Ah, até que enfim! – Haley começou a pular – Quero conhecer tudo, vamos sair cedo, não é?
- Vamos ser os primeiros a entregar as autorizações ao Filch – Jamal surgiu do meio dos alunos sorrindo animado – Mas que tal irmos tomar café? Hoje tem clube dos duelos no 1º tempo, não quero perder nem um minuto!

Desviamos da aglomeração que ainda se formava em frente ao quadro de avisos e saímos das masmorras, seguindo direto para o salão principal. O café da manhã das sextas-feiras eram sempre corridos. Nosso primeiro tempo de aula era DCAT e tio George, ou melhor, professor George sempre fazia dessa aula um clube de duelos e tínhamos a chance de pôr em pratica os feitiços que ele ensinava na aula dupla de segunda-feira. Ele já estava na sala quando chegamos, assim como parte da turma da Grifinória. A melhor parte do clube dos duelos era que podíamos duelar contra eles, o que tornava tudo muito mais divertido.

- Muito bem, vamos entrando e todos já sabem o procedimento – professor George ia falando enquanto o restante da turma entrava na sala.
- Mochilas no armário, varinhas em punho – Arte repetiu o que ele dizia toda aula e a turma riu.
- Exato, Srta. Chronos – ele riu – Formem duplas e se espalhem pelo tatame. Hoje vamos praticar o feitiço que aprendemos na segunda-feira, a Azaração do Impedimento. Lembrando que devem sempre tentar se defender com o feitiço escudo, mas apenas ele.
- Quero minha revanche, Lupin – James pulou na minha frente de repente, a varinha já em punho – Vai fugir ou encarar?
- Prepare-se para perder outra vez, Thruston – respondi erguendo a varinha e nos posicionamos no centro do tatame, aguardando o sinal do professor.

Quando todas as duplas já estavam preparadas para começar, ele deu o sinal que nos autorizava a começar o duelo e a sala se encheu de lampejos amarelos, misturados aos barulhos dos alunos caindo chapados no chão quando eram atingidos pelos feitiços. James e eu trocávamos feitiços ininterruptos, mas eu não era a única ágil em acionar o feitiço escudo, então a azaração sempre era desviada. Consegui atingi-lo no braço quando ele abaixou a guarda por um segundo, mas não foi o suficiente para derrubá-lo e antes que eu pudesse me proteger outra vez, um jato amarelo me atingiu em cheio e cai embolada no chão. Senti minhas costas baterem no chão com força e de repente cada canto do meu corpo estava doendo, como se tivesse levado uma surra.

- Há! Peguei você, Lupin – ouvi James se vangloriar e tentei apontar a varinha para ele, mas percebi que não tinha forças. No lugar do feitiço que tentava lançar contra ele, saiu um gemido de dor horrível.
- Clara, o que houve? – tio George correu até onde eu estava caída e se ajoelhou no chão, levantando minha cabeça – Onde você se machucou?
- Não sei – falei ainda gemendo – Dói tudo – e gritei outra vez, agora atraindo a atenção dos meus amigos.
- O que você fez com ela, Thruston? – vi Jamal, JJ e Hiro avançarem para cima de James, que recuou.
- Nada, só a acertei com um impedimenta! – ele se defendeu, parecendo verdadeiramente assustado – Professor, o que ela tem?
- Não sei, mas vou levá-la até a enfermaria – tio George me ergueu do chão, em seu colo – Vou sair da sala por cinco minutos. Se uma única varinha for usada para executar qualquer tipo de feitiço, toda turma vai receber um mês de detenção e muitos pontos serão descontados das duas casas, fui claro?

Ouvi a turma murmurar em concordância e depois só sentia que ele estava caminhando apressado pelos corredores, mas não via mais nada, mantinha meus olhos apertados como se assim pudesse diminuir a dor horrível que estava sentindo. Era como se meu corpo inteiro estivesse sendo perfurado com facas, sentia pontadas por toda parte, e muita câimbra. Duvidava que pudesse me manter de pé, sentia que não tinha força alguma nas pernas naquele momento.

- Professor, está tudo bem? – ouvi a voz de Garret no corredor, mas não ousei abrir os olhos.
- Faça um favor para mim, Donovan. Vá até a minha sala e fique de olho na turma do 3º ano. Tive que deixá-los sem supervisão e não confio que vão permanecer quietos até eu voltar.
- Pode deixar – Garret assentiu e ouvi seus passos se transformarem em uma corrida. Era estanho, pois mesmo sem ver, conseguia ver o ritmo com que ele agora caminhava, mesmo que já estivesse distante.

Ainda podia ouvir os passos de Garret pelos corredores e pude ouvir sua voz ao entrar na sala de DCAT, mas não sabia dizer como, pois já estávamos no primeiro andar. Misturado a voz dele dentro da sala, ouvia meus amigos perguntando como eu estava. Abri os olhos para checar se estávamos mesmo no primeiro andar e dei de cara com Madame Edgecombe vindo correndo ao nosso encontro, assustada.

- O que aconteceu? – ela guiou tio George até a cama mais próxima e ele me deitou nela – Ela está tremendo e ardendo em febre!
- Não sei o que houve, estávamos em uma aula de duelos usando apenas o impedimenta. Ela caiu e começou a gemer de dor!
- Querida, o que você está sentindo?
- Tudo! Meu corpo inteiro está doendo, minhas pernas e braços estão formigando, não consigo nem dobrar os dedos da mão que doem!
- Eu nunca vi disso – ela olhou apreensiva para o tio George – Vamos nos concentrar primeiro em baixar a temperatura do seu corpo, está muito quente. Fique aqui com ela, vou buscar uma poção.

Fechei os olhos outra vez com uma careta de dor e pude ouvi-la revirando as prateleiras da enfermaria a procura do frasco certo. Tio George mantinha a mão em minha testa, preocupado, mas se afastou quando ela voltou com a poção certa. O gosto era horrível, mas estava com tanta dor que não me importei. Contanto que ela me ajudasse a melhorar, não tinha problema ter gosto de lama. Tio George voltou depois de alguns minutos para a sala, depois da enfermeira lhe garantir que não ia sair de perto de mim até que estivesse melhor, e prometeu voltar assim que encerrasse a aula.

Eu não voltei para mais nenhuma aula do dia, passei o resto da manhã e toda a tarde deitada na cama da ala hospitalar, engolindo várias combinações de poções e vendo a enfermeira checar minha temperatura de meia em meia hora. Meu corpo ainda estava muito quente, parecia que nada surtia efeito, mas ela não desistia. No intervalo entre a aula de DCAT e Feitiços meus amigos vieram me visitar e isso se repetiu durante todo o dia, madame Edgecombe já havia desistido de expulsa-los e apenas abria a porta para que pudessem passar.

A dor diminuía e voltava com força total, era completamente instável. Não sabia o que estava acontecendo comigo, e as conversas paralelas que conseguia ouvir entre a enfermeira e tio George e tio Ben não diziam muita coisa, mas à medida que a noite começava a cair, minha única preocupação era se poderia visitar Hogsmeade na manhã seguinte, ou se passaria o resto do fim de semana me revirando de dor naquela cama. Eu quero a minha mãe...

Saturday, October 24, 2009


Algumas memórias de Johny Weasley

Quando voltamos para a escola, pela primeira vez em cinco anos, Liz viajaria no vagão dos monitores junto com Garret, que agora era o chefe dos monitores, e eu, Leo, Chantal e Blair fizemos a viagem sozinhos. Após a seleção dos novos alunos, onde para não contrariar as expectativas nosso primo Fred entrou para a Grifinória, a diretora McGonnagal, usando um cardo muito feio no chapéu, recitou as regras para este ano e sou capaz de apostar um saco de bombinhas fedorentas que Haley, Jamal, JJ, Keiko, Hiro e Clara, Artemis, Julian e Rupert, bocejavam entediados, enquanto olhavam ao redor. Como já os conhecia bem o bastante, sabia que isso era sinal de que eles iam dar um jeito de aprontar alguma. Mas, para nossa diversão, os monitores este ano estavam mais espertos e fizeram uma barreira para impedir que algum aluno de suas casas perdesse pontos, antes do começo das aulas. Rimos muito das caras decepcionadas deles rsrs.
Nunca me considerei um gênio na escola, sou um bom aluno, nunca tirei um T, mas depois do primeiro dia de aula, e os montes de relatórios que tinhamos que fazer, percebi que teriamos que nos desdobrar, se quisessemos pelo menos manter um O. A aula de DCAT tinha acabado de e o professor Storm, havia dispensado a classe quando ele me chamou, já na porta:
- Senhor Weasley pode ficar mais um pouco? É coisa rápida. - Disse notando minha hesitação.
- Não se preocupe. Nada sei sobre o saco de bombas de bosta que você trouxe para o castelo, Filch não vai ouvir nada de mim.- dei risada encabulado e ele continuou:
- Vou direto ao assunto: Este ano a vaga de capitão do time da Grifinória está vazia e eu pensei que você poderia ficar com ela. Já tem experiência em campo e pelo que sondei ano passado, com os outros jogadores, o time gosta de você.
- Eu? Capitão? Fala sério.- e ele disse rindo:
- Hey, é a minha casa, eu não brinco com quadribol. Então a Grifinória pode contar com você?
- Pode sim, ti..quer dizer, professor Storm.- e ele riu e me dispensou.
Quando sai dali, já tinha em mente o dia que iria aplicar os testes para os novos jogadores e uma coisa eu tinha certeza. Não iria deixar a Sonserina levar o tricampeonato no Quadribol sem lutar.

o-o-o-o-o-

Havia marcado os testes para o sábado de manhã, e ele amanheceu claro e ensolarado, muita gente estava pelas arquibancadas para ver os testes, e a galera da Sonserina estava lá também, junto com alguns corvinais e lufos.
- Testes para o time todo?? To-do? Vai demorar horrores...- resmungou Lizzie, enquanto as pessoas se reuniam ao meu redor em volta do campo.
- Sim, tem que haver testes, é a regra. Mas não precisa se preocupar, este ano os testes serão diferentes. – elevei um pouco a voz para que todos pudessem me ouvir.
- Quero avisar que fazer o teste para entrar no time da casa significa muito sangue, suor e lágrimas. Vai ter dia que vocês vão sair do campo chorando de dor, mas eu me importo? Não! Tudo o que eu quero é ser campeão, custe o que custar, e se você não tem estômago para isso, você está fora. Não me interessa se você esta de braço quebrado, com TPM, ou com uma espinha na testa e vai ver o seu namorado. Se isso influenciar de forma negativa o time, eu os corto fora, como se fosse um membro atrofiado e inútil. Não vamos nos reunir aqui para fazer fofoca e amizades, isso não é um clube. Então quem não for levar a sério e aguentar o que vier, saia agora, ou eu juro por tudo que é mais sagrado, vai se arrepender. E eu posso fazer isso. – disse com um olhar maníaco, todos me olhavam com olhos arregalados e duas meninas que eu sabia que estava ali apenas para fazer fofocas e aparecer, sairam correndo largando as vassouras jogadas no chão. – dei risada e os outros me acompanharam e continuei o teste.
- Bom, agora quero que todos subam em suas vassouras e vamos pairar com elas há uns 2 metros do chão. Imaginem-se voando a 15 metros do chão, num dia de chuva forte, e o seu cafée da amanhã foram ovos pochet com ervilhas.... Você mal consegue se segurar pois o vento está muito forte...
Enquanto eu falava, todos faziam o que pedi, e olhando ao redor, percebi que havia um garoto do segundo ano, que estava nervoso demais e sua cor ia mudando de pálido para verde. A vassoura dele sacudia muito, de repente ele virou para o lado e vomitou. As meninas gritaram de nojo, e os garotos foram rápidos o bastante para sair do caminho.
- Parsons, fora! Quem tem enjoô de altura, não pode jogar. - e um outro garoto saiu com ele e vimos quando os dois apressaram o passo para os banheiros do vestiário. – olhei ao redor e peguei a varinha:
- Bem agora a parte final, antes de começar os testes propriamente ditos.
Agitei minha varinha no ar, e após alguns segundos duas vassouras corcovearam e derrubaram os dois garotos menores e tirando os disfarces que eles usavam:
- Luky e Fred, testes com vocês só a partir do ano que vem, é a regra.- disse enquanto ria.
- Droga, nós quase conseguimos.- disse Luky indignado e Fred perguntou:
- O que nos entregou?
- O feitiço de idade, ensinado pelo professor Wood... E reconheço estes cabelos vermelhos de familia a distância, a peruca está pequena na nuca. – o pessoal da arquibancada dava risadas e alguns aplaudiam a tentativa deles e eles sairam do campo fazendo mesuras.
- Vamos ficar aqui brincando de faz de conta ou vamos fazer os testes?- perguntou Thruston, e eu franzi os olhos para ele:
- Paciência é uma virtude. Se está cansado, a saída do campo é pela direita. – apontei com o polegar e ele ficou onde estava, sem graça:
- Agora que só estão em campo, aqueles que realmente querem e podem fazer os testes, quero todos nos alto, o teste pra valer começa agora.
Foram duas horas, bem exaustivas, mas todos deram o máximo de si.
Artemis disputava a vaga com dois garotos mais velhos, se saiu melhor não deixando nenhuma goles entrar no seu aro. Lizzie, Leo e Dean conseguiram se entrosar e funcionavam bem juntos. Um dos gêmeos novatos, transferido da Italia, Stephan Salvatore, tinha um braço forte e bom senso de direção. Os balaços dele eram certeiros e eu e ele após algum tempo de jogo, praticamente antecipávamos as manobras um do outro. E entre os apanhadores, Thruston, deixou de lado sua antipatia natural e foi o quem apanhou o pomo mais rápido, e fez isso cinco vezes, mesmo não sendo tão pequeno.
Ao final, soprei o apito e mandei todos descer para o campo e eu disse:
- Obrigado a todos pelo teste. Os nomes que eu chamar continuem em campo, os que não conseguiram, amanhã haverá uma lista no quadro do salão comunal para os jogadores que ficarão na reserva e os dias dos treinos: Underwood, Salvatore, Thruston, Collins, Chronos, Weasley.
Esperei o pessoal sair do campo e após olhar para cada um dos que estavam em campo disse:
-Parabéns pessoal: Bem vindos ao novo time dos leões.
por um dos O'Hara Weasley às 12:22 AM

Thursday, October 22, 2009


Das memórias de Lizzie Weasley

Estavamos tomando o café da manhã enquanto minha mãe listava nossas tarefas do dia, quando observei da janela duas umas corujas vindo em direção a nossa cozinha. Abri a janela rápido, e elas aterrissaram em cima da mesa do café. Johny logo pegou as cartas e Edward, que estava cobrindo a folga de tio Nicolas, e ajudava com os dragões, as colocava com cuidado, perto de um prato com flocos de milho e água.
- Chegaram as listas de material.- John anunciou me dando o meu envelope, enquanto abria o dele impaciente.
- Já não era sem tempo, em geral mandam as listas muito mais cedo...Carlinhos precisamos marcar o dia para ir com eles ao Beco Diagonal.- disse minha mãe e eu e Johny começamos a protestar.
- Não somos mais crianças mãe, podemos ir sozinhos...- resmunguei.
- Não estaremos sozinhos, Blair e Garret vão nos encontrar lá, é só dizer o dia. E vocês têm muito trabalho aqui na Ilha...- disse Johny claramente pedindo ajuda a Edward, que bebia uma caneca de chá e nem teve tempo de dizer alguma coisa, quando mamãe disse:
- Johny nunca compra tudo que está na lista e você acaba comprando coisas demais. Este ano não quero nenhuma coruja avisando que ele não levou meias suficientes ou ter que mandar novas saias, porque as suas estão curtas demais Liz. E Edward está nos ajudando por enquanto, logo ele volta para a vida dele.
- Não estavam tão curtas assim, a diretora McGonnagal exagerou.- respondi e ela rápida:
- Claro, um palmo acima do joelho não é nada, para quem quer ser cheerleader e não há algo do genero em Hogwarts.
- Deveria haver, os jogos iam ficar mais animados.- disse Johny e deu um high-five com Edward.
- Você não percebeu que esta ida ao Beco Diagonal é mais pela sua mãe do que por vocês, Lizzie? Ela adora comprar os materiais da escola.Chega aqui deslumbrada com as novidades.- disse papai e mamãe riu:
- Deixa de ser bobo, Carlinhos... Ok, não é só por isso, este ano eu consegui dois dias de folga do hospital e adoraria sair com vocês. - ela disse e meu pai ficou interessado:
- Dois dias inteirinhos??
- 48 horas... - ela disse devagar e meu pai disse todo animado:
- Vamos todos juntos comprar o material de vocês. Está decidido.
Quando ele falava assim, só havendo uma tragédia para fazê-lo mudar de idéia. Nosso destino estava selado.
- Vamos ter que comprar muita coisa este ano, ‘Orc’?- perguntei ao ‘ser’ que era meu irmão e já era um pouco mais alto que nosso pai, e parecia estar formando tantos musculos quanto ele.
- Não, ‘Freak’ só um livro novo: O livro padrão de feitiços da 5ª série, da Miranda Goshawk. – Johny disse e enquanto eu abria a minha carta percebi que além da minha lista de material, vinha uma carta extra e dentro dela um distintivo vermelho e dourado e eu ficava pasma.
- O que foi filha? Algum problema?- perguntou minha mãe e Johny puxou a carta da minha mão e leu, enquanto eu estava sem reação:
- Monitora? exclamou olhando da carta para mim: Mo-ni-to-ra? Você? -e notei o tom magoado e disse logo:
- Deve ser um engano...
- Sua avó vai enlouquecer, mais um monitor na familia. Parabéns querida, estou orgulhoso de você. – disse papai enquanto me abraçava.
Claro que que fiquei feliz, mas sinceramente? Nunca esperei ser monitora...Será que o tio George acha que só porque sou uma Weasley, não vou trazer problemas?? Ou ele espera que eu mantenha meus amigos na linha?? Bem...se ele espera isso, este distintivo não vai ficar comigo muito tempo.

-o-o-o-o-o-o-o-o-

Garret e Blair não puderam ir se encontrar conosco, pois estavam de férias na casa de parentes, então acabou virando um programa familiar.Quando chegamos no Beco Diagonal,era a confusão de sempre. Casais com crianças pequenas e empolgadas escolhendo caldeirões ou corujas, meninas deixando a costureira de madame Malkin, nervosa por não poderem subir a barra das saias. As lojas de artigos de poções tinham o costumeiro cheiro esquisito, e a Floreios e Borrões, estava lotada, por sorte eram apenas dois livros e saimos logo com novas penas,rolos de pergaminho, e o que mais gostei: blocos de post-it mágicos, que dava para usar como um correio rápido, pois se dobravam como pequenos aviões de papel indo até o destinatario, mas apenas para mensagens curtas.
Depois de comprar algumas coisas na Zonko’s, fomos para a Gemialidades, e como não poderia deixar de ser, meus tios George e Rony estavam atrás do balcão atendendo os clientes, e havia muitas novidades. Minha mãe nem perdeu tempo dizendo a nós que não pegassemos nada, afinal ela sabia que nossos tios dariam um jeito de recebermos o que nos interessasse.
Depois das compras fomos para a casa dos meus avós e papai tinha razão: Minha avó pirou com a a historia de monitor. Fez um jantar especial, chamou todos os meus tios e primos, pendurou uma faixa vermelha e dourado me dando os parabéns. Enfim, aquilo virou uma festa.
Apesar do exagero, fiquei feliz por ela ter feito isso, embora tio George e meu primo Fred me zoassem bastante, enquanto tia Hermione e tio Percy me falavam sobre a enorme responsabilidade que havia sido posta sobre meus ombros, e era difícil ficar séria quando tia Gina fazia caretas pelas costas deles enquanto tio Harry tossia segurando o riso.
No final da noite voltamos ao hotel onde estávamos hospedados e como eu não conseguisse dormir, fiquei sentada no bando perto da janela, observando a noite e pensando no meu namorado, quando ouvi darem tres batidas curtas na porta e meu irmão entrar. Ele se aproximou e se sentou ao meu lado. Continuei olhando para fora e ele disse:
- Parabéns Liz, vai ser legal ter você como monitora.
Olhei para ele e ele estava sério e eu disse:
- Não pedi para ser monitora...
- Ninguém pede, e se você foi a escolha do tio George é porque é o melhor para a Grifinória. Eu achava que por ser o filho mais velho, seria eu. Idiota eu sei, mas me desculpa não ter dito antes. – acenei afirmativamente e ele continou:
- E também sua letra é melhor que a minha, ouvi falar que vocês fazem vários relatórios escritos, e sei que os treinos no quadribol este ano devem ser mais rígidos, afinal por mais que seu namorado seja um cara legal, não podemos deixar os sonserinos serem tricampeões, teremos que estudar muito para os NOM’s, será um ano que não teremos tempo para nada....Você tá ferrada e isso É muito legal! – soquei o braço dele e começamos a rir. Tudo estava bem.
por um dos O'Hara Weasley às 8:45 PM