Thursday, May 31, 2012


Saímos da reunião da AD na noite de terça prontos para uma batalha. O ataque dos vampiros seria a qualquer momento daquela madrugada e não tínhamos tempo a perder. Ninguém voltaria para o salão comunal para descansar, até porque como alguém poderia dormir sabendo que dentro de algumas horas uma horda de vampiros invadiria a escola para nos atacar?

A ordem para os integrantes da AD naquela madrugada era evacuar os alunos do 1º e 2º ano pelo túnel do alojamento dos professores e guiá-los até a pousada que fazia parte do Três Vassouras em segurança e no mais absoluto sigilo. Nenhum alarde deveria ser feito. Se algum vampiro já estivesse observando nossos movimentos, não deveriam saber que já estávamos evacuando os alunos. Isso entregaria que sabíamos do ataque e os faria recuar.

Os alunos do 3º ano em diante puderam escolher entre ficar e lutar ou se abrigar com os mais novos. E como Arte e eu desconfiávamos que entre esse grupo houvesse um traidor, o aviso foi dado apenas quando o ataque de verdade começou, poucas horas depois da evacuação dos pequenos. Houve um pânico inicial vindo daqueles que não faziam parte da AD ou não possuíam qualquer aptidão para duelos, mas a maioria optou por ficar. Ajudei a escoltar os alunos da Corvinal que não ficariam até o quarto andar e Fred, Tiago e Daniel foram os responsáveis por levar todos eles até Hogsmeade.

Os vampiros já estavam dentro dos terrenos da escola e voltei para ajudar a AD a retardá-los enquanto os alunos saiam em segurança. A ordem era não deixar nenhum deles entrar no castelo. A quantidade de vampiros espalhados pelos terrenos de Hogwarts era absurda, mas estávamos preparados para eles. Arte comandou uma linha de defesa e conseguimos impedir a invasão do castelo, mas Cadarn apareceu no meio da confusão e nos atacou. Não esperávamos que ele viesse tão cedo, mas o plano não mudou. Arte assumiu o controle da luta contra ele e quando Fidelus pousou ao seu lado, transportou todos os aurores e vampiros aliados para os terrenos da escola e a briga de verdade começou.

- Rupert, estou sentindo mais vampiros se aproximando e eles vão tentar passar por eles! – ela gritou pra mim enquanto disparava feitiços para distrair Cadarn – Não posso sair daqui, acha que pode dar conta deles?
- Não se preocupe, nos meus túneis ninguém vai passar! – respondi repelindo um vampiro que se aproximava de mim e correndo de encontro a Sheldon.
- Rupert, os túneis! – ele sacudia o mapa na mão.
- Eu sei, Arte me avisou, vamos!

Daniel, Tiago e Fred agora guiavam os alunos que não faziam parte da AD de volta para o castelo para dar espaço aos experientes na luta e eles ficaram encarregados de proteger Hogwarts por dentro, caso necessário. Uma olhada rápida pelos túneis marcados no mapa e soube que o grupo de vampiros sentido por Arte vinha pelo túnel que saia na câmara que ficava no salão principal. Amber estava descendo as escadas para o saguão de entrada às pressas e foi de encontro ao grupo de alunos que os três escoltavam.

- Levem eles para a câmara do salão principal, vão ficar seguros! – ela ordenou aos dois e Sheldon me olhou alarmado.
- NÃO! – gritamos ao mesmo tempo e ela se assustou – Levem eles para a cozinha, é mais seguro. Os elfos vão tomar conta de tudo.
- O que está acontecendo? – ela perguntou desconfiada quando o grupo de alunos mudou o rumo.
- Bom, nós precisamos de um par de mãos extras, então vem com a gente que já vai saber – Sheldon bateu no mapa e entrou no salão principal.

Amber nos seguiu e embora não soubesse o que estava acontecendo, sabia que todos os movimentos daquele dia faziam parte do plano, então não questionou. Antes do ataque escondemos um pote de fogovivo na entrada de cada passagem secreta e o resto deles estava com Lenneth e os demais alunos de Durmstrang. Uma vez no campo de batalha, só eles saberiam usar a substância em segurança e isso nos daria alguma vantagem. Abrimos a porta que dava para o túnel e Sheldon puxou uma tira de borracha da mochila, atirando uma das pontas pra mim. Era o elástico de uma atiradeira maior do que o comum.

- Amber, segura isso e não sacode! – ele deu um pote de fogovivo a ela.
- O que é isso? – ela perguntou receosa, segurando o pote de barro como se fosse uma bomba. O que, na verdade, era.
- Fogovivo. Quando dermos o sinal, você atira no túnel – respondi com a minha voz mais tranqüila, vendo o pânico nos olhos dela.

Sheldon e eu nos posicionamos cada um em um lado da porta e Amber colocou cuidadosamente o pote de barro na tira de couro no meio do elástico.

- Eles estão vindo, vamos atirar – Sheldon olhou para o mapa e localizou os pontos vermelhos amontoados se aproximando.
- Ainda não! – disse quando Amber fez menção de puxar a borracha.
- Rupert, eles estão muito perto! – Amber disse nervosa.
- Não perto o suficiente. Não podemos explodir dois potes, vão sair do controle!
- Cinco metros... Quatro... Três... – Sheldon ia contando de olho no mapa.
- AGORA!

Amber puxou a tira de borracha com força pra trás e soltou, lançando o pote de fogovivo de encontro com os três vampiros que vinham na frente do grupo. Apontei a varinha na direção deles e conjurei uma pequena bola de fogo, que ao entrar em contato com a substância entrou em combustão e se alastrou em uma velocidade assustadora. Em questão de segundos todos os vampiros estavam em chamas e as labaredas começavam a correr na nossa direção procurando por uma saída. Fechamos a porta depressa e Sheldon sacou o detonador da mochila.

- Faça as honras – disse me entregando o aparelho.
- O que é isso agora? – Amber perguntou, mas já sabia a resposta.
- Melhor nos afastarmos.

Demos alguns passos pra trás e apertei o botão numero três, que correspondia àquele túnel. Depois de uma contagem de 15 segundos uma explosão fez a câmara tremer. Sheldon olhou o mapa e os pontos vermelhos não se moviam mais. O túnel havia sido destruído e a terra que caiu apagou o fogovivo e soterrou os vampiros.

Ficamos em silêncio alguns segundos, contemplando o sucesso do plano, mas movimentos estranhos no mapa do maroto nos trouxeram de volta à realidade. Mais vampiros usavam os túneis para tentar no castelo, agora o que pedia intervenção era o que ficava atrás da estátua da bruxa corcunda no 3º andar e levava direto à Dedosdemel. Merlin, como deve ter ficado a loja com um bando de vampiros a invadindo? Amber agora já estava 100% a bordo do plano e pegou o pote de barro assim que paramos ao lado da estátua, pronta para arremessá-lo contra os vampiros. A explosão depois do incêndio derrubou a estátua, que se partiu em vários pedaços e se espalhou pelo corredor.

- Isso só pode ser piada. Mais vampiros? – Amber falou apontando para uma aglomeração no túnel que saia na nossa sala de treinamento.
- Vamos depressa, estamos dois andares acima deles – Sheldon colocou a mochila nas costas e descemos as escadas às pressas.

Chegamos esbaforidos às masmorras. Tia Louise estava saindo do armário onde ficava o estoque de poções do tio Yoshi e levou um susto quando nos viu, mas não perguntou por que nós três corríamos com um mapa e um elástico gigante na mão nem por que estávamos sujos de fuligem. O que quer que Arte tenha dito aos nossos pais, eles confiavam que estavam com tudo sob controle. Repetimos o processo e conseguimos conter o avanço do bando, mas dessa vez ficou uma sensação amarga. Havia acabado de explodir nosso acesso secreto ao abrigo e se os vampiros haviam usado ele para tentar entrar, certamente estava tudo destruído.

- Sem descanso, gente... – Sheldon apontou para outro grupo de pontos vermelhos vindo pelo túnel que dava na sala de armaduras.
- A passagem até o Old Haunt não, por favor – resmunguei sem acreditar que também teria que selar ela.
- Bom, não são alunos, então não temos escolha. – Amber disse encarando o mapa.

Não foi preciso dizer mais nada. Corremos de volta para o terceiro andar, mas os pontos vermelhos se aproximavam cada vez mais depressa. Talvez tenham sido alertados das explosões pelo barulho e começavam a deduzir que teriam o mesmo destino se não saíssem logo de lá. Não sabia dizer o que havia causado o grupo a se deslocar mais rápido, mas não íamos ter tempo de lançar o fogovivo antes que eles chegassem à porta. Teríamos que explodir o túnel direto.

- Detone as bombas! – Sheldon me apressou enquanto corríamos para chegar a tempo.
- Rup, eles estão a menos de 20 metros da porta, não vai dar tempo! – Amber alertou.
- Eu sei, mas a terra pode não segurar todos!
- Doze metros. Detone logo! – Sheldon gritou desesperado e apertei o botão.

Começamos a contagem regressiva e quando meus olhos bateram no mapa, um pânico incontrolável tomou conta de mim. Brittany e Timothy corriam na direção da porta e iam entrar no túnel. Enviei meu patrono para mandá-los saírem de lá e apertamos o passo. Alcançamos a entrada faltando cinco segundos para a explosão. Eles haviam recebido o patrono e corriam na direção contrária, desesperados.

- Brittany, Timothy, saiam daí! – gritei entrando no túnel e Amber me puxou de volta.
- Vai explodir, saiam logo! – Sheldon estendeu a mão para Brittany, que estava mais próximo à porta.

A voz dela gritando o nome do Timothy foi a última coisa que ouvi. A contagem chegou ao fim e as bombas explodiram. Fui arremessado pra trás com força e a sala desapareceu do meu campo de visão.

°°°°°°°°°°

- Rupert! - ouvi uma voz distante me chamando e senti meu corpo sacudir – Rupert, acorde! Temos que sair daqui!

Abri os olhos com dificuldade e tudo rodou. Sentia-me zonzo e estava tudo fora de foco. Tudo verde. O rosto de Amber estava próximo ao meu e ela me sacudia desesperada, aos poucos se tornando menos desfocada. Estava cercado por armaduras quebradas e cortei a mão em uma delas quando tentei me levantar. Quando consegui enxergar com clareza, vi o pânico nos olhos dela. A sala de treinamento estava em chamas.

- O que houve? – disse levantando depressa demais e ficando sem equilíbrio.
- A explosão derrubou o pote de fogovivo e ele se espalhou pela sala – ela me ajudou a levantar – Precisamos sair daqui antes que as chamas tomem conta de tudo!

Olhei com mais clareza o que acontecia ao nosso redor e agora o pânico também estava estampado em meu rosto. As chamas verdes do fogovivo estavam por todo lado, famintas, lambendo tudo que encontravam pela frente e deixando um rastro de fumaça negra como a noite. Todas as armaduras de Hogwarts guardadas na sala haviam sido incineradas e o som do aço derretendo sendo consumido pelo fogo era assustador. Amber havia conjurado uma parede de água densa para ganharmos tempo, mas aos poucos ela também começava a ser consumida pelas chamas. Estávamos presos em um verdadeiro inferno verde.

- Sheldon, vamos embora! – Amber gritou para a porta do túnel e só então lembrei que não estávamos sozinhos.
- Ajudem aqui! – o som de sua voz saiu abafado.
- Merlin! – corri até ele quando vi que tentava remover pedras de cima do corpo de Brittany – Você está bem?
- Sim, eu estou bem, mas ela não. Ajude a remover essas pedras!
- Sinto muito – Brittany disse com dificuldade, agarrando a blusa de Amber.
- Você não tem pelo que se desculpar, Brittany – Amber se ajoelhou e tentou acalmá-la – Você não sabia que tinham bombas nos tuneis.
- Não consigo movê-las, são muito grandes! – Sheldon disse frustrado e ouvi um estalo alto na sala ao lado.
- A sala vai desmoronar, temos que ir embora – Amber disse em tom urgente e sabia que ela tinha razão, mas não podíamos abandonar Brittany.
- Saiam daqui! – Brittany agarrou meu pulso, seu rosto era pura dor – Saiam.
- Não, não vamos abandoná-la! – insisti e empurrei a pedra, em vão – Cadê o Timothy?

Sheldon sacudiu a cabeça negativamente e soube que ele havia morrido. Aquilo foi um baque. Um aluno inocente havia morrido na explosão e outra estava prestes a ter o mesmo destino, a menos que conseguíssemos remover a pedra que a prendia nos escombros. Outro estalo alto me tirou do transe e senti dois pares de mãos me agarrando.

- Temos que ir agora mesmo! – os dois me puxavam pra longe dos escombros – Se não chegarmos até a porta antes do fogo, morreremos queimados!
- Brittany... – tentei resistir, mas ainda estava tonto pela explosão e não tinha forças.
- Não podemos fazer nada por ela, sinto muito – Sheldon disse ríspido e fui empurrado pra fora da porta.

O fogo na sala havia aumentado, restando apenas uma passagem ainda intacta por onde podíamos passar. Atravessamos a sala em chamas e chegamos à porta que nos jogava de volta ao corredor segundos antes dela ser consumida pelo fogo. Sheldon lacrou a porta de pedra e pegou o detonador da minha mão, mas o detive a tempo.

- Não pode explodir a sala! – tomei-o de sua mão antes que ele apertasse o botão.
- Vocês colocaram bombas na sala de armaduras?
- Caso os vampiros atravessassem o túnel, não passariam dela.
- Não podemos detoná-la, nunca mais vão encontrar os corpos deles se fizermos isso!
- Acho que a preocupação maior deveria ser fazer o castelo ruir! – a voz de Amber saiu esganiçada.
- Se não apagarmos o fogo ele pode se alastrar pelo castelo!
- Ok, vamos nos acalmar! – Amber se recompôs e interveio – Isso não derrete pedra, derrete?
- Se ela for grossa o bastante, não.
- Acha que as paredes do castelo conseguem segurá-las? – Sheldon pensou por um instante e assentiu – Então vamos deixar o fogo apagar sozinho. Chega de explosões.

Sheldon guardou o detonador na mochila e um silêncio tomou conta do corredor. Do lado de fora uma batalha se desenrolava, mas tudo que conseguia pensar naquele momento era que Brittany e Timothy haviam morrido na explosão que provocamos. Não entendia o que eles estavam fazendo naquele túnel, como haviam encontrado a passagem, mas isso não importava. Eles estavam mortos.

Comecei a me sentir tonto outra vez e senti um arrepio percorrer todo o meu corpo. Apoiei as mãos na parede gelada para evitar desabar, lutando contra o impulso de fechar os olhos.

- Rup, você está bem? – Amber se aproximou e colocou a mão em minha testa – Merlin, você está gelado!
- Eu estou bem, só um pouco zonzo.

Acabei de falar e só tive tempo de virar o rosto para o outro lado antes de vomitar. Limpei a boca e vi que minhas mãos estavam meladas de sangue. Não havia ferimentos pelo meu corpo, mas então olhei para o chão. Havia uma poça vermelha aos meus pés. Olhei para Sheldon e Amber e ambos tinham expressões de pavor no rosto, que deviam estar muito semelhantes a minha. Olhei para as minhas mãos mais uma vez e perdi a consciência. 




Algumas anotações de Haley Warrick

A batalha estava cada vez mais feroz, eu havia me afastado do grupo, e minha hárpia, ia agarrando vampiros e jogando-o direto no lago ou os alunos se juntavam e os incineravam   assim que eu os pegava ou os lançava na trincheira cheia de fogo vivo de Lenneth, onde eles viravam tochas em fogo verde. Vi meus pais lutando numa parte mais proxima da floresta, meu irmão Ty junto com tio Caleb lutando contra uma daquelas coisa nojentas que sairam da terra. E quando os seres da floresta se juntaram a nós na luta, foi algo lindo de se ver. Centauros, testrálios, árvores, todos indo para a luta, esmagando vampiros como se fossem moscas acompanhados pelo exército de Chronos. Era palpável a surpresa dos inimigos com a nossa reação organizada.
Percebi a energia de Artemis aumentando gradativamente, e quando senti a terra tremer por três vezes, procurei Justin, e ele ainda estava lutando perto de Clara e Tuor. Seus patronos magnus faziam uma espécie de barreira mágica para protege-la, até que ela desse seguimento aos planos.Mas como em todo plano muito bem elaborado, algo tinha que dar errado, ela não conseguia sacar suas espadas, porém estava muito bem amparada e logo daria um jeito. Vi Clara e Patrick se transfrmando e correndo para a floresta transformados em lobos. Droga, aposto que depois eles iriam esfregar na nossa cara que haviam matado mais vampiros do que nós. Tudo bem, desta vez acho que ninguém será competitivo.
Trevor, que era um dos comandantes das tropas de Cadarn, que lutava feio um louco contra Joseph, Eddie, Lizzie e Gaia. Era como se ele não ligasse par a desvantagem, e investia com  mais e mais força. Quando Sigfried começou a lutar com Cadarn, pensei que a ajuda de tio Lu, tio Seth e Derfel os fizesse vencer a luta mais rápido, mas era como se ele estivesse gostando daquilo, e logo percebi o porque: Sigfried se aproximou e deu-lhe um violento golpe na barriga, e ele se aproveitou disso para morder o rei dos vampiros, senti mais do que ouvi o grito de frustração da Arte e na mesma hora houve um afluxo de energia semelhante a uma explosão e isso fez os vampiros renovarem suas forças de ataque , enquanto eu sentia um suor frio e pegajoso brotar em minha pele, percebi que aquela aura maligna se espalharia entre os humanos e aliados, mas a energia benéfica emanando de Artemis, deteve o mal, impedindo que o medo se espalhasse.
Soube que este seria o momento do qual Endora havia falado, o momento de usar o meu dom, pra que pudessemos pelo menos ganhar mais tempo e organizar os contra ataques. Concentrei-me, mas fui distraída por um vampiro que saltou para cima de mim, mas revidei com bolas de fogo, e enunciei com voz forte e clara, enquanto lutava:
-Ouçam almas desgarradas. Eu sou Haley, a mediadora! Convoco o exército das Sombras para que lutem a meu lado contra os inimigos  de Hogwarts! Defendam os inocentes no castelo.Lutem por nós e eu juro, que vou ajuda-las a encontrar a luz, até o meu último sopro de vida.- pude sentir a mudança de energia e que algo era sugado de mim, fiquei um pouco tonta, e caí de joelhos, respirando com dificuldade, porém puder ver as sombras escuras surgirem do chão e assumindo as mais variadas formas, com rostos diferentes, uma mistura de homens, mulheres e crianças...Aquelas eram todas as vítimas daqueles vampiros .E seus rostos eram assustadores, com seus olhos opacos, exibindo ódio e o puro desejo de vingança. Pareciam zumbis e eles iam atacando aos vampiros como se eles fossem formigas. Os fantasmas não os derrubavam, mas os distraim o tempo suficiente, para que um de nós lançasse um feitiço de fogo ou cortasse sua cabeça.
Fiquei caída  no chão por apenas alguns segundos, mas pareceu muito mais. Olhei para o lado de Justin e ele terminava de acertar um vampiro que corria em direção da floresta com uma de suas flechas sagradas quando me procurou. Vi quando começou a correr para mim, porém arregalei os olhos ao sentir um arrepio na nuca.Olhei para trás e vi Trevor se desvencilhar de Eddie, Gaia e Joseph, de forma assustadora, e outros vampiros assumirem o lugar dele durante a luta e ele começar a vir atrás de mim. Justin soltou o arco, e corria em minha direção, mas dois vampiros saltaram na frente dele e ele se transformou rapidamente em lobo para acabar com a luta o mais rápido possível. Vi quando estraçalhou um deles, como se tivesse pego um graveto. Comecei a me levantar para enfrentar Trevor, ele sorria, pude ouvir sua voz em minha cabeça, enquanto ele caminhava devagar, se desviando luta para chegar até a mim.
- Haley...Eu sabia que iriamos nos encontrar novamente...Teremos que sair daqui o mais rápido possivel, pois seus amigos irão morrer e lágrimas não combinam com você, minha amada.
- Não eles não vão morrer, mas você sim.E não ouse me chamar de amada. - respondi me levantando, com os pés separados pronta para duelar com ele, vi quando seus olhos ficaram vermelho sangue e ele saltou para me agarrar, porém um baque o atirou ao chão. Era um lobo cinzento, e ambos começaram a rolar no chão brigando, e eu não conseguia uma boa mira para lançar uma bola de fogo no vampiro ou outro feitiço.
A luta durou alguns segundos quando ouvi o som de algo estalando e os dois pararam de lutar. Trevor tirou o corpo do lobo de cima de si, e quando ele caiu ao chão, começou a voltar ao normal e era o pai de Justin. Comecei a tremer, segurei o choro para me controlar e quando fui lançar um feitiço em Trevor, uma outra sombra passou rápido por mim, emitindo um urro misturado a um grito que era assustador, e pude ver o lobo castanho avermelhado que era Justin, em cima do vampiro, e ambos lutavam violentamente , eu não conseguia mirar no vampiro para ajudar, então levantei a varinha, pois sabia que muitas transformações seguidas, iriam drenar a energia vital de Justin:
- Expul..-levei uma pedrada na mão, e eu acabei perdendo a varinha, me virei para a vampira que me atacou, quando ela saltou pra cima de mim e começamos uma luta corpo a corpo.
- Achou que poderia negar algo ao meu mestre, garotinha? Se ele a quer, vou entrega-la a ele.- disse com sua voz sibilante em meu ouvido, enquanto torcia o meu braço para trás.
- Não sou um pacote para ser entregue.
 O bom de ser da minha familia, é que aprendemos a lutar sujo desde pequenos, e não hesitei em jogar a cabeça para trás, o que a fez gritar, quando o sangue escorreu de seu nariz, e se distraiu por alguns segundos, dando tempo de me soltar e pude incinera-la. Nem espanei as cinzas de cima de mim, virei-me para ver Justin já em sua forma humana, lutando contra Trevor, e meu namorado estava sangrando em vários lugares, mas não desistia, mesmo os dois lutando em uma velocidade incrível. Tive a impressão, que mesmo com Artemis desmemoriada, ele continuou a treinar a super velocidade que seus poderes lhe conferiam, e agora o vampiro havia  encontrado , um lutador à altura.
- Trevor eu vou com você, deixe-o em paz! – gritei para chamar a sua atenção, e ao mesmo tempo, Aisleen surgia ao meu lado e gritava também:
- Trevor, venha para mim, meu amor!- foi o que chamou a atenção do vampiro, que levantou a cabeça e olhou para a fantasma, com olhos espantados, nesta hora aproveitei para lançar-lhe uma bola de fogo, enquanto Justin fazia o mesmo. Logo ele foi consumido pelas chamas. Julian se aproximou correndo e lançando feitiços  para todo lado, e Lena vinha na sua cola, ficamos lado a lado enfentando os vampiros e Inferis que continuavam a brotar de todos os lugares, e vi Justin se aproximar do corpo do pai, abalado, mas não teve tempo de chorar a sua perda:
- Tonto, precisamos de ajuda aqui, agora!- gritou Julian e Justin logo se reuniu a nós, em sua forma de lobo e continuamos a investir contra os inimigos, a luta não dava sinais de acabar. E os mortos? Já podiamos ver as perdas pelo campo de batalha, onde o exército das sombras parecia aumentar.
Precisávamos de um milagre.


Tuesday, May 29, 2012


- Clara. Acorde, está na hora – ouvi a voz de Keiko e abri os olhos.
- Por quanto tempo eu dormi? – levantei apressada, mas ainda grogue de sono.
- São quase duas da manhã. Hiro disse que veio aqui por volta das 22:30 e você já estava dormindo. Já evacuamos os alunos do 1º e 2º ano, está quase na hora de acordar o resto do castelo.

Assenti saindo da cama, mas só absorvi parte do que ela disse. Hiro tinha vindo me ver depois das 22h, o que significa que foi depois que sai de seu quarto. O que teria acontecido se eu tivesse acordada? Começaríamos a discutir ou teríamos continuado o que foi interrompido por Sheldon? Sacudi a cabeça afastando esse pensamento, não era hora pra isso. Em poucos minutos seríamos atacados por vampiros sedentos por vingança e precisava estar focada. Podia lidar com esse tipo de drama depois.

O alarme da evacuação soou às 2h da manhã em ponto. Arte havia dividido a AD em grupos e nos posicionado nos salões comunais para informar aos alunos que restavam o que estava acontecendo e dar a eles a opção de ficar e lutar. Surpreendentemente, poucos optaram por fugir e se abrigar com os mais novos. Jack escoltou os alunos da Sonserina que não se achavam prontos para esse tipo de batalha e segui com os outros para fora do castelo, indo de encontro à horda de vampiros que vinha de dentro da Floresta Negra.

Arte havia armado uma armadilha e os vampiros morderam a isca. Pensaram que estávamos evacuando os alunos sem qualquer tipo de organização e que não estávamos preparados para enfrentá-los. Pensei que depois de serem derrotados no ataque que nos pegou de surpresa eles estariam mais dispostos a não nos subestimar, mas estava enganada. Talvez vampiros não sejam assim tão inteligentes, afinal.

Toda a AD, junto dos aurores, lançava labaredas de fogo na direção deles e os incinerava ainda no ar. Os que não sabiam conjurar chamas tão potentes os lançavam na direção do lago e deixavam para a lula gigante cuidar do resto. Estávamos mesmo organizados para uma guerra, divididos em fileiras e seguindo comandos sem se desesperar. Lenneth e os alunos de Durmstrang administravam potes de barro com fogovivo e transformaram a trincheira que havíamos construído alguns dias atrás em um forno a lenha especializado em assar vampiros e inferis. De repente entendi porque Rupert e Sheldon andavam tão sumidos. Tinham sido eles os responsáveis por produzir todo aquele fogovivo.

Eu revezava com Justin, Rupert, Tuor e Haley conjurando nossos Magnus Patronos e pela primeira vez via o quanto aquele feitiço era útil. Eles eram capazes de liquidar um vampiro sem precisar incendiar nada, o que causava muito menos pânico quando não tinha uma labareda em forma humana correndo pelo jardim enquanto se desintegrava.

Cadarn deu as caras pouco tempo depois que a batalha começou. Ele e Arte se encararam no que pareceu uma eternidade e então ele lançou ela pra longe, nos impedindo de se aproximar. Ficamos cercados pelas criaturas mais nojentas que já vi na vida e não tivemos opção senão lutar contra elas. Preparada ou não, Arte teria que cuidar dele sozinha. Consegui me livrar do bicho esquisito e junto de Tuor, Rupert e Justin lançamos nossos Magnus Patronos pra cima de Cadarn. Ele soltou Arte por um segundo e aquilo era tudo que ela precisava. Recuamos e Cadarn voltou a atacá-la, mas ela já tinha conseguido o que queria. Fidelus, aquele dragão imenso, pousou ao lado de Arte, esmagando tudo que via pela frente. Pena que não esmagou Cadarn, mas todo plano tem suas falhas.

O jardim todo ficou iluminado. A claridade era tanta que considerei algo positivo meus olhos arderem sem ter me deixado cega. Todos os aliados de Arte, tanto vampiros quanto aurores, começavam a brotar nos terrenos de Hogwarts. Eram tantos que eu não conseguia contar. As criaturas da floresta também se juntaram à luta e vi dezenas de Centauros galopando desembestados na direção dos vampiros, atropelando quem estivesse pelo caminho. Os vampiros ficaram completamente desnorteados, pareciam galinhas sem cabeça correndo desorganizados tentando atacar sem um plano eficiente em mente. Cada um seguia sua própria estratégia.

Arte gritou alguma coisa que não consegui ouvir para Rupert e ele assentiu, correndo para onde Sheldon estava e o arrastando para dentro do castelo. Não fazia idéia do que estava acontecendo, mas se eram eles mesmos os responsáveis pelo fogovivo usado pelos alunos de Durmstrang, com certeza não estavam recuando para ajudar Fred e Tiago a escoltar alunos mais novos.

Vi meus pais entre os aurores aliados e mamãe me lançou um olhar confiante antes de desaparecer na direção do castelo arrastando um aluno do 4º ano desacordado. Sabia que ela poderia enfrentar os vampiros tão bem quanto os outros, mas se tinha um lugar onde ela comandava como ninguém, era na enfermaria. Olhei de volta para a batalha e vi Keiko e Hiro se ajudando pela primeira vez na vida, enfrentando juntos uma das criaturas nojentas que chegaram junto com Cadarn. Não sabia o que era aquilo, mas cara, como eram feios. Keiko fazia uma cara de nojo totalmente compreensível enquanto disparava feitiços potentes pra cima dele.

Enquanto lutava, por três vezes senti o chão tremer. Tenho quase certeza que ouvi explosões junto do tremor, mas posso estar enganada. Mais uma vez espantei os pensamentos da cabeça, não podia perder o foco. Arte não parecia alarmada com isso e se tinham coisas explodindo embaixo da terra e não fomos comunicados, talvez seja porque não precisamos realmente saber o que está acontecendo.

Queria me divertir um pouco no meio daquele caos e me transformei em lobo. Incinerar vampiros era legal, mas destroçá-los com a boca e atirá-los para longe com uma patada só era bem mais legal. Patrick, Devon e Penny leram minha mente e se juntaram a mim na diversão. Competíamos no arremesso de peso com vampiros quando vi um grupo de cinco deles recuar e disparar na direção da floresta. Não sabia se estavam tentando escapar dos terrenos da escola ou encontrar outra passagem para o castelo, mas não iam conseguir nenhum dos dois.

Patrick era quem estava mais próximo e ouviu meu sinal, correndo comigo atrás deles. Hiro, Karl e outro garoto de Durmstrang que eu não sabia o nome estavam próximos da cabana de Hagrid e quando viram os vampiros passarem, correram para ajudar. Alcançamos o bando alguns metros depois da cabana dele e cada um avançou na direção de um vampiro, acabando com a festa em poucos segundos.

Patrick me avisou por telepatia que ia seguir o rastro deles para ver se descobria para onde iam, mas nem chegou a se afastar quando várias ações diferentes aconteceram em uma janela de tempo de cinco segundos. Karl foi arremessado de encontro a uma árvore, Patrick se lançou contra o vampiro que havia arremessado-o, Hiro se jogou por cima do outro garoto de Durmstrang para evitar que Patrick se chocasse contra eles e outro vampiro caiu de uma árvore em cima de mim. Ele me abraçou com tanta força que senti todos os ossos do meu corpo se partindo. E então me mordeu. Nunca senti tanta dor em toda a minha vida. Era como se tivessem injetado veneno nas minhas veias, meu corpo inteiro queimava. Perdi as forças e desabei no chão, voltando à forma humana da maneira mais dolorosa possível. Um clarão iluminou a área onde estávamos e o vampiro que me mordeu entrou em combustão.

- Clara! – Hiro se atirou ao meu lado desesperado – Clara, não feche os olhos!
- Isso dói demais – consegui dizer com dificuldade.
- Patrick, vá buscar a mãe dela ou a mãe da Arte depressa! – ele gritou pra Patrick, que já estava de volta a forma humana – Elas são Curandeiras, vão saber o que fazer. Traga qualquer uma delas aqui!
- Deixa comigo! – ele se transformou em lobo outra vez e disparou para fora da floresta.
- E você vá ajudar o Karl, está fazendo o que deitado no chão? – ele agora gritava com o garoto de Durmstrang, que levantou atrapalhado e correu para socorrer o amigo.
- Não sabia que conseguia conjurar o magnus patrono – minha voz estava falhando e até falar doía.
- Nem eu, acho que aprendemos nos momentos de desespero – ele tentou soar descontraído, mas estava apavorado.
- Está frio... Não consigo respirar – meu corpo inteiro tremia e mesmo sem ver, sabia que meus lábios estavam ficando roxos.
- Aqui, isso vai ajudar – Hiro tirou o casaco e o colocou por cima de mim – Tentei respirar devagar, você consegue.
- Estou sentindo gosto de sangue na minha boca. Isso não é um bom sinal. – podia ver pavor nos olhos dele, mas Hiro estava fazendo o melhor que podia parar não deixar transparecer.
- Não é nada, vai ficar tudo bem. A ajuda já está chegando.
- Não vai adiantar – senti uma lágrima escorrer pela minha bochecha gelada – Estou morrendo.
- Não está não! – ele apertou minha mão e vi que seus olhos se encheram de lágrimas – Você não vai morrer. Não pode morrer. Eu amo você.
- Não ama não.
- Amo sim. Sempre fui apaixonado por você e sempre vou ser. É por isso que você tem que ficar viva. Nós podemos ter um futuro. Nós vamos ser felizes, Clara. Você e eu, nós vamos ter uma vida incrível. Você e eu, juntos. Nós vamos ser tão felizes. Então você não pode morrer, entendeu? Você não pode morrer. Porque nós temos que ficar juntos. Nós fomos feitos um pro outro. Eu amo você. Eu amo você.

Quase sem forças, ergui a mão livre até seu rosto e o acariciei. Senti mais lágrimas escorrendo e então meu corpo relaxou. Senti uma paz intensa tomar conta de mim e a dor foi embora. Olhei uma última vez para Hiro, deitado ao meu lado apertando minha mão, e fechei os olhos.


Nothing goes as planned
Everything will break
People say goodbye
In their own special way

Everything will changed
Nothing stays the same
Nobody is perfect
Oh, but everyone's to blame

Oh, you're in my veins
And I cannot get you out
Oh, you're all I taste
At night inside of my mouth
Oh, you run away
Cause I am not what you found
Oh, you're in my veins
And I cannot get you out


In My Veins – Andrew Belle

Monday, May 28, 2012

Parte I - Heart of Courage


Lembranças de Artemis A. C. Chronos

- Eu sei que você vai conseguir, Arte. – Tuor falou, acariciando meus cabelos.
Estávamos deitados na grama de Avalon e olhávamos as estrelas. Dentro de 24 horas a noite mais importante e difícil da minha vida estaria acontecendo. Mas por agora estava deitada nos braços de Tuor. – Tenho certeza absoluta.
- Espero não falhar. Muito depende de mim. – Eu falei, engolindo em seco. O peso das decisões que eu estava tomando, o peso da responsabilidade, começavam a ficar intensos e eu sabia que não podia me deixar abalar.
Tuor então sorriu e não respondeu nada, mas me beijou. Seu beijo foi intenso e cheio de vontade e fiquei logo sem fôlego. Ele soltou meu vestido uma vez mais enquanto eu desabotoava a sua blusa e nos deitamos novamente.
Não importava o medo que eu sentia, ou o nervosismo, enquanto Tuor estivesse comigo eu era capaz de tudo. E ele estava me mostrando isso.

****************************************
- Vocês sabem o que fazer? – Eu perguntei pela milésima vez em dois dias e todos assentiram. – É muito importante que nada saia errado e que ninguém perceba os nossos movimentos. Temos um traidor entre nós e não vou arriscar o sucesso de nossa armadilha por causa dele. Eu sei que vai ser difícil, mas precisamos tentar descansar. Temos muito o que fazer dentro de algumas horas.
O nervosismo era enorme, mas todos os membros da AD assentiram, sérios e prontos para o que tínhamos que fazer. Apenas os membros do 7º Ano da AD estavam reunidos ali e sabiam boa parte do meu plano. Os únicos mais novos que eu deixei participar foram meus sobrinhos, pois acreditava no poder deles e principalmente, precisaria deles.
- Não precisam ter vergonha de ter medo, eu estou com medo! Mas vamos lutar juntos e vamos sair vitoriosos! Por Hogwarts! – Eu falei e todos repetiram comigo, tocando as pontas de nossas varinhas.
Aos poucos todos foram dispersando. Tínhamos só mais 3 horas antes do ataque e todos iriam deixar tudo pronto para nossas armadilhas. Conversei rapidamente com Rupert e ele me garantiu que ele e Sheldon tinham tudo sob controle. Justin também me falou que os preparativos no jardim estavam prontos e Luky me falou que minha surpresa estava a postos. Quando eu pedi a Tuor e meus sobrinhos que me deixassem sozinha, ele me beijou com carinho nos lábios e depois me abraçou com força, beijando minha testa, antes de sair. Fiquei sozinha na nossa sala, a sala dos Fundadores e onde treinávamos. Eram meus últimos momentos nessa sala.
- É sempre assim, minha pequena.  Você seria uma tola se não estivesse com medo. – Chronos falou em minha mente e eu o agradeci pelo apoio. Eu estava me acostumando com meus novos poderes e por isso ele não se materializava muito, mas estava sempre comigo. – Lutei guerras minha vida inteira. E todas senti medo. Mas nós dois sabemos que você triunfará.
- Eu sei. Está tudo preparado. – Eu falei e então me levantei, já me sentindo pronta.
Essas três horas se arrastaram...
Eu precisava estar concentrada para usar os três feitiços que faria essa noite. Eu já podia sentir a energia que a tribo de Justin passava para mim, e era quase como se eu os pudesse ver em volta da fogueira: os olhos fechados e concentrados, orando por nossa proteção e força, e eu os agradecia por isso. Essa noite eu precisaria de todas as forças que eu pudesse juntar.
Comecei a preparar a Dança do Destino e deixei minha aura de energia espalhar-se ao meu redor. Aos poucos cobri toda a escola e comecei a me concentrar em cada aluno. Fiz como Arturia me ensinou e vi seus futuros possíveis, ao mesmo tempo em que lhes transmitia amor e carinho. Usei meus amigos como âncoras e “antenas” espalhando meu poder a todos da escola. Senti quando o futuro de dezenas deles mudou, tornando-se mais promissor, onde antes havia morte.
Pouco depois da uma da manhã evacuamos os alunos do Primeiro e do Segundo Ano. Eles saíram confusos e amedrontados, mas não causaram nenhum problema. Faltavam menos de uma hora agora e já estávamos todos preparados. Eu sabia que em cada salão comunal, os membros da AD estariam acordados e prontos para explicar a situação e levar os alunos para o túnel de fuga ou para o salão principal, se desejassem lutar.
Então senti a invasão dos terrenos da escola, onde eu esperava: pela Floresta Proibida.
Imediatamente um alarme soou por toda Hogwarts e os treinamentos de emergência mostraram que foram eficazes. Em poucos minutos todos os alunos da Torre da Grifinória tinham descido e eu me dirigi a eles.
- Atenção fiquem calmos! Preciso falar com vocês! A escola está sob ataque real! Isso não é uma simulação. – Os outros monitores e membros da AD me ajudaram a acalmá-los rapidamente. – Mas vamos lutar. Aqueles que quiserem ficar e lutar, me sigam, aqueles que preferirem sair da escola sigam a Mina!
Mal terminei de falar e sai da Torre. Eu sabia que era seguida pela maioria dos alunos, mas os poucos que tiveram medo seguiram Mina que os guiava rapidamente até o quarto andar.
Quando chegamos no grande Salão, já estavam todos a postos e os professores acenaram para mim. Já podia ouvir os gritos e urros do lado de fora e sabia que os aurores estavam duelando com os vampiros. Mas sabia também que os vampiros os ignorariam, tentando passar por eles rapidamente e atacar o castelo. Senti Fidelus se segurando para não atacar, mas ele faria como eu havia pedido.
Minerva me dirigiu um último olhar sério e pude sentir como ela me desejava sorte, e então ela abriu as grandes portas e os fantasmas saíram correndo, como se fossem alunos com medo. À eles uniram-se as ilusões de Seth, que estava do meu lado, e alguns dos espíritos de Chronos sob meu comando. Seth conseguira fazer com que todas nossas ilusões parecessem extremamente reais e conforme combinado, os membros da AD e professores se misturaram à multidão, encenando uma evacuação apressada e desorganizada. Os outros alunos foram colocados no final do grupo, para que não sofressem os primeiros ataques. Assim que saímos para os jardins os sons das batalhas ficaram mais fortes.
Os aurores haviam recuado e correram até nós. Griffon e Isaac lideravam esse grupo e logo eles formavam um círculo ao nosso redor, como se quisessem nos proteger, enquanto nós tentávamos revidar o ataque, de forma pouco hábil propositalmente, e vi como os vampiros mordiam a isca. Eles gritavam em vitória e corriam diretamente para nós, sem medo ou preocupação.
Mas então, os primeiros vampiros chegaram em nós e os fantasmas e os espíritos começaram a paralisar os vampiros ou confundi-los e logo a AD lançava labaredas contra os vampiros. Eles foram pegos de surpresa e rapidamente o grupo amedrontado e caótico de alunos, deu lugar a uma grande quantidade de lutadores, pois cada aluno gritava e lançava magia para cima de todos os vampiros.
E como tinham vampiros. Mesmo eu sabendo que o ataque seria enorme, foi assustador ver as centenas de vampiros correndo para nós da Floresta. Eles corriam rapidamente, ferozes e com sede de sangue, prontos para matar todos, se necessário. Haviam também as criaturas que Cadarn convocava com sua necromancia: Inferi, Legions, Dementadores, Banshees. Esses eram mais difíceis de enfrentar e eu deixara claro que apenas os aurores experientes deveriam enfrentá-los. Meus espíritos do exército de Chronos seriam os responsáveis por segurar esses monstros o máximo possível e era reconfortante, e até mesmo belo, ver os soldados de branco avançando sem medo.
Além dos feitiços de fogo, eu havia instruído a AD a lançar os vampiros para o lago e assim que eles começaram a fazer isso, a lula gigante começou a esmagá-los. Minerva havia conseguido entrar em contato com os sereianos e eles ajudavam a lula a enfrentar os vampiros que caiam dentro do lago. Eu também havia trazido água sagrada de Avalon e a misturara na água do lago. Isso dera novas forças à lula e fazia com que qualquer vampiro que ficasse tempo demais dentro da água queimasse. Se eles engolissem água então, queimariam de dentro para fora.
Eu gritava comandos e feitiços em todas as direções e fiz com que os alunos se abrissem em uma linha com três fileiras de espessura, sendo a primeira fileira composta pelos aurores e professores, apoiados pela segunda fileira formada pela AD e a última com os alunos menos preparados. Os alunos iam se revezando nos feitiços e os vampiros começaram a ficar mais lentos. Lenneth e os alunos de Durmstrang tinham lançado duas garrafas de fogovivo dentro de uma trincheira que havíamos cavado e escondido algumas noites atrás e a noite era iluminada pelas chamas verdes. Aquela trincheira logo se transformou em um pedaço do inferno, com vampiros e Inferi gritando ao serem completamente torrados. Os vampiros que vinham atrás tentavam saltar por sobre ela, mas o fogovivo os perseguia e aumentava a sua altura, fritando-os em pleno ar.
Eu não podia lutar com minhas espadas ou usando todos os meus poderes cercada por tantos alunos, pois precisava de espaço para me mover, por isso eu disparava feitiços em todas as direções e a noite era iluminada com feitiços de fogo ou pela luz prateada de patronos. Eu tinha conseguido fazer Justin, Clara, Rupert, Haley e Tuor serem capazes de conjurar Magnus Patronos e os cinco se revezavam pra conjurá-los. Os lobos gigantes de Tuor, Clara e Justin eram capazes de incinerar um vampiro se o mordesse entre o pescoço e o peito, tamanha eram as suas mandíbulas. A harpia de Haley voava feroz, arrastando vampiros para o alto enquanto alguém o queimava ou perfurando-o com suas garras. E o grifo de Rupert atacava tudo que via, com seu bico ou suas garras.
A batalha estava durando pouco tempo, não mais do que 15 minutos. E eu me preparava para o meu segundo feitiço importante. Sabia que não podia ser muito cedo, pois precisava ter certeza que a maioria das forças de Cadarn estaria nos terrenos, fora da Floresta, mas também não podia demorar muito. Os alunos mais novos estavam com medo e em breve ficaríamos cansados. Precisava esperar a hora certa.
Foram os meus instintos, tanto os de animaga quanto os de guerreira, que me salvaram.
Eu girei meu corpo em uma meia volta, enquanto conjurava e brandia as espadas para cima, em um corte duplo lateral. As espadas estavam carregadas com minha energia mágica e pareciam ter uma película de água ao seu redor.
Elas atingiram o alvo no meio do peito, mas ele estava preparado e se protegeu com um feitiço que envolvia todo o seu corpo. Porém o impacto do golpe foi forte e ele foi jogado de lado para longe de mim, enquanto eu já me posicionava para a luta. Quando o vi, senti um misto de raiva, medo, tensão, júbilo e ódio.
Cadarn ria de mim, já levantando-se e ao seu redor surgiam umas criaturas estranhas da terra, num total de uns 3 ou 4. Eram umas criaturas horrendas, nem mortas nem vivas, mas em um nível perigoso entre ambos. Logo avisei meus amigos para não mordê-las.
- Quem é ele? – Ouvi Tuor perguntar ao meu lado.
- Cadarn. – Eu respondi seca e pude sentir a reação dos meus amigos. Primeiro veio a surpresa, depois o ódio por ele e pude ouvi-los praguejar contra ele. Mas então o vampiro dirigiu seu olhar para eles, varrendo todos com o olhar e senti o medo nascer em seus corações. O olhar era gélido e cheio de malícia, uma maldade como eu jamais vira em ninguém. Tuor segurou minha mão e eu me acalmei, intensificando o poder da minha aura e repeli a força maligna dele.
Mesmo no caos da batalha eu pude ouvi-lo falando.
- Esses são os vermes que Gustav morreu ao enfrentar? Gustav e todos os outros vampiros que mandei? – Ele falou gargalhando e agora era cercado por pelo menos 10 criaturas. Elas eram mais altas que ele, com a pele completamente vermelha, bocas largas e cheias de dentes afiados, garras ainda mais afiadas e uma pele cheia de pequenos pelos negros. Os olhos eram completamente negros, sem nenhum brilho a não ser o da crueldade. Soube na hora que se tratavam de demônios menores do mundo de Chronos e isso era perigoso.
- Eu vou matar você, Cadarn, eu juro. – Eu falei entre dentes e ele gargalhou novamente. Mas então seu sorriso morreu no rosto, quando deixei Chronos surgir as minhas costas. Vi uma pontada de medo em seus olhos e o vi tocar o ombro.
Esse medo, porém, logo desapareceu e ele urrou apontando uma das mãos para mim. As criaturas avançaram correndo e urrando e eu e o restante da escola ficamos esperando que chegassem perto, preparados para lutar. Então, uma mão surgiu do chão e me agarrou, pegando-me desprevenida. Eu fui jogada para longe dos meus amigos e mal tive tempo de me levantar, pois Cadarn já estava em cima de mim, acompanhado por duas daquelas criaturas horrendas. Ouvi os alunos e aurores gritando e tentando chegar a mim, mas as outras criaturas, e agora outros vampiros, se colocaram entre eles e nós e eu soube que teríamos que lutar todos ao mesmo tempo.
Cadarn não me dava tempo para me recuperar e me atacava velozmente, seguido de perto pelas duas criaturas. Eu rolei no chão, tentando ganhar tempo com correntes e espadas que surgiam no ar e atiravam-se contra Cadarn, mas ele me pressionava.
Do nada três lobos prateados enormes surgiram no ar, entre mim e Cadarn, e ele foi repelido pelo golpe deles. Eram os Magnus Patronus de Clara, Tuor e Justin. Cadarn praguejou, mas foi atacado pelas costas por um grifo prateado, o Magnus de Rupert, e obrigado a se afastar de mim.
Era a brecha que eu precisava.
Senti Fidelus se aproximando, respondendo ao meu chamado.
Meus amigos foram obrigados a trazer os Magnus de volta, visto que ainda não estavam acostumados a usá-los por tanto tempo e Cadarn voltou a investir contra mim. Ele invocou mais daquelas criaturas e saltou contra mim. Mas agora eu estava preparada.
Então ele foi envolto por uma labareda de fogo intensa, enquanto eu pulava para trás. Fidelus pousou com força no chão urrando em desafio e ódio. Ele tentou abocanhar Cadarn no pouso, mas o vampiro foi mais rápido e pulou para trás. Apenas com o peso de suas patas, Fidelus esmagara duas das criaturas e se erguia imponente às minhas costas.
Então eu sorri.
Eu e meus amigos trabalhamos intensamente nas últimas noites. Como sabíamos que havia um traidor entre nós, não podíamos trabalhar durante o dia, mas a noite passávamos horas preparando tudo que eu planejara. Havíamos espalhado arei de Avalon por todos os terrenos da escola e irrigado-o com a água do Poço Sagrado. Eu também pedira a Fidelus e Testrálios jogassem um pouco dessa água nas árvores.
Além disso, eu escondera algumas círculos de poder, enterrados em vários pontos dos terrenos de Hogwarts. E eu estava em cima do principal.
Meu próprio Magnus surgiu as minhas costas urrando em desafio e Fidelus se colocou em duas patas, enquanto o Magnus conectava a nós dois. Então, para surpresa de Cadarn, quatro pedras surgiram do chão diante de nós, nascidas da terra, duas diante de mim e duas ao meu lado, diante de Fidelus. Ele pousou suas patas dianteiras sobre elas e eu coloquei as minhas mãos nas outras duas.
Enviei um fluxo enorme de energia para o solo e senti todos os círculos de poder escondidos sendo ativados. Minha aura espalhou-se pelo chão com rapidez e logo toda a terra pulsava de energia e a noite se transformou em dia, de tanta luz. Os terrenos de Hogwarts se tornaram uma parte de Avalon, como se a ilha se movesse para onde eu estava. As brumas cercaram os vampiros, quase como coisas vivas e árvores ancestrais surgiram das brumas, imensas, poderosas e vingativas.
Cadarn gritou de ódio ao perceber a armadilha que caíra e tentou me atacar, mas eu já montara Fidelus e alçava voo rapidamente, vendo todo o campo de batalha do alto.
Os vampiros estavam cercados.
À frente deles e às suas costas, surgindo de dentro das brumas, os vampiros aliados e bruxos que eu transportara apareciam às centenas, talvez milhares, e já começavam a atacar os vampiros. Era como ver um martelo atingindo uma bigorna: os alunos eram a bigorna que mantinham os vampiros parados, enquanto os bruxos e aliados atacavam com ferocidade, esmagando-os.
Os alunos mais novos foram escoltados de volta para o castelo enquanto os demais aurores assumiam a batalha. Respondendo ao meu sinal, as forças escondidas na Floresta se uniram a batalha e ouvi as trompas de guerra dos centauros, além do tropel de unicórnios e testrálios. As árvores da Floresta começaram a ganhar vida e junto das árvores ancestrais de Avalon começaram a atacar os vampiros. Vi galhos voando como chicotes e raízes que saltavam para capturar e esmagar vampiros. As armaduras do Castelo também foram transportadas para o meio do terreno e bloqueavam os golpes de vampiros, dando a chance dos demais revidarem.
Concentrei-me ainda mais na Dança do Destino expandindo minha aura para os novos lutadores e sobrevoei o campo de batalha. Levantei uma espada para o céu e lancei um raio para as nuvens e logo elas responderam ao meu comando e uma chuva forte começou a cair. A água purificava tudo que tocava e ajudava a curar os feridos, enquanto queimava os vampiros. Eu não podia convocar uma tempestade completa, pois os raios seriam muito aleatórios, mas apenas a água já seria suficiente para fortalecer a todos, principalmente eu. Eu conseguira fazer com que essa chuva não machucasse os vampiros aliados e eles lutavam ferozmente, liderados por Siegfried em pessoa.
Pousei perto do castelo onde mamãe e meus sobrinhos me esperavam e de lá continuei a comandar o ataque, enquanto Fidelus voava por todo o terreno atacando onde era necessário e protegendo quem necessitasse. Meus sobrinhos ficaram ao meu lado aguardando minhas ordens e mandei Luky e Bela para junto da AD, enquanto Mina e Luthien se uniam aos Executores, comandados por Cewyn. Toda minha concentração estava em liderar o ataque com perfeição, além de manter a Dança do Destino e senti que estava dando certo.
Só uma coisa me preocupava: Siegfried. Ele resolvera ignorar o meu pedido e lutava pessoalmente contra Cadarn. A velocidade com que lutavam era assustadora, mas eu os acompanhava com olhar tenso. Pelo menos Lilith seguira meu conselho e não estava em campo, mas todos os outros Anciões estavam lutando ao nosso lado. Vi Trevor, o vampiro obcecado pela Haley, enfrentar Joseph, Gaia, Eddie e Lizzie.
Papai, Seth e Derfel lutavam junto de Siegfried, a meu pedido, mas mesmo os quatro juntos não conseguiam subjulgar Cadarn. Ele estava muito mais poderoso do que as outras vezes que o enfrentaram, prova de que não deveríamos subjugá-lo.
Soube que meus temores se tornariam reais, mas mesmo que eu agisse agora, não seria capaz de impedir.
- Mãe. – Eu falei séria e senti o tempo se esticando a meu comando, ao menos para eu poder dar as instruções a ela. – Não deixe ninguém interferir. Mais importante, não deixe ninguém entrar no círculo! E mande alguém para a Floresta. Vá você se puder, Clara irá precisar.
Vi que mamãe ia perguntar algo, mas o tempo já corria normalmente eu correra para frente. Minha armadura surgia no meu corpo enquanto eu corria, assim como a lança dourada e a espada prateada na cintura e as espadas brancas nas minhas mãos.
Vi Siegfried perfurar a barriga de Cadarn e gritei para que ele saísse de lá. Mas ele não conseguia se afastar de Cadarn, que gargalhava. Então Cadarn mordeu seu pescoço com ferocidade e menos de um segundo depois, papai o empurrara para longe, mas já era tarde.
Foi como se houvesse uma explosão no campo de batalha, tamanha a energia que Cadarn liberou.
Senti o futuro de todos oscilar perigosamente para a morte e usei todas minhas forças para tentar equilibrar isso. Cadarn gargalhava enquanto uma aura maligna e negra se espalhava por todos os cantos. Os vampiros pareceram ganhar forças, assim como as criaturas de necromancia, enquanto os humanos não enlouqueciam devido à minha influência.
Olhei com pavor ao meu redor, procurando primeiro Tuor e depois meus amigos. Eles estavam bem, mas eu não via Clara e pude sentir como o futuro dela estava por um fio. O futuro de outras dezenas de pessoas tornou-se negro e precisei me acalmar, não podia deixá-los morrer!

Continua...

Sunday, May 27, 2012


Domingo, final do campeonato de quadribol.

Maio passou como um raio. Entre o aumento de revisão de matérias para os N.I.E.M.s, Arte tendo recuperado a memória, os treinamentos com a AD e os treinos cada vez mais intensos de quadribol, mal tínhamos tempo para relaxar. A temporada de jogos estava chegando ao fim e restavam apenas quatro times disputando duas vagas para a final, entre eles a Sonserina. Haley estava virando uma maníaca, mas por mais que estivesse a ponto de nos levar à loucura, queríamos tanto deixar Hogwarts como os atuais campeões que ninguém reclamava. A vantagem era que chegávamos tão esgotados no salão comunal que desmaiávamos na cama.

Tivemos uma semifinal disputada contra a Sapientai Angeli. A partida durou mais de uma hora, mas conseguimos a tão sonhada vaga com um placar de 230 x 180. A outra vaga, para a felicidade de Alvo, ficou com a Grifinória. Desde que havia conquistado o posto de apanhador no time da Sonserina, Tiago não deixava o irmão em paz e Alvo vinha esperando por uma oportunidade de provar ao irmão que se não era melhor que ele, ao menos era tão bom quanto.

Nosso time estava preparado, mas nem por isso estávamos tranquilos. A partida para decidir o 3º e o 4º lugar havia sido no sábado e entre Sapientai Angeli e Red Phanters, o time de Beauxbatons levou a melhor. Com o 3º lugar garantido, Gabriela e Devon passaram no nosso vestiário antes da partida para nos desejar boa sorte e dizer que estavam torcendo pela Sonserina. Assim que eles saíram Haley começou seu discurso motivacional, mas estava tão ansiosa que ele não fez muito sentido. Por fim ela desistiu, apenas pedindo que jogássemos como se aquela fosse a última partida de quadribol das nossas vidas, o que para três de nós de fato era mesmo.

Como esperado, não foi uma partida fácil. O time da Grifinória era organizado e eficiente, e agora que Arte estava 100%, era difícil fazer a goles atravessar os aros. Mas se Arte era uma barreira nos aros da Grifinória, os nossos também estavam muito bem protegidos por Jack. Ele era uma verdadeira muralha, bloqueando todas as tentativas de gol dos artilheiros adversários. E Haley havia insistindo tanto em praticar jogadas ensaiadas que todas as noites exaustivas no campo de quadribol deram resultado. A melhor de todas foi a Manobra de Ploy, onde JJ furou a defesa da Grifinória com a goles debaixo do braço e empinou a vassoura em quase 90º, subindo e atraindo James e Elena para o alto e depois atirando a goles para baixo. Escórpio, sincronizado com ele, agarrou-a no ar e só com Daniel para freá-lo, fez o gol.

Estávamos tão sincronizados que os três até arriscavam alguns passes revés, que era quando os artilheiros jogavam a goles por cima dos ombros para o outro pegar, e isso estava animando a torcida. A cada passe revés que eles faziam, a área verde da arquibancada ia ao delírio. A Grifinória também havia ensaiado algumas jogadas, como quando Luky arriscou um Rebate Falso e acertou o balaço para trás, nos confundindo por um instante e facilitando que Elena marcasse um gol, mas Keiko e eu também tínhamos nossos truques na manga. A Dupla-Defesa era o nosso favorito. Quando víamos que ia dar tempo, voávamos na direção do mesmo balaço e o rebatíamos juntas, dando um impulso maior e desequilibrando quem quer que estivesse na direção dele.

A partida estava empatada em 110 x 110 e com quase uma hora de duração, já estávamos todos exaustos. As manobras já não eram mais tão eficientes e os passes nem sempre davam certo, mas ninguém entregava os pontos. Tinha acabado de rebater um balaço que por pouco não arrancou o nariz de James fora quando vi Tiago jogar a vassoura para o alto e Alvo disparar em seu alcanço. O pomo voava logo acima deles e quando achava que a Grifinória ia levar a melhor, ele fez um mergulho e desceu a toda velocidade. Alvo mergulhou atrás dele primeiro, mas Tiago estava colado nele. O pomo voava em ziguezague, deixando não só eles, mas todo mundo zonzo, e de repente disparou na direção dos aros da Grifinória. Arte só teve tempo de descer a vassoura antes do pomo, Alvo e Tiago atravessarem cada um por dentro de um aro. O pomo tornou a fazer outra virada brusca e Alvo jogou a vassoura para o lado certo, conseguindo agarrar a asa dele. Ele se atrapalhou um pouco para colocar a vassoura no eixo outra vez, mas já tinha o pomo preso na mão erguida.

Atirei o bastão para o alto e voei na direção dele, que gritava enlouquecido com o pomo de asa quebrada preso na mão esquerda. Tudo que vi pelos cinco minutos seguintes foram borrões verde e prata enquanto pulávamos abraçados no meio do campo e tudo que ouvia eram gritos alucinados vindo das arquibancadas. Mal me lembro de quando recebemos os parabéns do time da Grifinória, nem de quando recebemos a taça das mãos da professora McGonagall, tampouco do discurso de agradecimento de Haley à nossa torcida, mas lembro do tio Yoshi chorando e pulando ao mesmo tempo no meio dos professores e de Sheldon, mesmo ainda parecendo deslocado, gritando Sonserina junto dos outros alunos.

Quanto à festa de comemoração... Bom, dessa então eu não me lembro de absolutamente nada. Ou seja, ela foi a melhor de todas.

°°°°°°°°°°

Acordei mais cedo do que o normal naquela manhã de terça-feira. Era tão cedo que nem tive coragem de chamar as meninas para a nossa corrida matinal. Ainda estava muito escuro lá fora, então calcei o tênis e deixei o dormitório sozinha. Eram 4h da manhã, mas por mais que tenha ido dormir tarde, não conseguia mais pregar os olhos. Uma sensação estranha, sensação de que algo muito ruim está prestes a acontecer, me impedia de continuar dormindo. Não sabia o que era, mas a inquietação era tanta que a única maneira de me afastar dela era correndo.

Cheguei perto dos limites da floresta negra antes de voltar. Corríamos por lá tantas vezes que não precisava mais da trilha para me localizar, sempre sabia que direção seguir ou se estava longe demais do castelo. Sem as meninas para acompanhar o ritmo, acabei correndo rápido demais e antes das 6h já estava de volta. Sentia-me totalmente alerta e morta de fome, então meus pés automaticamente foram para a cozinha. Ainda era muito cedo, os elfos não tinham servido o café da manhã, mas sem duvida já o estavam preparando e quem sabe não conseguia roubar um bolinho antes de tomar banho.

- Jamal? – disse surpresa ao entrar na cozinha e me deparar com ele de avental e com as mãos sujas de massa – O que está fazendo aqui?
- Perdi o sono e vim ver se já tinha café, acabei ajudando a fazer cupcakes – ele deu de ombros, mas parecia chateado.
- Aconteceu alguma coisa? – disse sentando na mesa em frente a ele e pegando um dos cupcakes prontos.
- Não, por quê? – ele não me encarava e isso me deu a certeza de que algo estava errado.
- Está ranzinza. Você nunca fica ranzinza.
- Não estou ranzinza! – respondeu na defensiva, o que só provava que eu estava certa – Só estou concentrado, os elfos disseram que se mexer errado estraga a massa.
- Qual é, Jamal? Está mesmo dizendo que está com essa cara de bunda por causa de uma massa de bolo?
- Não é bolo, é cupcake.
- Fala logo qual é o problema ou jogo esse suco de abóbora na massa – disse segurando a jarra perigosamente perto da bacia na mão dele – Um, dois, três...
- Você estava botando pilha pra Penny ficar com o Zach na festa da vitória domingo! – disse enfim, quando uma gota de suco pingou na massa.
- Mentira que você está com esse bico do tamanho de um abacaxi por causa disso! – comecei a rir e ele ficou ainda mais brabo, mas não consegui evitar.
- Logico, você fez pra me provocar! Você sabia que eu ia chegar nela e a empurrou pro Zach!
- Claro que eu não sabia de nada, você chega em todo mundo! – ele atirou a massa dentro da bacia e apoiou as mãos na cintura, o que me fez rir – Desculpa, mas é muito difícil discutir com alguém usando um avental.
- Não tem graça.
- Você já parou pra ouvir o que está dizendo? Você, Jamal Coleman Shacklebolt, está morrendo de ciúmes.
- Não estou com ciúmes coisa nenhuma.
- Nós fizemos uma promessa dois anos atrás. Eu cumpri a minha parte, você vai cumprir a sua?

Roubei outro cupcake do tabuleiro e levantei da mesa, saindo da cozinha sem esperar por uma resposta. Sabia que ela não viria agora, mas sabia que viria. Tomei um banho demorado no banheiro dos monitores, na esperança de relaxar um pouco, e quando as meninas finalmente acordaram e se aprontaram para tomar café, já estava agitada outra vez. A sensação ruim estava de volta e sem ter mais o que fazer para abafá-la, começava a ficar aflita.

- Você está pálida – Keiko comentou quando sentei ao lado delas na mesa do salão principal.
- Está parecendo a noiva cadáver outra vez – Haley apontou para o meu rosto, onde um par de olheiras me acompanhava fazia alguns dias.
- Não consegui dormir direito, estou acordada desde as 4h – mordi um dos cupcakes feitos por Jamal e apoiei a cabeça no braço – Estou com uma sensação ruim e não sei o que é.
- Bom, Arte nos avisou que os vampiros vão atacar amanhã – Keiko disse em voz baixa, olhando para os lados – Deve ser isso. Você sabe que vamos ter que lutar outra vez e está aflita.
- Não, não é isso. Estou ansiosa para enfrentá-los, isso que estou sentindo é diferente. É sensação de que algo muito ruim está para acontecer e não tem nada a ver com essa guerra.
- Ah, Srta. Lupin, que bom que já está aqui – a professora McGonagall entrou agitada no salão e parou ao meu lado – Preciso que me acompanhe. E traga seu material, não vai acompanhar a turma nas aulas de hoje.
- O que houve? – olhei para as meninas, preocupada.
- Sua mãe está aqui, ela veio lhe buscar.
- É essa a sensação ruim – disse enquanto me levantava e recolhia meu material.

Caminhei com McGonagall até seu escritório, onde minha mãe me esperava. O semblante sério quando me viu somado ao modo reconfortante como me abraçou me deu a certeza de que, o que quer que fosse a sensação ruim, era ela quem tinha vindo dizer o que era. Temi que algo tivesse acontecido ao papai ou Gabriel e sua família, mas no fundo sabia que não era por causa deles que ela estava ali.

- Ele morreu? – perguntei e ela soube a quem me referia.
- Não, mas está na hora de se despedir.

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Aquela terça-feira foi sem sombra de dúvidas um dos piores dias da minha vida. Quando chegamos ao hospital Lucas estava sedado e não podia receber visitas, então mamãe teve tempo de me contar o que estava acontecendo. Alguns meses atrás, depois de sofrer um acidente de bicicleta, Lucas precisou de um transplante de uma parte do osso da perna. Ele já estava curado da Leucemia, mas por alguma razão o osso que implantaram em sua perna era de um paciente com câncer, o que não só causou a volta da Leucemia como em um estado ainda mais avançado e inoperável. Era o temido erro médico. Ela garantiu que o responsável por isso já estava sendo processado, mas que para fosse acusado de assassinato, algum paciente que recebeu os implantes precisaria morrer. Infelizmente, o primeiro desses pacientes seria Lucas.

Ele acordou perto da hora do almoço e o Dr. Wyatt permitiu que eu ficasse no quarto com ele. Conversamos durante a tarde inteira e era doloroso ver o quanto ele estava conformado em morrer. Ninguém deveria se conformar com isso, mas Lucas parecia ter entregado os pontos. Fiz um esforço fora do comum para não chorar na frente dele. Embora não tivéssemos mencionado isso em momento algum, sabíamos que aquela era a nossa despedida. Sabíamos que, quando eu saísse daquele quarto, nunca mais voltaríamos a conversar. Mamãe me chamou para ir embora perto das 19h e demos um abraço demorado, como se não quiséssemos mais nos soltar dele, e quando nos afastamos não consegui impedir que algumas lágrimas escorressem. Lucas sorriu e seus olhos também se encheram de lágrimas, mas sai do quarto antes que ele pudesse deixá-las cair.

Chorei tudo que segurei durante a tarde na viagem de volta a Hogwarts. Mamãe ainda perguntou se não queria ir para casa com ela, mas amanhã seria o dia do ataque de Cadarn e por mais abalada que tivesse, queria estar lá para ajudar meus amigos. Se minha aparência estava ruim quando sai pela manhã, passar quase uma hora chorando sem parar havia piorado a situação. As meninas vieram desesperadas quando me viram querendo saber o que havia acontecido e quando contei a elas, ninguém sabia o que dizer. Não havia o que dizer, essa era a verdade. Arte havia marcado uma reunião de emergência da AD praquela noite, mas pedi desculpas a ela e disse que não ia comparecer. Não tinha a menor condição de ser útil em uma reunião de estratégia. Quando a operação começasse, dali algumas horas, eu estaria pronta.

Haley e Keiko se ofereceram para ficar comigo no dormitório e agradeci a oferta, mas recusei. Precisava ficar sozinha. Tudo que queria para a noite era deitar na cama abraçada ao meu travesseiro e chorar a perda do meu amigo em paz. Fiquei a noite inteira sozinha no dormitório, já que todos os alunos do 7º ano da Sonserina e as meninas de Beauxbatons estavam na reunião. Passava tanta coisa pela minha cabeça enquanto chorava encolhida na cama, de como eu odiei o castigo imposto por minha mãe que resultou na minha amizade com Lucas e em como tudo aquilo acabou me ajudando a decidir o meu futuro.

Ouvi uma batida na porta e olhei para o relógio, já marcava quase 22h. Continuei na mesma posição e bateram outra vez.

- Clara? – reconheci a voz de Hiro, mas não virei.
- A reunião já acabou? – perguntei tentando disfarçar a voz de choro, mas não era uma tarefa fácil. Estava tão triste que não me importava se ainda estava com raiva dele.
- Não, Arte ainda tem muita coisa pra repassar, mas pedi pra sair antes. Estava preocupado com você.
- Eu estou bem – nem sei por que me dei ao trabalho de mentir, já que ele nunca acreditaria.
- Eu não vou voltar pra lá. Se quiser conversar, estou organizando algumas coisas que ela pediu no meu dormitório.

Assenti ainda de costas pra ele e senti que ele demorou um tempo até sair do quarto, mas por fim foi embora e me deixou sozinha. Uma vez disse que quando estava muito triste, sempre tomava as decisões erradas. Naquela noite eu extrapolei todos os limites. Hiro havia saído do quarto há quase 10 minutos quando vi o Zangado de pelúcia que ele havia me dado sentado na cômoda do outro lado do quarto. Meu travesseiro já estava encharcado de tantas lágrimas e não aguentava mais ficar ali lamentando por algo que não tinha conserto. Sequei o rosto molhado e levantei, traçando uma reta sem pensar nas consequências até o quarto dos meninos. Bati na porta duas vezes e ele a abriu.

- Está sozinho?
- Sim. Quer conversar?
- Não.

Hiro não esperava por aquilo. Agarrei seu rosto com as mãos e o beijei, empurrando seu corpo contra a porta. Pensei que ele fosse recuar, mas ele não hesitou nem por um segundo e me pegou pela cintura, me guiando na direção da cama com uma de suas mãos já desabotoando minha blusa. Os beijos e movimentos começavam a ficar mais urgentes e perigosos quando ouvimos a voz de Sheldon dando uma bronca em algum aluno no salão comunal. Hiro levou um susto tão grande que bateu com a cabeça no dorsel da cama. Levantei depressa abotoando a blusa e Hiro tentou resgatar sua camisa, mas não foi rápido o bastante.

- Clara, não sabia que estava aqui – Sheldon disse surpreso quando entrou no quarto, mas era o Sheldon. Ele nunca perceberia o que estava prestes a acontecer ali, mesmo que Hiro estivesse descabelado e com a camisa na mão – Está melhor? Sinto muito pelo seu amigo.
- Obrigada, Sheldon. Já estou de saída. Boa noite.
- Boa noite... – Hiro respondeu ainda ofegante.

Quando cheguei de volta ao meu dormitório, com um sorriso estampado no rosto, adormeci assim que minha cabeça encostou no travesseiro. Era daquele consolo que eu estava precisando.


I miss the sound of your voice
And I miss the rush of your skin
And I miss the still of the silence
As you breathe out and I breathe in

If I could walk on water, If I could tell you what's next
Make you believe, make you forget

So come on, get higher, loosen my lips
Faith and desire in the swing of your hips
Just pull me down hard
And drown me in love.

Come On Get Higher – Matt Nathanson




Cinco dias antes do ataque de Cadarn

Julian 

Quando nos reunimos pela manhã com todos os membros da AD, não imaginei que Artemis fosse nos jogar duas bombas: uma era o ataque maciço de Cadarn, previsível, afinal todo o nosso treinamento era baseado nesta possibilidade. A outra notícia e talvez a mais letal, era que nossos pais sabiam que éramos da Armada do Dragão, treinávamos  defesa avançada e que viriam conversar conosco. Grande! Bom não adiantava sofrer por antecipaçao, então começamos os preparativos para a luta, ela viria gostássemos ou não.
No dia seguinte, após um treinamento intensivo de luta corpo a corpo, onde Justin pegava pesado, parei para tomar água quando Haley me avisou que nossos pais queriam nos ver.
Tudo tinha que ser feito na maior discrição, para que ninguém desconfiasse de nossos movimentos. Lena e Daniel foram abraçar uma pálida tia Mary e um preocupado tio Yuri, Haley foi abraçada por vovó Alex e tio Logan e minha mãe me abraçou logo que cheguei. Como eu já estava quase da mesma altura do meu pai, olhei para ele por sobre o ombro dela, e ele estava aparentemente descontraído, afinal minha irmã Olivia estava a seu lado, e ele não queria assustá-la, mas seus olhos estavam cinza chumbo e isso nunca era bom. Significava que ele estava muito tenso.
- Não queria que lutasse...- minha mãe começou  a falar assim que se soltou e eu já me preparei para contra argumentar:
- Mamãe...-  ela me cortou, pondo os dedos sobre meus lábios.
- Deixe-me terminar: Não gostaria que nem você nem os outros tivessem que ir para a batalha, afinal por mais que se irrite, eu os acho muito jovens para uma situação como esta, você sempre será o meu garotinho. Mas você cresceu, já é adulto, será um auror como o seu pai, então só peço que tome cuidado, não só por você mas pelos seus amigos também.- assenti e meu pai se aproximou um pouco mais e após nos olharmos sérios, ele me puxou para um abraço, enquanto dizia:
- Você já passou por muita coisa este ano e sobreviveu, justamente porque se recusou a desistir, vi em campo como você é danado de bom, pois treinou pesado, aprendeu muito, teve coragem para defender seus amigos.. Vamos dar todo o apoio a vocês, aguentem firme e fiquem vivos ok? – assenti e ele completou: - O que quer aconteça, eu tenho orgulho de ser o seu pai. Amo você! - engoli o nó que se formou em minha garganta, e disse que também o amava. Olhei para Haley e ela estava chorando abraçada ao pai, vi Daniel limpar o rosto na manga do casaco enquanto tia Mary falava com ele. Lena estava abraçada ao pai, ouvindo os seus conselhos. Tio Blade, com a mão no ombro de Justin, lhe dava conselhos  em sua língua nativa e meu amigo assentia sério, ele levantou o rosto em minha direção e piscou. Sorri, pois isso me fez lembrar da nossa infância, quando aprontávamos alguma na escola, e tio Blade, vinha com sua conversa calma querendo entender o porquê de nossas atitudes e aplicava o castigo, e ele era bom. Tanto que quando minha mãe chegava nervosa na escola, eu já estava envergonhado o suficiente por qualquer coisa que tenha feito.
Quando eles terminaram nos aproximamos,  e trocamos também abraços, e conversamos um pouco sobre outras coisas,  não era preciso falar mais nada sobre a luta que se aproximava.  Algum tempo depois nos despedimos e enquanto voltávamos para nossa preparação, estávamos imersos em nossos  pensamentos, porém nossa determinação em vencer estava muito mais forte..

Haley

Quando entrei na sala de tio Ben, e vi meus pais me esperando, não resisti e corri para dar um abraço apertado neles.
- Então, minha filha está fazendo treinamento de auror e vai lutar contra vampiros. Eu disse que ela puxou a você, Alex.- brincou papai e eu ri, enquanto mamãe respondia:
-  Pensei que você dizia isso, por causa das faturas do cartão de crédito, Logan. Porque não nos contou, filha?- e eu os olhei séria:
- Porque vocês iriam tentar nos impedir em algo que é um direito nosso: a defesa contra as trevas. OK, falei como você, mãe, mas não pense que vou ser auror. (já expliquei quando mamãe sorriu presunçosa) -É uma luta justa, contra os inimigos que ameaçam não só minha amiga de toda a vida, como a todos nós. Sabemos que não será fácil para nós, mas para eles também não. – disse defensiva e mamãe respondeu:
- Não precisava de uma justificativa tão convincente, já havíamos aceitado a idéia de que você faz parte de um grupo de defesa, e conheço, Artemis, sei que ela iria usar os ensinamentos do clã, e os prepararia da melhor maneira possível, dando-lhes as melhores chances. Temos fé em você, filha.- ai não aguentei e abracei aos dois com algumas lágrimas caindo:
- Bela guerreira eu sou, chorando igual a quando era pequena e ralava os joelhos.
- Você não chorava porque ralava os joelhos, mas pelos presentes que eu oferecia para que parasse de chorar.- disse papai rouco, e eu disse sorrindo:
- Fui convidada para um teste de artilheira no Pride. – e ai minha mãe não se segurou:
- Ela realmente puxou a mim, Logan.
- Entao eu sei que ela vai ficar bem. – foi a resposta de papai, enquanto Julian se aproximava com meu irmão e minha cunhada, logo os outros se juntavam a nós, e após conversarms um pouco, chegou o momento deles irem embora. O pai de Justin, me deu um abraço e disse me olhando sério:
- Minha mãe, enviou uma mensagem a você Haley: ela disse que você deve usar os seus poderes e convocar o exército das Sombras, e será atendida. Não sei ao que ela se refere, mas que você saberá o que fazer, quando o momento chegar.- assenti e depois que eles foram embora, voltamos ao nosso treinamento. Tarde da noite, Justin segurou minha mão e disse:
- Vem comigo! - me levou até a Torre de Astronomia que estava vazia, e me puxou para um beijo tão exigente, que me deixou sem fôlego. Senti meu corpo tremer, e ele começou a se afastar se desculpando, mas não o deixei falar, o beijei de volta com mais vigor, que mal ouvi os botões de sua camisa saltarem do tecido.
Adormeci deitada em seu peito e acabei sonhando com um lugar muito familiar: era todo florido, onde haviam muitas flores lindas e um sol cálido, junto com um perfume inebriante. Cheirei algumas flores diferentes, e até que ouvi uma voz de mulher dizendo:
- Você não tem muito tempo para ficar aqui, veio para aprender, menina. - olhei para a dona da voz, e era uma mulher com idade para ser minha avó, era ruiva, usando um vestido azul pavão, todo esvoaçante , e apesar da  chamada, sorriu dizendo:
- Estou muito feliz, por você ter recebido a minha mensagem. Vou ensina-la a como convocar o Exército das Sombras. Aviso que há um preço, você está disposta a paga-lo?
- Se isso nos ajudar na guerra contra Cadarn e deixar os meus amigos e nosso mundo em segurança, estou disposta a paga-lo.E meu nome é Haley. - disse sem hesitar e ela sorriu:
- Sei quem você é, querida. Você é muito parecida com sua mãe...Sou abençoada por poder ver que a coragem e o amor incondicional,  das minhas amadas crianças, foram herdados por seus filhos, e por isso vocês são tão fortes juntos.
- A senhora foi amiga da minha mãe? – ela sorriu:
- Sim, e de seu tio Alucard também, mas isso não é importante agora. O tempo é curto, então vamos conversar sobre tudo o que você precisa saber antes que o seu Shaman, perceba onde você está e venha busca-la. A propósito, eu sou Endora.- me vi apertando a mão dela, enquanto nos sentávamos embaixo de uma linda cerejeira em flor, e ela me ajudava a entender como poderia  usar o meu dom de mediadora na luta contra os vampiros.