Tuesday, November 30, 2010


Austrália, Novembro de 2014

A primeira semana de competição havia passado mais depressa do que eu queria. Com apenas mais sete dias restantes na Austrália, já havia conquistado três medalhas, sendo duas de prata e uma de bronze. A primeira, e bastante suada, foi no Triatlo, mas por mais bem preparada que eu estivesse era quase impossível vencer a amiga de Tuor, Milena, que foi quem ficou com o ouro. Ela era muito rápida e bem treinada, e embora Arte tenha torcido o nariz, cumprimentei-a ao fim da prova e ela foi muito simpática.

A segunda medalha de prata foi no Tiro Esportivo, na modalidade Tiro ao Prato. Foi um bom teste para quem conseguiu a vaga de batedora recentemente no time da casa. O ouro ficou com uma das mil primas da Haley, Samantha, e o bronze com a irmã gêmea dela, Suzannah, que estudam no Instituto de Magia de Salem. E a medalha de bronze também foi no Tiro Esportivo, mas com a Carabina. Essa quem venceu foi uma garota da escola Alemã que mais parecia uma Barbie, mas quando começou a atirar surpreendeu todo mundo, e a prata com uma menina de Durmstrang que assim que a prova acabou descobri ser amiga do Ozzy, o garoto que conheci na pista de patinação. Quando ele foi abraçar a amiga, fez o mesmo comigo me parabenizando também, o que gerou uma crise de risadinhas idiotas em Keiko, Haley e Artemis.

Minha próxima competição era de Esgrima. Ia competir com o Sabre e já havia passado pelas quartas de final, lutando contra a esgrimista da escola Russa. Ela era boa, mas eu era melhor. Consegui os 15 toques para ponto antes do fim do prazo, e ela só conseguiu me atingir três vezes. A semifinal foi mais difícil, era contra uma italiana muito ágil. Diferente da russa, que não aproveitava a liberdade que tínhamos no sabre de se poder usar a lâmina para pontuar, e não apenas a ponta dele, essa conseguiu empatar comigo 10 x 10. Quando o cronometro indicou que os nove minutos haviam esgotado, quem pontuasse primeiro vencia. Precisei de muita agilidade para me aproveitar de um vacilo dela e acertar a lâmina do sabre depressa em seu antebraço, passando para a final.

- Clara, cuidado com essa garota – Arte estava comigo enquanto descansava para a final e olhava para a minha adversária, uma atleta da Hungria – Ela é rápida como um gato, vi a luta dela contra a francesa e nossa, foi uma surra.
- Foi o recorde das Olimpíadas, não é? – perguntei preocupada – Ela bateu a menina em 5 minutos – e Arte assentiu, sem tirar os olhos dela – Sabe me dizer um ponto fraco?
- Ela não é muito boa em ataques frontais, só é boa pelas laterais, mas ninguém conseguiu explorar isso ainda – respondeu pensativa – Talvez se você começar com uma seqüência de investidas assim, ela recue um pouco.
- Se atacar ela como me atacou no acampamento, vai ganhar por desistência do adversário – Thruston pulou o cercado que dividia a torcida dos competidores e sentou do meu lado – Só lembre-se que ela não está com varinha, então não pode conjurar um escudo pra impedir que você parta sua cabeça como uma melancia.
- Olha, um comediante – brinquei e ele riu – Não vou rachar a cabeça de ninguém, não é contra você que vou lutar.
- Viu como ela me trata? – ele virou para Arte, que prendeu a risada – Faço tudo que pra agradar, mas ela só me dá patada.
- Clara é exigente, não liga não. Daqui a pouco ela cede. – Arte respondeu com uma cara debochada e olhei feio pra ela.
- Então acha que tenho uma chance?
- Claro! Tenha paciência e ela vai ceder.
- Vocês estão desviando do foco aqui! – falei impaciente, apontando para a húngara do outro lado do ginásio – Pontos fracos! Só posso atacar pelo meio?
- Só proteja suas laterais, evite que ela marque pontos e faça ataques frontais que vai se sair bem – Arte deu um tapinha nas minhas costas e James me estendeu a máscara.
- Boa sorte.

Coloquei a máscara no rosto, ajeitei o colete e peguei o sabre, caminhando até a pista. Minha adversária já estava pronta e conversava algo indecifrável com um homem mais velho, que devia ser seu treinador. A juíza da luta sinalizou para nos posicionarmos e ocupei meu lugar do lado direito. Assumimos a posição de ataque e quando a mulher apitou, a húngara veio com tudo pra cima de mim e marcou um ponto.

Os primeiros cinco pontos que ela marcou, contra nenhum meu, foram tão rápidos que mal conseguia me movimentar para tentar me defender. Arte gritava instruções da lateral da pista, mas era difícil me concentrar na húngara e nos gritos da minha amiga ao mesmo tempo, então optei por prestar atenção apenas na luta. Consegui marcar quatro pontos depois de sete minutos de luta, mas ela marcou mais um e tinha a vantagem de dois pontos, faltando dois minutos para o fim da luta. O sinal tocou no ginásio e vi que Arte tinha pedido tempo à juíza.

- Está deixando que ela intimide você! – me deu uma bronca quando tirei a máscara e James me entregou uma garrafa de água.
- Não estou intimidada, ela só é melhor do que eu! – protestei. Estava cansada e me esforçando ao máximo, e ainda levava bronca.
- Besteira, ela não é melhor que você, só está mais concentrada – James falou, mas sem o tom de bronca de Arte – Você pode reverter isso, tenho certeza disso.
- Ele tem razão, faltam dois minutos pra acabar e você só precisa de mais dois pontos. Notei que ela ataca mais pela esquerda, então redobre a atenção pra esse lado, e continue atacando pela frente. Um salto rápido, e sabemos que você consegue um, vai fazê-la recuar e permitir que marque o ponto.
- Não, ela já está esperando isso, você precisa surpreender. Quando ela atacar pela esquerda, faça com que ela recue com um golpe frontal e antes que ela contra-ataque, faça o que fez comigo quando quase me matou.
- Acertar a máscara? Isso é válido?
- Sim, desde que faça parte de um movimento frontal – Arte explicou – Não pode bater nela pelas laterais. Isso pode dar certo.
- Isso vai dar certo – James me devolveu a máscara e coloquei no rosto – Depois de marcar esse ponto, parta pra cima dela com tudo. Ela vai estar assustada e você terá mais abertura.

Voltei para a pista mais confiante. Era uma jogada arriscada, que se feita errado poderia me desclassificar, mas se eu não cometesse erros me daria uma chance de empatar a luta. Assumimos posição de ataque novamente e quando a juíza deu o sinal, ela atacou pela esquerda como Arte e James previram. Protegi o corpo com o sabre e investi contra sua barriga, fazendo-a recuar para evitar o golpe, e no momento que ela avançou pra cima de mim, ergui o sabre e desferi um golpe certeiro no meio da sua máscara protetora. O 5º ponto surgiu no meu lado do placar e ela retomou a luta, mas estava atordoada. Aproveitei o momento rápido de surpresa e consegui marcar o 6º ponto e empatar a luta, com um golpe rápido pelo flanco direito.

Agora era o ponto do tudo ou nada. O treinador dela não se deu ao trabalho de pedir tempo, apenas gritou instruções na língua deles, que eu não compreendia, e ela assentiu com a cabeça sem sair da pista. Não fazia a menor idéia do que ela ia usar para atacar, mas de repente me lembrei das aulas de esgrima no acampamento, mais especificamente da aula depois de quase ter matado James. Ele pediu para fazer dupla comigo outra vez e me ensinou uma manobra para desarmar o oponente, girando a lâmina do inimigo com a parte chata do próprio sabre para que ele não tenha alternativa a não ser deixar a arma cair. Fazia tempo que não praticava aquela manobra, mas no momento era minha única opção.

- Prontas? – a juíza falou em inglês e assentimos – Basta um ponto para vencer.

Ela deu o sinal e a garota veio para cima de mim. Consegui impedi-la de golpear meu braço esquerdo. Dei um passo à frente e tentei minha própria estocada. Ela a revidou facilmente e começou a me pressionar com mais força. O sabre começava a pesar em minha mão, mas estava equilibrado. Eu sabia que era apenas uma questão de segundos antes que ela me derrubasse, então pensei: Que se dane! Tinha que tentar a manobra para desarmar.

Ela recuou quando defendi um golpe lateral e avancei com tudo. Minha lâmina atingiu a base da dela e eu a girei, pondo todo o meu peso em um golpe para baixo. O sabre voou de sua mão e a ponta da minha lâmina estava a dois centímetros do seu peito desprotegido e o toquei de leve. O placar do meu lado piscou e marcou o 7º ponto, contra 6 dela. A arquibancada do lado de Hogwarts explodiu em gritos e atirei o sabre no chão, dando um soco no ar em comemoração. A garota caminhou até mim sem a máscara e sua expressão era de perplexidade, mas me estendeu a mão.

- Parabéns, você é muito boa.
- Você também – apertei sua mão sorrindo e ela saiu na direção de seu treinador, que não tinha uma cara feliz.
- CLARA! – Arte e James invadiram a pista e se atiraram em cima de mim, me abraçando.
- Seu golpe me salvou! – agarrei o rosto de James e dei um beijo em sua bochecha – Muito obrigada!

Ele me olhou surpreso, mas antes que pudesse reagir de alguma forma ao beijo em seu rosto meus amigos invadiram o tatame e sumi no meio deles. Mamãe e papai vieram me abraçar também e mamãe me olhava com aquela cara de "estou de olho, não esqueci a aposta". Sorri para ela sem me importar e a juíza chamou os três medalhistas para o pódio.

Foi muito bom ouvir o hino maluco de Hogwarts tocar e toda a torcida da escola cantando a plenos pulmões, fazendo a maior bagunça. A medalha de bronze acabou ficando com a italiana que derrotei na semifinal, e ela parecia muito satisfeita com a colocação. O diretor da escola da Austrália foi quem colocou a medalha no meu pescoço e apertou minha mão entusiasmado, me parabenizando pela vitória surpreendente. Desci do pódio feliz da vida e Gabriel largou a câmera de lado para me abraçar, tia Miyako logo atrás dele com um bloco todo rabiscado na mão.

- Parabéns, maninha! – ele beijou minha testa, me apertando no abraço – O treinador daquela garota ficou olhando com cara de besta quando o sabre voou da mão dela.
- Foi realmente muito bom, Clara! – tia Miyako me abraçou também – Gabriel fez umas fotos ótimas do último golpe, vão ficar muito boas na matéria que estou fazendo sobre as competições de hoje.
- E quem é aquele garoto, hein? – Gabriel me cutucou, indicando James com a cabeça – Estava muito intimo, não conheço.
- Nossa, que direto – tia Miyako riu, mas continuou me olhando curiosa – Keiko andou contando umas histórias...
- Que histórias? – Gabriel olhou pra mim desconfiado.
- Não tem história nenhuma, Keiko estava mentindo.
- Você nem sabe o que ela me contou!
- Mas sei que era mentira – respondi séria, mas acabei rindo quando Gabriel insistiu em saber do que estávamos falando.

Não sabia o que Keiko andava conversando com a irmã, mas sabia que nada devia ser mentira e que se qualquer coisa vazasse pro meu pai e meu irmão, a fofoqueira ia me pagar. James veio me cumprimentar outra vez quando me afastei deles e podia sentir Gabriel me acompanhando com o olhar, mas decidi que era melhor ignorar. Arte tinha razão, mais cedo ou mais tarde eu teria que ceder, e quando isso acontecesse, eu não escaparia da mira dos zagueiros da família.

Friday, November 26, 2010


Lembranças de Artemis A. C. Chronos

- Ei, você é o Stefan, não é? – Uma garota loira aproximou-se de Stefan enquanto ele e John voltavam do campo de Trancabola, que tinham ido olhar.
- Sou, e você?
- Sou a Milena, sou amiga do Tuor.
- Ah sim! Você é da escola da Noruega, já conhece o John? – Stefan sorriu, apresentando o amigo, que apertou a mão de Milena com um sorriso.
- Muito prazer. Stefan, poderia falar com você a sós? – Ela perguntou e Stefan levantou uma sobrancelha, mas concordou e os dois se afastaram enquanto John seguia para os chalés de Hogwarts.
- O que foi? Precisa de algo?
- Não, mas eu queria lhe dar um aviso. Não sei se percebeu, mas sua namorada, Artemis, tem sentimentos pelo seu irmão. – Ela falou sem rodeios, fazendo Stefan amarrar a cara.
- Não gostei da brincadeira.
- Não estou brincando. Você não viu o modo como ela olhou para ele quando ele foi beijar a outra competidora da Arqueria? A tal de Leonora. Ou como ela o olhou das outras vezes que viu os dois juntos?
- Milena, você não sabe o que está falando, e é bom parar com essas brincadeiras.
- Não estou brincando, já falei! Quero alertá-lo. Vocês garotos pelo visto têm a mania de ver Artemis como uma garota indefesa e santa. Mas pelo visto ela não é. – Milena deu de ombros e saiu sorrindo maldosamente. Ela havia conseguido deixar Stefan intrigado, até irritado.

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- Oi, meu amor, o John já voltou e você não, o que foi? – Eu perguntei, quando fui atrás do Stefan. O encontrei sentado em um banco perto do lago e parecia pensativo. Ele olhou para mim e logo soube que havia algo de errado. Havia desconfiança, sentimento de traição e até mesmo raiva em seus olhos. Sentei do seu lado e ele ficou rígido. – O que aconteceu?
- Nada, Artemis.
- Eu não sou idiota. O que você andou falando com Milena? John me contou. – Eu falei e acertei na mosca.
- Artemis, é verdade que você ainda tem sentimentos pelo Damon? – Ele perguntou, sua mandíbula travando. Eu o encarei séria, entendendo o que acontecera.
- Não estou entendendo. O que essa... – Eu segurei, querendo xingar Milena. Senti a raiva borbulhando e queimando minha garganta. – O que essa garota te falou?
- Milena me falou que você ainda se sente atraída por ele e que está com ciúmes dele com Leonora. E eu vi você e Leonora discutindo na competição. Todos viram. – Ele falou.
- E você vai dar ouvidos a ela?! – Eu falei, indignada, mas sabia que ele merecia uma explicação.
- Me fale a verdade.
- Eu nunca menti para você. Sempre falei que seu irmão deu em cima de mim, me roubou um beijo duas vezes e que eu me senti abalada por ele. – Eu falei e vi seus olhos brilhando, tanto de tristeza quando de raiva. – Mas por que acha que eu decidi ficar com você?
- Não sei. Diga você. – Ele falou e ficou de pé, saindo para andar ao redor do lago com passadas pesadas. Eu fui atrás dele e o alcancei rapidamente, segurando-o e fazendo-o olhar para mim.
- Você quer saber a verdade? Porque eu gosto de você. É com você que me sinto bem e é você que me trata bem. – Eu falei, sentindo alívio ao saber que era verdade. – Fiquei confusa por muito tempo. Eu não queria um relacionamento sério e não sabia qual dos dois eu gostava. Mas me decidi por você!
- Então por que discutiu com Leonora ontem e por que está com ciúmes?! – Ele falou, a voz alterada.
- Eu não estou com ciúmes. Discuti com aquela troglodita pelo mesmo motivo que estou discutindo com você! – Eu falei, minha voz alterada também. – Ela falou que eu ainda gosto dele e me ameaçou. Mas repito o que falei pra ela: pouco me importa ele ou ela, e ela pode engolir seu irmão que eu não me importo! – Eu falei, exasperada e virei as costas para ele. Ele me segurou e me fez virar para ele, beijando-me. Retribui o beijo, mas depois o afastei. – Se não acredita em mim, não temos mais nada o que falar.
- Não. Eu acredito em você. – Ele falou, suspirando. – Mas tente entender meu lado: você acha que é fácil saber que minha namorada teve dúvidas entre eu e meu irmão e que ainda tem? Porque nós dois sabemos que tem.
- Eu já tive. Mas esses últimos dias serviram para me mostrar que não preciso mais ter dúvidas. É de você que eu gosto, e com você que quero ficar. – Eu falei, ainda com raiva, mas derrotada por ele. Ele me abraçou.
- Me perdoe. Eu farei de tudo para você esquecê-lo de vez. – Ele falou a voz firme. Sabia que era uma questão de orgulho para ele.
- Prometa-me que não vai brigar com ele. – Eu falei. – Prometa.
- Tudo bem. – Ele falou a contra gosto.
- Vocês são irmãos. Se alguém vai brigar, esse alguém sou eu. – E me afastei dele, correndo na direção dos chalés. Ele veio atrás de mim, sem saber o que eu faria. Mas logo ele iria descobrir.

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Encontrei Milena onde eu esperava que ela estivesse: assistindo a competição de Arquearia de Maeglin, junto de seus amigos e de Tuor. Meus amigos também estavam ali e assim que me viram, sabiam que havia problemas. Eu estava espumando de raiva.

- Você. Lá fora, agora. – Eu falei, ao cutucar Milena. Ela olhou com desdém para mim. Eu não iria arranjar uma briga ali na frente de todos da escola, mas iria arranjar uma briga fora dali. Além do mais, minha família era voluntária na segurança do evento, e Seth já me encarava sério.
- O que houve Arte? – Clara perguntou, ao meu lado. Stefan também estava do meu lado, me segurando. Ignorei todos e me concentrei em Milena. Ela também queria uma discussão, pois levantou e eu fui na frente. Parei longe da competição e dos olhos de todos, mas Stefan, Clara, Justin, Tuor, Tricia, Elwing e Turin nos seguiram, sentindo a tensão no ar.
- Quem te dá o direito de se meter na minha vida? – Eu falei, tentando me controlar, batendo com o dedo em seu peito.
- Não sei do que está falando. – Ela falou, com uma voz sonsa e um sorriso no rosto.
- Ah, você sabe muito bem. Mas não vou admitir que uma idiota como você se meta no que não é chamada! – Eu falei com raiva.
- Ah, só porque eu fui contar pro seu namoradinho ai que você está de olho em outro? – Ela falou, alteando a voz, e indicando Stefan com a cabeça.
- Você o que?! – Tuor e Turin perguntaram juntos, e nós duas os mandamos não se meterem.
- Não fale assim do Stefan! – Eu falei com mais raiva e nos encarávamos perigosamente perto. – E você, que fica se jogando em cima de todos. Quer que eu diga o que isso me parece?
- Pelo menos não fico dando em cima do irmão do meu namorado! E não fico em cima dos outros sendo que tenho namorado! – Ela falou alteando a voz.
- Não tem porque é umazinha que não sabe se afastar quando leva um fora! – Eu falei, com raiva. – É, pensa que eu não sei que você levou um fora?! Muito bem dado por sinal!
- Sua... – Ela estava com muita raiva e eu notava. Ela tremia, a mão perto da varinha. – Pelo menos eu sei o que quero e quem eu quero!

Ela perdeu a cabeça e me empurrou, mas eu já esperava e segurei seu braço, mas ela me deu um tapa forte no rosto. Eu perdi a cabeça e agarrei-a pelos cabelos, dando um tapa em seu rosto. Logo em seguida Clara me segurava, enquanto Turin segurava a irmã, mas nós duas nos soltamos e voltamos a tentar nos acertar. Em seguida, fomos afastadas magicamente, e ficamos levitando no ar, enquanto Seth e Nick nos separavam.

- O que está acontecendo aqui? – Seth perguntou, a voz cheia de acusação. Ele olhou para Milena e leu seus pensamentos. Ele levantou uma sobrancelha e olhou para mim. Ele não costuma ler a mente das pessoas, mas as emoções de Milena estavam tão a flor da pele que ele deve ter lido com facilidade. Eu abri minha mente para ele e deixei que ele visse tudo.
- Arte, logo você, arranjando briga assim? – Nick perguntou, cansado, mas segurando um sorriso.
- Me deixa, Nick, pode me colocar no chão. – Eu falei.
- Deixe-as. – Seth concordou e Nick me colocou no chão, assim como Milena. Ela, porém, tentou avançar uma vez mais, mas Turin a segurou.
- O que pensa que está fazendo?! – Turin falou, e notei sua voz irritada. Ele não gostou nem aprovou o que a irmã fez. – Me desculpem, senhores, vou tirá-la daqui.
- Eu te ajudo. – Tricia falou, e junto de Elwing a levavam para longe de nós. Seth os observou de longe e voltou a olhar para mim, repreendendo-me mentalmente.
- Desculpa. – Eu falei, abaixando os olhos e lágrimas de raiva surgiram em mim.
- Vamos lá gente, vão dar os resultados finais. Vamos embora. – Nick falou, levando todos embora. Seth olhou para Stefan e esse engoliu em seco, entendendo que ele queria falar a sós comigo. Ele se sentou em um tronco e me pediu que sentasse.
- Eu vi o que ela fez, mas não é por isso que vou ficar do seu lado. Você tinha direito de tirar satisfações, mas será que não aprendeu nada conosco nesses anos todos? Você se deixou levar pela raiva e isso é ruim. – Ele falou, sério, mas passando o braço pelo meu ombro e me abraçando.
- Eu perdi o controle, Seth! Ela falou coisas horríveis de mim! E falou coisas para o Stefan.
- Por sinal, ótima forma de eu conhecer seu namorado. – Ele falou, e me fez sorrir. – Eu sei, eu vi o que ela fez e vi sua mente também.
- Estou confusa. – Foi o que falei, pois ele sabia a que me referia.
- É normal uma garota na sua idade ficar confusa. Na sua idade eu também estava muito confuso, não sabia se realmente amava minha melhor amiga.
- Eu queria ficar mais calma, mas é tanta coisa acontecendo que não está funcionando nada que eu faço!
- Eu, Luna e seus sobrinhos estamos aqui, e você ainda tem seus amigos. Abra-se com eles ou conosco e tente se acalmar. Vou deixá-la daqui, sei que pode se controlar.

Ele falou, beijando minha testa e levantando-se.

Eu fiquei um tempo sentada e depois sai, queria andar sozinha e pensar um pouco.

Porém, pouco depois ouvi alguém correndo atrás de mim e me virei esperando ver Stefan. Pela primeira vez desde que o conheci eu me senti decepcionada ao ver o Tuor. Ele tinha um semblante sério e até acusador e decidi continuar andando, mas ele segurou minha mão.

- O que deu em você?! – Ele perguntou, arfando pela corrida.
- Estava tirando satisfações. – Respondi bruscamente.
- Arte, por que foi brigar com a Milena?! Porque você falou aquelas coisas? Eu confiei em você quando te contei sobre ela! – Por um momento eu senti remorso por ter usado aquilo, mas em seguida fiquei com raiva novamente. – Por que arranjar briga assim?!
- Eu arranjar briga?! – Falei exasperada olhando com raiva pra ele.
- Sim! Estávamos torcendo pelo Mae e você me aparece daquele jeito?!
- Por que todos estão falando como se eu fosse a errada?! Fui eu que comecei a implicar com ela? Fui eu que fui inventar fofocas para os outros?! NÃO! – Eu falei, a voz novamente alterada. – Tuor, desde que eu cheguei essa garota só tem me tratado mal. E agora fica inventando coisas, fazendo fofocas!
- Inventando?! Você acha que eu não reparei também? – Ele perguntou e eu senti como se tivesse o peito perfurado. O encarei incrédula enquanto uma tristeza invadia meu corpo, mas uma raiva também. – Tudo que a Milena falou era verdade!
- Ótimo, Tuor. Vá ficar com ela então. Vá cuidar e proteger ela. – Eu falei e sai andando, querendo ficar longe dele, mas ele me segurou novamente.
- Quer me ouvir?!
- Pra quê?! Pra você falar novamente que eu estou errada?! Sendo que dessa vez eu não estou? Para defender sua querida amiguinha que passou os últimos dias me infernizando?
- Milena merece desculpas. – Ele começou, mas eu o cortei ríspida e com raiva.
- Vá ficar com ela de vez. – Eu falei, a voz baixa, mas cheia de raiva. – Vá embora então. Volte para sua escola. Não precisa nem voltar a Hogwarts, vai embora de vez! Não preciso e nem quero a sua presença! – Eu falei cheia de raiva. Eu agora chorava, tanto de raiva quando de dor e não media minhas palavras. Vi como aquilo o magoou. Ele ficou um tempo me encarando.
- Artemis, eu quero o seu bem...
- Não é o que parece.
- Ótimo, então! Quer saber mais?! Você está sendo metida, egoísta e idiota! Hoje mais do que nunca eu percebi que só está namorando com o Stefan por causa do Damon! E que você ainda sente ciúmes dele! O Stefan pode achar que não, mas eu sei que é verdade! Você está querendo é os dois!!

Ele falou e senti quando ele percebeu que aquilo era forte demais. Eu senti meu coração afundar e não pude evitar mais as lágrimas. Eu virei as costas para ele e sai correndo. Ele ainda tentou vir atrás de mim, mas inconscientemente eu invoquei brumas ao meu redor e ele me perdeu de vista.

Queria ficar sozinha. Estava me sentindo sozinha. Estava me sentindo suja.

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Eu encontrei um local muito afastado dos chalés e longe de todos. Ainda era na beira do lago, mas em uma curva do mesmo, quase escondido. Havia uma árvore ali e me sentei no chão, recostando a cabeça em seu tronco. Eu chorei como nunca chorei em minha vida. Chorei de raiva de Stefan, de raiva de Damon, de raiva de Tuor, de raiva de Milena, de raiva de Leonora. Chorei por me sentir sozinha, trocada. Chorei de tristeza. Chorei de raiva de mim mesma que não conseguia me decidir. As coisas que Leonora e Milena falaram me queimavam, pois havia alguma verdade ali.

Eu amo o Stefan, eu sei disso, mas porque tenho que me sentir abalada pelo Damon?! Será que eu realmente sentia isso pelo Stefan?! Ou só estava tentando esconder o que sentia pelo Damon?!

Fui interrompida por passos. Eles eram frágeis, como de alguém que anda sem rumo. Fiquei atenta e limpei os olhos na mão a tempo de ver uma garota vindo na minha direção. Pelo seu uniforme, percebi que era de Durmstrang e tinha uma medalha de Prata pendurada no pescoço, que ela devia ter acabado de ganhar. Ela parecia ter minha idade e era da minha altura, e tinha longos cabelos ruivos e olhos azuis, com um olhar distante e perdido de quem está confusa, exatamente como os meus.

Ela finalmente percebeu minha presença e trocamos olhares dolorosos e chorosos. Houve uma simpatia imediata entre nós. Eu me afastei da árvore e ela sentou-se ali. Ficamos um tempo quietas ali lado a lado, cada uma envolta em seus pensamentos. Ela não chorava, mas via que havia chorado recentemente. Meus olhos ainda estavam vermelhos e úmidos e eu tinha dificuldades de segurar o choro.

- Esse lugar é lindo. Achei outro dia, sem querer. – Ela falou em inglês, com um sotaque forte.
- Eu acabei de descobrir. É lindo sim. – Eu respondi e ficamos olhando o lago que refletia as nuvens do céu. – Você está bem?
- Estou... Confusa um pouco... E você? – Ela perguntou, solidária.
- Não muito. – Dei de ombros cansada e ela sorriu, também cansada.
- Garotos?
- Aham... E você?
- Também. – Sorrimos cansadas uma para a outra.
- Quer falar sobre o que houve? Eu confesso que quero. – Falei, e ela sorriu.
- Estou apaixonada pelo meu melhor amigo. Mas ele tem namorada e está incentivando que eu namore outro garoto. Roubei um beijo dele numa festa, mas ele não sabe que fui eu. Mas ele gostou do beijo... Não sei o que eu faço... E acabei de beijar outro garoto, mas ainda sinto o beijo do meu amigo e sinto falta dele... E você?
- Eu tenho ciúmes do irmão gêmeo do meu namorado e ainda não me decidi com qual dos dois quero ficar. O irmão dele já me beijou e gostaria de ficar comigo, mas está saindo com uma garota da sua escola. E briguei feio com meu melhor amigo.
- Eita, acho que o seu é mais complicado. – Ela falou e sorri. – Acho melhor você dar um tempo, até mesmo para você mesma.
- É o que pretendo... Vim pra cá querendo ficar sozinha. Nem falei com minhas amigas ainda... E você, eu acho que deveria dar uma chance pro outro garoto, já que ele tem namorada. Vai que você descobre amar o outro.
- É o que eu acho que vou fazer... – Ficamos em silêncio, enquanto observávamos o lago. Continuamos a conversar e eu contei tudo para ela, desabafando. Ela ouviu atenta e sem me interromper.

Ela me contou que conhecia a Leonora, e disse que ela era assim mesma, que eu não deveria ligar muito com isso. Ela disse que se eu não implicasse com a Leonora, ela me deixaria em paz. Depois ela me contou sobre seu melhor amigo e sua namorada. Eu também ouvi atenta enquanto ela desabafava. Achei-a com muita coragem de beijar o amigo fantasiada de outra garota, mesmo que tenha sido meio imprudente. Nós duas nos sentimos bem nos abrindo e logo começamos a sorrir mais calmamente.

- Eu preciso voltar, alguém pode vir me procurar. E quero encontrar um amigo de Beauxbatons e uma amiga, preciso conversar com eles. Não posso fugir o tempo todo. – Ela falou e se levantou, estendendo a mão e me ajudando a levantar. – Sou Lenneth, 5ºAno de Durmstrang, e você?
- Artemis, 5º Ano também, de Hogwarts. – Nós apertamos as mãos e sorrimos uma para a outra. Aqueles momentos de cumplicidade haviam feito nascer algum tipo de amizade entre nós.
- Sabia que você estaria no lugar mais bonito daqui, se quisesse ficar sozinha, mas vejo que tem companhia. – Ouvi a voz de Luna me chamando. Ela veio até nós e me abraçou com força, de um jeito que só ela conseguia fazer. – Seth me contou. E eu soube pelos seus amigos da briga. Fiquei preocupada.
- Obrigada, Luna. – Eu falei, com lágrimas voltando aos olhos. Luna era mais do que uma cunhada, era como minha irmã de verdade. Lenneth olhava para Luna com um olhar admirado. – Desculpem, Luna essa é Lenneth, de Durmstrang,. Lenneth, essa é Luna, minha cunhada.
- Senhora Luna! – Ela falou, com admiração na voz e apertou a mão de Luna com alegria. – Eu adoro seus livros! Um instante, quando você diz Seth, é o seu marido Seth?
- Quem mais? É meu querido dentinho. – Ela falou sorrindo, enquanto Lenneth parecia ainda mais admirada.

Ela falou que adorava as publicações e livros de Luna sobre botânica e animais e logo descobri que, assim como eu, Lenneth adorava botânica. Luna pediu desculpas educadamente e prometeu conversar mais vezes com ela, mas queria ficar a sós comigo. Lenneth sorriu tímida, mas ficou radiante quando recebeu um abraço e um brinco de Luna. Nos despedimos e ela foi correndo na direção dos Chalés.

- Vamos, convoquei uma reunião com suas amigas. Você está precisando falar mal de alguns garotos. E garotas. – Ela falou alegre e me levou para o chalé que fora designado a ela e meu irmão. Minhas amigas já estavam todas lá, e logo Clara, Haley, Keiko, Lizzie, Bela e Lena me abraçavam, solidárias.

Thursday, November 25, 2010


Anotações de Haley McGregor Warrick

Melbourne, Austrália, Novembro de 2014

Quando você tem uma familia tão grande quanto a minha, você já sabe que vai acabar encontrando algum parente seu, participando de um evento como as olimpíadas e em alguns casos até competir contra eles. E também haviam os filhos de amigos da familia, então algumas vezes nos dividiamos entre torcer para duas ou três escolas diferentes, as pessoas ao redor nos olhavam curiosas, pois meu irmão Ty, que havia sido jogador de quadribol profissional, ainda tinha fãs que sempre o reconheciam, chamando a atenção, mas agora ele era auror e atuava como um dos chefes da segurança junto com tio Micah, nosso primo Brian e meu irmão Ethan estavam na equipe médica junto com tio Chris e meu cunhado Griffon, e o chefe da equipe médica era tio Ian, grande amigo do Ty, do tio Gabriel e tia Miyako, que eram os correspondentes do Profeta Diário, filiais do Brasil e Japão, e minha cunhada Rory, mulher do Ty era a correspondente do Rangers, jornal afiliado ao Profeta Diário americano, e também tio Seth, ajudando na segurança e sua esposa, tia Luna, que cuidava da administração dos jogos. Enfim, eu e meus amigos, não podiamos nos queixar de falta de apoio familiar.

Após a minha primeira competição que foi esgrima, categoria florete, eu fui para a final com Artemis e eu consegui ganhar a prata, porém não fiquei triste, afinal no quadro geral de medalhas, Hogwarts vinha muito bem.Após a premiação, mal desci do pódio, sorrindo para Ty e Rory que vinham em minha direção quando senti o ar me faltar, pois era levantada e girada como se fosse uma boneca de pano.
- Muito bem, baby, esta é a minha garota!- disse Graham e eu respondi arfante:
- Ar...Tô ...sufocando...- e antes que ele me soltasse ele me beijou, e eu respirei fundo e antes que eu dissesse algo, meu irmão já chegou empurrando Graham para o lado de forma nada sutil e Rory estava sorrindo ao lado dele:
- Haley, você foi incrível, estou muito orgulhoso, maninha. – nos abraçamos, e Rory fez um heim, heim:
- Não vai nos apresentar o seu amigo Haley?- e vi que Graham apesar de todo o seu tamanho, estava surpreso olhando para a cara amarrada do Ty, afinal ele também era fã do melhor batedor da liga dos últimos anos:
- Ty, Rory, este é Graham Mckay, meu namorado.- minha cunhada logo deu a mão para cumprimenta-lo e depois foi Ty, que segurou a mão dele um pouco mais que o necessário, e vi Graham começar a ficar pálido.Olhei feio para meu irmão e ele me ignorou e disse sério, olhando-o de cima a baixo:
- Mamãe não nos disse que você estava namorando...Espero que você esteja tratando a minha irmã caçula com respeito, nada de mãos bobas, ou você vai perdê-las dolorosamente , fui claro?
- TY!- falei exaltada e olhei para minha cunhada Rory pedindo ajuda, mas ela com uma voz suave disse:
- Não fique nervoso,Ty, tenho certeza que o senhor McKay, será respeitoso com a nossa Haley...Ou vamos abrir a temporada de caça, e só para avisar: nós gostamos de matar o que caçamos.- vi que Graham começou a suar, e sacudia a cabeça concordando com os que aqueles dois bestas falavam, até que não demorou para que Ty e Rory caíssem na gargalhada:
- McKay, você precisa aprender a controlar os nervos, ou não vai resistir quando conhecer o resto da familia. – e vi Graham respirar aliviado. Meu irmão me olhou travesso e eu o olhei feio, mas logo dei risada, afinal todos os namorados que chegavam na familia, passavam por sustos, comigo não seria diferente.

A competição de montaria individual havia sido muito disputada. Lizzie ganhou prata e Artemis o bronze no feminino, Justin havia conseguido o ouro e Julian, ganhou a prata no masculino, então Hogwarts estava praticamente em primeiro no quadro de medalhas. Haveria ainda a prova de montaria por equipe, mas antes disso eu iria comeptir no Tiro Esportivo (tiro rápido feminino), onde se atira a uma uma distância de 25 m com uma pistola com capacidade para cinco tiros. São disparadas seis séries de cinco tiros em alvos de precisão em um tempo de seis minutos por série e mais 30 tiros de "duelo". Após competir com várias atletas,acabei disputando a final com uma garota de Durmstrang, Leonora Ivashkov, e ela era excelente, porém como ela havia deixado Arte nervosa por um motivo idiota, resolvi devolver o favor. Notei que na torcida dela, havia um garoto loiro que quando gritou o nome dela, ela ficou vermelha, sorrindo feito boba.Me aproximei dela.
-Hey, sou Haley, Hogwarts.Posso te pedir um favor?
- Leonora, Durmstrang. O que é?
- Qual o nome daquele garoto loiro, que acabou de gritar o seu nome?
- Marcus Finnegan.- ela respondeu seca e senti ter acertado o alvo.
- Ele me parece ‘hot’, ele tem namorada?- e a senti ficar rigida.
- Que eu saiba não, porque?
- Huumm, melhor ainda. - e na hora me virei para a platéia e soprei um beijo para o garoto que sorriu e os amigos dele começaram a dar aqueles tapas nas costas dele, e a dizer que ele ia se dar bem.Tão previsivel ¬¬. Voltei meu olhar para ela e ela estava com as bochechas coradas e parecia irritada, sorri e disse:
- Tenha uma boa prova, Leocádia. E fui para a minha posição. Bem, a provocação valeu a pena, pois consegui o ouro. E quando a prova terminou, o garoto se aproximou sorrindo, e antes que falasse alguma coisa, o ignorei e olhei por cima de seu ombro e disse:
- Gostou do beijo que te mandei, G.?- e o garoto ficou sem entender nada, ainda mais quando olhou pra trás e viu que Graham vinha sorrindo em minha direção. Quando me aproximei de Arte, não precisei falar nada, pois ela havia entendido, batemos as mãos no ar, dando risada.

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Como a prova de montaria de montaria por equipe, ainda seria realizada, todos os dias exercitávamos os cavalos para eles se habituarem com o clima e o terreno, e todas as delegações faziam isso, mesmo os australianos. Todos os cavalos estavam bem de saúde, mas quando atravessei um campo a galope, um coelho selvagem passou rapido na frente do cavalo e o assustou, fazendo Perséfone empinar e me derrubar. Fiquei um tempo no chão, tentando recuperar o fôlego, e vendo se não havia nada quebrado, quando Julian desmontou preocupado:
- Haley, você está bem? Precisa de um médico?
- Não quero médico, eu estou bem. Cadê a Perséfone?
- Justin foi busca-la...Ah não...Ela está mancando...- olhei para onde ele apontava e Justin, vinhan andando com o meu cavalo e ele parecia preocupado. Não demorou muito o guarda caças da escola australiana, se encontrou com ele, e começou a examinar o cavalo. Fui até lá e as noticias não eram boas. Perféfone teve uma torção e teria que se submter a tratamento, caso não estivesse 100% em forma, a nossa equipe seria desfalcada. Justin continuou supervisionando o resto do treino, enquanto eu fui para o estábulo que abrigava os cavalos da competição, para começar o tratamento indicado pelo guarda caças, esta seria uma longa noite.

Por Justin Silverhorn

Eu sabia que Perséfone, égua que Haley usaria na competição, passaria a noite toda em tratamento para ver se teria condição de competir no dia seguinte, caso não conseguisse ela seria cortada da competição por equipe, pois uma das provas era o adestramento e Haley estava inscrita nele, desde o começo.
Sabia que os outros membros da equipe queriam ajudar e revezar com ela os cuidados com a égua, mas pedi a eles que me deixassem fazer isso. Afinal eu era o responsável pela equipe junto com a Haley. Como me olhassem descrentes, pedi ajuda a Arte e Clara, e elas os convenceram.
Passei pela cozinha e peguei comida, bebidas geladas e fui para os estábulos. Cheguei e ela estava trocando as bandagens de murtisco na perna de Perséfone e falando com ela:
- Como ela vai?- ela se virou para mim tensa e me olhou feio.
- O que veio fazer aqui? Perséfone é minha responsabilidade.- ela disse e eu respondi:
- Todos os cavalos da equipe são nossa responsabilidade Haley. Você pode me detestar, e acredite, algumas vezes eu também me acho o maior babaca, mas me deixe ajuda-la, por favor, pela equipe.E eu trouxe comida, você precisa comer se quiser aguentar a noite toda. –ela apenas deu de ombros e voltou ao que tinha que fazer. Coloquei a mochila que havia trazido no canto da baia e me aproximei de Persefone e comecei a falar com ela:
- Oi menina linda, tem sentido muita dor? – e a égua bufou e eu sorri:
- Nós vamos cuidar bem de você, para que você esteja ótima amanhãok?- e comecei a falar na lingua nativa do meu povo e ela pareceu relaxar. Após algum tempo, troquei de lugar com a Haley para trocar as bandagens e até tirei a camiseta, pois estava quente demais, e continuei falando com Perséfone. Era um trabalho exaustivo, pois tinhamos que acalmar o cavalo, trocar as bandagens, controlar se não havia febre, caso houvesse deveriamos chamar o veterinário. Então perdi a noção de quanto tempo estava ali falando com o cavalo, quando ouvi a voz da Haley:
- O que é que você fala para ela?Notei que os sons das palavras mudaram, não são as mesmas palavras que você falou ao seu cavalo antes. Não que sejam da minha conta...Ah esquece....- ela disse na defensiva.
- Você tem bom ouvido, eu conto lendas da tribo ou às vezes falo a eles sobre os meus dias.Algumas vezes a gente precisa ter alguém só para nos ouvir, mesmo que sejam um animal.- eu disse e quando vi que seus olhos se arregalaram, pensei: ‘ela me reconheceu’, mas logo ela desviou os olhos e pegou outras bandagens para usarmos, estava pensativa. Perséfone, bufou inquieta e eu disse:
- Não tenha ciúmes, minha linda, vamos te dar atenção. E sim, eu sei que Hades é um egoísta, e você tem razão de estar zangada por ele não estar na baia ao lado, sendo solidário com você, mas ele é um macho, e nem todos lidam bem com as dores de suas namoradas. Homens são frouxos. - ouvi um risinho e era Haley. Sorri e ela retribuiu, balançando a cabeça, vi que ela bebia uma das garrafas de suco de abóbora que eu havia trazido, então continuei:
- Também falo sobre minha familia...
- Então a mulher loira que sempre esta perto de você é da sua familia?- ela disse eu respondi:
- Sim é a minha mãe. Ela era maravilhosa e morreu jovem, quando minha irmã era pequena.
- E porque, ela não vai para a luz? O que a impede?Sabe que podemos ajudar...- ela quis saber e vi que ela estava comovida e eu disse:
- Ela me disse que quando eu estiver pronto, ela vai seguir seu caminho, então não forço nada, espero acontecer.- Ficamos nos olhando e ela voltou a cuidar da égua, ficamos um tempo assim e ai começamos a conversar, e vimos que tinhamos gostos em comum, falamos sobre a competição, as outras escolas e seus tipos diferentes.Depois vimos que Persefone, estava bem melhor, e resolvemos comer as coisas que ainda estavam na mochila. Estavamos bem perto um do outro, e Haley estava com o queixo sujo de molho, e passei a mão para limpar, ficamos nos olhando e eu comecei a me aproximar dela, e até esperei que ela se afastasse, mas ela se manteve firme, com os olhos presos aos meus...
- Justin! Ai está você, te procurei por todos os lugares, nós íamos nos ver, lembra? Ah, oi!- era Victoire, e ela olhava um pouco irritada para Haley, que se levantou e voltou a cuidar do cavalo, e me disse:
- Justin, vá com ela. Tudo o que podíamos fazer, foi feito, agora é esperar. Obrigada pela ajuda.
- Viu, ela não quer você aqui.Vamos embora! – e não vi outra alternativa senão sair dali junto com Victoire, e confesso que a chegada dela, e seu jeito de ‘bancar a namorada’ haviam me irritado.
Mais tarde, até dei uns beijos nela, mas eu estava com o pensamento na Haley e em nosso tempo juntos sem brigar, quando Vic disse:
- O que está havendo com você? Parece desligado.
- Eu estou cansado...Seria bom ir dormir...
- Você não estava assim quando estava com a Haley, aliás estava muito animado. O que é? Está a fim dela?
- Victoire, você é uma garota muito legal, mas esta sua atitude de bancar a namorada ciumenta, não combina. E se for para você agir assim, acho melhor cada um ficar no seu canto, para não estragar a amizade.
- Você está me dispensando? Você? Esta é boa.
- Vic... podemos continuar amigos...
- Não! Eu não quero ser sua amiga, aliás não quero nada com você. – ela começou a se virar pra ir embora mas se voltou e disse:
- Você está fazendo isso porque pensa que a Haley vai cair na sua lábia, não é? Pois saiba que ela não vai fazer isso, mesmo você tendo bancado a babá de cavalo hoje. E sabe porquê? Ela não vai querer ficar com alguém que humilhou o namorado dela na frente dos amigos, por uma besteira como um uniforme, ela é do tipo que gosta de maturidade, e você ainda tem muito o que aprender. – ela foi embora e eu fiquei pensando em suas palavras e só podia esperar que Haley houvesse me conhecido um pouco, e quem sabe assim pudéssemos ter uma chance.

Tuesday, November 23, 2010


Lembranças de Artemis A. C. Chronos

Os jogos haviam finalmente começado!

E com eles o meu jogo pessoal de implicância com a tal Melina.
Em respeito a Tuor, eu evitava implicâncias fortes e nós duas mantínhamos as aparências perto dele. Mas quando ele estava longe, nós sequer nos olhávamos.
Ela ainda fazia questão de se jogar nos braços dele o tempo todo, porém depois do primeiro reencontro, Tuor a tratava normalmente. Eu sabia que era por causa do fato dela ter se declarado para ele nas férias e ele ter dito que queria apenas amizade. Mas ela não perdia chance de estar perto dele o tempo todo. Notei como Maeglin observava isso e não foi difícil perceber que ele gostava de Milena.
Fora Milena, eu me dava bem com todos os amigos de Tuor, principalmente Tricia e Turin, que eram muito alegres e divertidos. Elwing, por ser muito amiga de Milena, às vezes me olhava azeda também, mas não implicava comigo o tempo todo.
- Arte, por favor. – Tuor falou na manhã do segundo dia. – Tente entender: você é minha melhor amiga e ela minha amiga de infância, por favor, tenta se dar bem com ela? Tenta imaginar minha situação!
- Vou tentar. Mas fale para ela também, não sou eu que fico provocando. – Eu falei, teimosa e ele suspirou, dizendo que já tinha falado com ela.

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Minha primeira competição já começaria na segunda-feira e seria na montaria individual. E eu iria competir com Milena.
O meu desejo de ganhar dela era tanto, que eu corria o risco de cometer falhas devido a isso.
Haley sentiu meu nervosismo, assim como Scadufax, o cavalo que eu montaria na competição. Assim que cheguei no estábulo, ele se encaminhou para mim, esfregando o focinho com carinho em mim, enquanto eu sorria nervosa. Haley estava comigo, e acariciou-o do lado do corpo.
- Ele está sentindo seu nervosismo também, Arte. Fica calma, vai dar tudo certo. – Haley falou, encorajadora, enquanto me passava o boné que usaria na competição.
- Estou tentando! – Eu sorri nervosa e ela riu.
- E pára de pensar em derrotar só a Milena. Você tem que ficar calma, hein? Você vai dar uma surra nessa garota! – Ela falou e batemos a mão no ar, enquanto eu guiava Scad para fora.
Ele balançava sua cabeça nervoso, ressonando comigo. Eu me senti culpada por deixá-lo assim e acalmei-o, até que lentamente ele pareceu mais calmo. Quando cheguei no circuito de prova, Suzannah, prima de Haley, terminava seu circuito e havia sido muito bem feito.
Eu acariciava Scad enquanto aguardava minha vez. Milena aguardava junto de mim, pois eu me apresentaria antes dela. A prova era complexa, pois o circuito tinha muitos obstáculos para se pular e ultrapassar. Scad não teria muito trabalho com eles, mas como eu continuava nervosa, sabia que podia atrapalhar.
- Nervosa? – Milena me perguntou, a voz tentando ser amigável.
- Nem um pouco, e você? – Menti.
- Eu sei que vou ganhar de você. Trosti é maravilhosa. – Ela falou, acariciando sua égua.
- É o que veremos. – Eu respondi, apertando a mandíbula com raiva.
- E então irei comemorar com o Tuor... E você vai chorar nos braços de seu namorado. – Ela falou, me olhando intensamente. Eu mantive o olhar e sorri com prazer ao ver que ela desviou o olhar antes.
- Covarde. – Eu falei, colocando o capacete e guiando Scad para o local de início, pois era minha vez.
Eu queria muito vencê-la, ainda mais depois dessas suas provocações baixas. Scad voltou a ficar mais nervoso, e quando o montei no local de largada, acariciei-o com carinho, tentando acalmá-lo. Porém eu mesma não estava calma.
Ouvi o disparo ordenando o início e o incitei a frente. Ele começou a trotar com leveza, mas suas passadas estavam um pouco inseguras e sei que os juízes perceberiam. No primeiro salto, derrubamos a última trave e soube imediatamente que foi minha culpa, pois o incitei ao salto cedo demais.
Eu praguejei e limpei a mente, enquanto rodava a arena para os próximos obstáculos. Scad me sentiu mais calma, e começou a melhorar, mas ainda derrubamos mais duas traves. Quando terminei meu ciclo, recebi as palmas da platéia, mas sabia que não tinha ido bem.
O pódio final foi: Suzannah em primeiro, Milena em segundo e eu em terceiro. Milena me olhava com um sorriso vitorioso, sem se importar com o fato de ter sido a segunda colocada. O que ela queria mesmo era me vencer. E eu me deixei levar e ela conseguiu.

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Na terça seguinte eu tive a chance de me vingar de Milena e do jeito como ela me olhou quando me ganhou na montaria.
Hoje seria o dia em que eu participaria na Esgrima, a modalidade que eu mais desejava medalhas.
A primeira chave que participei, foi a de Florete, em que eu e Haley estávamos na mesma chave e nós duas conseguimos chegar a final.
- Boa sorte! – Nós nos desejamos, enquanto colocávamos os capacetes de esgrima, tocando a ponta de nossos floretes no ar em saudação.
Eu fiquei orgulhosa de enfrentá-la. Haley competiu com bravura e agilidade, e conseguiu me acertar um golpe no peito, quando eu deixei minha guarda baixa. Em seguida trocamos golpes com rapidez, e o duelo tornou-se equilibrado. Nós conhecíamos muito bem o estilo de luta de cada uma e logo podíamos prever nossos movimentos. Mas consegui surpreendê-la e forçá-la a recuar um passo, dando a abertura que eu precisava. A abracei feliz e orgulhosa, enquanto dividíamos o pódio.
Então veio o combate que eu esperava. Espada.
A espada era a minha arma de escolha. E eu havia treinado exaustivamente com ela. E hoje tinha mais um motivo para querer ganhar: Milena estava na minha chave.
Eu observei todos os seus duelos, estudando seus movimentos e golpes, observando suas falhas, falsetes e estilo. Eu sabia que ela também me observava em cada um dos meus duelos. Silenciosamente, nós duas havíamos tornado aquele combate um combate sério. A final foi entre eu e ela.
- Boa sorte. – Eu falei, colocando o capacete. – Hoje, eu irei comemorar.
- Boa sorte. – Ela respondeu. Nossos olhos brilhavam e havia tensão no ar. Nossos amigos nos assistiam e eu podia sentir Tuor dividido entre qual torcer. Mas eu não perderia aquele duelo jamais. Fechei meus olhos e me posicionei para o duelo, respirando fundo e limpando minha mente de qualquer pensamento.
Milena iniciou o duelo com uma rápida estocada na direção da minha barriga. Porém, eu já esperava isso e girei o punho aparando seu golpe. Fiz um arco com minha espada e consegui forçá-la a baixá-la a minha direita, estocando em seguida. O juiz sinalizou meu primeiro toque em seu peito. Nos afastamos e senti o modo como ela estava irritada. Eu não podia estar mais feliz.
Em seguida, eu comecei o ataque, forçando-a com uma sucessão de estocadas. Milena tentou manter sua posição mas logo foi obrigada a recuar e eu acertei um golpe lateral em sua cintura, recuando em seguida, ao ouvir a sinalização do juiz. A tensão do público aumentava, pois todos podiam ver que Milena estava se deixando levar pela emoção.
Os embates seguintes foram dominados por mim, e eu ganhei mais 2 pontos antes de Milena conseguir reagir. Ela passou então a tentar golpes mais difíceis e confesso que me deu trabalho. O duelo já estava chegando a 10 minutos quando consegui acertar o último ponto, acertando um toque em seu pescoço.
Eu me afastei com calma, mas extremamente feliz. Tirei meu capacete e sorri para Milena, que retirava o seu. Ela me olhava irritada, mas apertou minha mão como pede a etiqueta.
- Vá chorar com seus amigos agora. Mas não o Tuor. – Eu falei azeda e virei as costas. Meus amigos vinham me dar os parabéns e após beijar Stefan, abracei Tuor com alegria.
E eu tinha conseguido o ouro que eu mais desejava.

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A Arqueria era outra que eu desejava muito ganhar.
Dessa vez eu e Milena estávamos em modalidades diferentes, o que era uma pena, pois queria enfrentá-la uma vez mais.
Eu me classifiquei para a etapa eliminatória com uma boa pontuação e nas semi-finais enfrentei Lizzie no Arco Composto. A diferença entre nós duas foi pequena, mas passei para as finais, onde enfrentaria uma garota chamada Leonora, da Durmstrang. Antes da competição, estávamos próximas arrumando nossos arcos.
- Oi, boa sorte! – Ela falou animada, e eu apertei sua mão animada.
- Boa sorte também. Você teve excelentes pontuações até agora. – Eu comentei.
- Obrigada, você também. Acompanhei suas partidas. Você é Artemis, certo?
- Sim, e você Leonora.
- Você é a namorada do Stefan, não é?
- Sou, como você sabe?
- Eu a tenho visto com Stefan por ai. Conheço os Salvatore desde pequena. – Ela falou e rimos juntas.
- Esse mundo é muito pequeno!
- Com certeza! – Ela concordou. – E você se dá bem com o Damon? Sei como ele pode ser dificil às vezes.
- Um pouco...E você? – Eu falei, evasiva.
- Sempre me dei melhor com ele, é mais divertido! – Assim que ela terminou de falar, Damon apareceu perto de nós. Eu esperei que ele viesse falar comigo, pronta até para ser grossa com ele, mas ele encaminhou-se para Leonora e a beijou. Eu disfarcei minha surpresa, afinal ela não era o tipo de garota com quem ele saía, então não pude evitar de deixar minha boca abrir sozinha.
- Boa sorte, estarei te esperando para comemorar, Leonora Marie! – Ele falou, sorrindo para ela de forma intensa. Depois ele olhou para mim. – Boa sorte, cunhadinha.
Eu assenti, enquanto Leonora sorria meio vermelha. Sorri para ela também, enquanto éramos chamadas para a partida.
Aquilo havia mexido comigo. Odiava perceber e admitir isso, mas havia mexido comigo. Droga, Damon não significa nada!
Na primeira rodada eu lancei flechas muito ruins e pontuei muito pouco se comparado com Leonora. Ela me olhou curiosa, e eu sorri nervosa. Respirei fundo antes da segunda rodada e consegui disparar flechadas melhores, mas ainda nada se comparadas com meu nível normal. Houve um tempo para os competidores se prepararem e me sentei frustrada no banco. Essas olimpíadas estavam mostrando o quanto eu ainda preciso aprender a me controlar.
- Ei, Artemis o que foi aquilo? – Leonora perguntou, sentando do meu lado.
- Fiquei um pouco nervosa. – Dei de ombros.
- É por causa do Damon? – Ela perguntou, diretamente. – Eu sei que ele já quis ficar com você.
- Como...? – Eu consegui falar, ainda chocada.
- Ele me contou, aliás somos muito honestos um com o outro, por isso nos damos tão bem. Sei que você está namorando o Stefan, sabe Odin, por quê (ofeguei), mas uma coisa eu posso dizer: Damon é o melhor garoto que eu já conheci e é muito especial para mim, então não faça jogos com ele ok?Conheço seu tipo.- disse sarcástica:
- Não, você não me conhece e eu não estou fazendo jogos nem com ele nem com ninguém.- interrompi encarando-a, mas ela continuou:
- Pois esta sua reação me pareceu o contrário, então em nome do espírito esportivo vou te dar um aviso: Não ouse magoar ao Damon ou eu vou atrás de você, sem piedade. E não me importa que você seja considerada uma “princesinha fofa” - Ela disse fazendo aspas e eu encarei-a séria.- Elas são tão especiais quanto cereal murcho pela manhã. Quem a todos quer, acaba ficando sem ninguém, pensa nisso. – Ela se levantou, mas segurei-a pela mão e ela me olhou com raiva. Meus olhos também brilhavam de raiva.
- Quer o Damon? Engula ele. Eu não podia me importar menos com ele, ou com você. – Eu falei com raiva. – Gostaria de ter sido sua amiga, mas se falar assim comigo novamente, acredite, você vai se arrepender e vai ver que eu sou tudo, menos uma “princesa indefesa” – Falei, imitando sua voz. Agora eu também estava de pé e nos encarávamos. - E se não confia em si mesma, o que eu posso fazer?
Ela sacudiu minha mão, tentando se soltar, mas mostrei que era mais forte e a segurei mais um tempo, enquanto a olhava com intensidade.
Depois a larguei e passei por ela sem olhar para trás, mas ouvi suas gargalhadas. Leonora Marie, você vai se arrepender.
A raiva, tanto dela, quanto de Damon, serviu para me fazer me concentrar mais e consegui recuperar meus disparos. Na última rodada, tínhamos empatado, porém ela ainda disparava muito bem e conseguiu ganhar o ouro, por pouca diferença. Damon foi o primeiro a parabenizá-la com um beijo digno de cinema. Eu ignorei aquilo e beijei Stefan também. Mas ainda estava incomodada com o Damon.

Wednesday, November 17, 2010


Austrália, Novembro de 2014
Temperatura: 40º


Depois da cerimônia de abertura e o banquete oferecido no castelo, as delegações foram liberadas para passear pelos terrenos da escola e começar a se familiarizar com as instalações e, mais importante, com o clima. O calor não era algo fácil de suportar para aqueles que não estavam acostumados, e isso se aplicava a quase 70% das delegações presentes. O constante sol forte brilhando no céu já começava a derreter os neurônios da galera.

A vila Olímpica onde estávamos hospedados era simplesmente linda. Vários chalés foram construídos em uma área afastada do castelo e todos eram cercados por árvores, o que dava muita sombra, e pequenos lagos que já estavam preparados para as equipes de canoagem competirem. Tinha um chalé central, muito maior que os outros, onde serviam as refeições, e o gramado em volta de toda a vila olímpica era como um imenso tapete verde. Atrás dos chalés tinha uma colina baixa, onde do outro lado ficava um enorme campo onde aconteceriam os jogos de trancabola e as provas de montaria.

As competições começaram oficialmente na segunda-feira, mas minha programação não começava antes de quarta-feira, onde teriam as primeiras eliminatórias do Triatlo, e para estar bem preparada Arte e eu havíamos combinado de treinar a parte de ciclismo com o MJ. Ele ia disputar a prova do Down Hill, que era uma prova só com descidas extremas em montanhas, e prometeu nos ensinar algumas manobras para o caso de precisar desviar de algum buraco no caminho. Como ele já estava atrasado e sabia que ele estava treinando para a competição de Patinação de Velocidade que aconteceria no dia seguinte, fui atrás dele na Arena Paraíso, como tinha sido apelidada a arena onde aconteceriam as provas no gelo.

Assim que me viu fez sinal para que esperasse um instante, pois já estava terminando uma seqüência de voltas com Tuor e Elena. Na verdade, não me incomodaria se ele ficasse ali por mais algumas horas. Quando encostei no muro de madeira que separava as arquibancadas do gelo um ventinho gelado subiu no meu rosto e acho que até amoleci um pouco, já tinha esquecido o que era sentir um pouco de frio depois de 3 dias longe de Hogwarts. A temperatura lá dentro estava tão agradável que não resisti em colocar um par de patins e me juntar ao grupo que patinava no centro do rinque, para não atrapalhar os velocistas.

Eu estava longe de ser uma patinadora excepcional, mas também não era ruim. Sabia deslizar no gelo sem problemas, até correr sem cair eu conseguia, meu único problema era parar. Não tinha como frear aquela coisa sem capotar, tenho cicatrizes que não me deixam mentir, então para não fazer papel de idiota na frente de todas as escolas do mundo bruxo, me limitei a patinar devagar pelo centro do rinque. Deslizava tão lentamente que deviam achar que estava só fazendo um reconhecimento do gelo.

- Com essa rapidez toda, aposto que vai competir na Patinação de Velocidade. Acertei? – ouvi a voz de um menino que não conhecia atrás de mim. Ele era mais alto que eu e tinha o cabelo penteado pro alto, como um moicano.
- Só se for competir com tartarugas – respondi sem parar, afinal, não sabia como.
- Nesse caso você talvez tenha uma chance, mas não sei... – ele fez uma cara pensativa e ri – Algumas delas são bem velozes.
- Não é legal debochar de pessoas que nem conhece – falei tentando ficar séria, mas sem muito sucesso.
- Ok, desculpa, mas é que você está se destacando aqui dentro – ele apontou pros patinadores em volta – Ninguém está patinando a menos de 40 km/h.
- Só estou matando o tempo enquanto espero uma pessoa terminar o treino, não pode?
- Seu namorado vai competir na Patinação de Velocidade?
- Isso funciona? – não resisti e ri – De mencionar namorado pra ver o que a garota responde?
- Algumas vezes – agora era ele que ria – É algo que não conseguimos controlar.
- É bem idiota. E não, não é meu namorado, é meu amigo. Ele vai treinar ciclismo comigo.
- Ah, é idiota, mas você respondeu – revirei os olhos e ele sorriu – Vai competir em que prova de ciclismo?
- É pro triatlo, ele só vai nos acompanhar no treino.
- Ah, você vai disputar triatlo? – ele sorriu engraçado e se aproximou – Posso pedir um favor? Se por acaso, quando estiver no alto da montanha pedalando, ver uma garota com Karev escrito na camisa, se importa de dar um empurrãozinho de leve e atirá-la lá de cima?
- Ex-namorada vingativa?
- Não, só uma pedra no meu sapato. Parece que é “ilegal” – e ele fez aspas com os dedos, me fazendo rir – garotos baterem em garotas, mas você é uma garota, então não tem problema, certo?
- Não tenho problema em bater em alguém, mas não vou matar sua amiga, desculpe.
- Droga! – ele fingia tão bem que por um instante achei que estivesse mesmo chateado por eu não ter topado matar alguém – Tudo bem, eu encontro outra forma de me livrar dela. Mas diga, por que está patinando como uma preguiça no meio dessas pessoas em alta velocidade?
- Porque eu não sei parar, ok? – falei de uma vez, já tinha percebido que ele não ia desistir – Não me importo de cair quando patino no lago da minha escola, mas acabei de conhecer essas pessoas, não deixaria uma boa impressão.
- Ah mentira que você não sabe frear? – ele riu, mas como continuei séria ele parou – É muito fácil, vou te ensinar, vamos.

Ele segurou minha mão e começou a patinar devagar ao meu lado, mandando que copiasse seus movimentos. Enquanto estávamos cruzando o gelo foi fácil, mas quando ele virou o pé para frear o dele e fiz o mesmo, perdi o equilíbrio e cai pra frente. Ele tinha um reflexo bom, porque me agarrou depressa e evitou que me esparramasse no gelo.

- Não precisa pisar com essa força toda, assim vai abrir um buraco no gelo. Só vire o pé, deslize ele. Não crave a lâmina no gelo, senão vai capotar de novo.
- Ok, mais uma tentativa. Espere do outro lado, mas não me deixe cair!

Ele fez sinal positivo e foi até o outro lado do rinque me esperar. Cheguei até ele rápido, mas quando fui repetir o que ele mandou, capotei outra vez. Ele me pegou rápido de novo. Foram quatro tentativas ao todo, e na última eu capotei tão feio que por pouco não caímos os dois.

- Está cravando ainda, deslize!
- Eu sei, eu sei! – me soltei das mãos dele impaciente – Vai pra lá!

Ele patinou até a outra ponta de novo e dessa vez estava bem longe. Tomei impulso para começar, pegando cada vez mais velocidade, e quando estava a centímetros dele inclinei o pé direito e joguei-o para frente. Já estava de olhos fechados esperando a pancada e só percebi que estava parada de pé quando ele gritou.

- Isso ai! – ele esticou a mão para eu bater – Conseguiu! Parou!
- Que bom que funcionou dessa vez, porque agora íamos cair.
- É, eu já estava preparado pro impacto – ele fez uma careta e rimos - Quanto mais devagar estiver, mais difícil fica, o segredo é correr.
- Está pronta? – ouvi a voz de MJ e ele acenou do outro lado – Podemos ir.
- Obrigada pela aula, mas tenho que – bati na mão dele e comecei a me afastar.
- Ei, você não me disse seu nome! – ele me parou na metade do rinque.
- Clara, delegação de Hogwarts – estendi a mão sorrindo.
- Oscar, Durmstrang – ele apertou minha mão animado – Mas me chame de Ozzy.
- Ok. Até mais, Ozzy.
- E pense um pouco sobre a proposta do triatlo, não descarte assim tão cedo!
- Vou pensar no seu caso!

MJ estava parado me esperando na saída do rinque e saímos juntos quando o alcancei. Arte já estava nos esperando na pista de Mountain Bike pronta para começar. Quando passamos pela parte alta da colina, beirando um barranco imenso, comecei a rir e eles não entenderam nada. Claro que não ia jogar a garota lá de cima, mas se tivesse certeza que ela sobreviveria à queda, não nego seria engraçado. Quem sabe na parte baixa da colina, onde ela só iria deslizar uns 3 metros areia abaixo...

Saturday, November 13, 2010


Lembranças de Artemis A. C. Chronos

Assim que as comissões foram liberadas, houve muita confusão enquanto todos começavam a procurar os seus conhecidos em outras escolas. Nós ficamos junto de Clara e logo encontramos Devon e Gabi amigos de Clara e nossos também.

Eu estava morrendo de calor! Visitei algumas vezes o Brasil e o Texas era como minha segunda casa, mas meu clima sempre seria o frio e chuvoso clima londrino. A Austrália era muito quente e todos da delegação de Hogwarts, com exceção de Julian, Clara, Justin e Haley, correram para o salão de jantar assim que soubemos que o clima lá dentro era mais fresco.

Stefan tinha ido procurar alguns conhecidos de outras escolas, então quando entramos no salão de jantar, Tuor nos acompanhava, ao meu lado. Ela esticava o pescoço em volta o tempo todo e eu sabia porque.

- Procurando a namorada? – Eu brinquei, enquanto ele olhava uma vez mais em volta.
- Ai não fale essa palavra, tenho calafrios igual a Clara! – Ele reclamou. Keiko sorriu, dando um beijo no rosto dele.
- Então está procurando alguma outra “amiga”? – Ela falou rindo.
- Estou procurando uma amiga mesmo. Mas não como você, querida. Você é única. – Ele falou, sorrindo para Keiko. Ela sorriu de volta, mas logo já estava olhando em volta. – Nem como você, Arte, você também é única!
- Uau, já somos duas únicas! – Eu falei, batendo a mão no ar com Keiko.
- Você é único lá em Hogwarts. Mas aqui... – Ela falou se abanando, enquanto passávamos por alguns garotos que pareciam sofrer mais com o calor do que nós.
- Sinta-se a vontade! – Tuor falou rindo, e todos nós rimos junto.
- TUOR!

Eu quase pulei com o grito. Uma garota, mais alta que eu, com uma beleza típica nórdica, de cabelos curtos e loiros, e olhos castanhos, era a fonte do grito. Ela estava com um sorriso gigantesco, enquanto se jogava nos braços de Tuor, abraçando-o com força. Tuor gargalhava, enquanto rodopiava com ela. Eu fiquei chocada.
Peraí! Como assim eu fiquei chocada?! Quem era aquela garota?! Por que o tratava assim! Tuor era meu melhor amigo e EU não o tratava assim! Todos ficaram olhando curiosos para ela, e vi como os garotos a observavam. Jamal já sorria, enquanto conferia a aparência no vidro.

Depois outras pessoas chegaram, e logo haviam mais gargalhadas e gritos, enquanto Tuor era abraçado por todos eles. Um garoto mais velho que nós, idêntico à primeira garota, gargalhava enquanto segurava Tuor com uma chave de braço. Um outro garoto, da mesma altura que Tuor, com olhos azuis e cabelos pretos sorria olhando para Tuor, e mantinha-se perto da primeira garota. Haviam outras duas garotas, menos histéricas que a primeira, mas igualmente animadas. Uma era da minha altura com cabelos castanhos e olhos verdes, enquanto a outra era um pouco mais alta que eu com um cabelo ruivo bem claro, e olhos azuis.

- Garotão! Sentimos sua falta! Aquele gelo não é a mesma coisa sem você! – O garoto mais velho falou gargalhando.
- E que calor infernal é esse?! Eu nunca senti tanto calor na vida! – O outro garoto reclamou. Ele estava vermelho, assim como todos eles.
- Eu avisei que faria calor, alguém me ouviu? – A ruiva falou, rindo. Ela parecia mais a vontade, mas também estava vermelha de calor.
- Sentimos tanto a sua falta! Senti tanto a sua falta! – A primeira garota falou, ainda abraçada ao braço de Tuor.
- E eu senti a de vocês! Como estão as coisas por lá?! – Ele perguntou animado. Enquanto isso, eu me sentia uma invasora, esperando ele terminar de falar com eles. Meus amigos também esperavam e olhavam todos com curiosidade.
- Vão bem, Morgorion continua o mesmo de sempre! Ele fez todos treinarem que nem um doido! – A outra garota falou.
- Bom no final do ano você estará de volta. – A garota loira falou e vi seus olhos se iluminando de felicidade. Então eu tive certeza de quem era ela: Milena. Meu coração afundou naquela hora. Eu e Tuor não comentávamos sobre isso e ver aquela garota falando assim me fez sentir raiva e dor.
- Ei, Tuor, você era mais educado, não vai apresentar seus amigos? – A ruiva perguntou, olhando curiosa para nós. Nossos olhares se cruzaram e ela sorriu para mim. Eu senti que me daria bem com ela.
- Desculpem! – Ele falou, tanto para eles quanto para nós. Ele sorriu para mim e me puxou pela mão para perto dele.

Todos se aproximaram de nós e Keiko estava do outro lado de Tuor. Eu a olhei e ela entendeu meu olhar, cúmplice. A tal Milena logo se afastou dele olhando com intensidade para mim. – Deixem apresentar todos. Estes são Artemis, Keiko, Clara, Haley, Julian, Justin, Hiro, Jamal, JJ, MJ, Rupert, Elena, Devon e Gabi, certo? – Ele falou olhando para os dois últimos que assentiram. – E estes são: Milena, Turin, Maeglin, Elwing e Tricia, meus amigos do Instituto Norueguês de Magia.

Nós todos nos cumprimentos alegres, envolvidos pela alegria de Tuor que tinha esse dom especial. Todos esses seus amigos tinha pele clara e aparência nórdica, mas não como Tuor. Eles nos receberam bem, mas quando beijei educadamente o rosto de Milena, senti que as duas não gostavam disso.

- Peraí, você é Arte? – A ruiva, Tricia, perguntou, curiosa.
- Sim, por que? – Eu perguntei curiosa, olhando para Tuor que sorriu.
- Ouvimos muito falar de você! – O garoto mais velho, Turin, falou sorrindo para mim. – Tuor vive falando de você!
- É verdade. – Milena falou, com um toque azedo na voz, me olhando com intensidade.
- Ele sempre fala de todos vocês, na verdade. – Maeglin falou. – Mas sempre fala muito de você, Artemis. Diz que é a grande amiga dele. A Monitora que tem que deixá-lo nos eixos!
- Mas isso é verdade, se não fosse a Arte, nosso Tuor estaria perdido. – Clara falou rindo.
- Eu também já ouvi muito falar de vocês. Principalmente de você, Milena. – Eu falei, também com a voz azeda. Apenas as garotas perceberam. Tricia abriu um largo sorriso.
- Gostei de vocês. Fizeram um bom trabalho cuidando desse garoto. Ele precisa sempre de coisas assim! – Tricia falou, revirando os olhos.
- Ah também não é assim! – Tuor falou, agora ficando sem jeito.
- Ah não? Sei. Se não fosse por mim você teria virado picolé de tanto tédio! – Turin falou gargalhando. Milena era irmã dele, e eles eram idênticos. Porém eu conseguia gostar de Turin, mas não dela.

Nos sentamos todos juntos numa única mesa e começamos a conversar. Eu fiz questão de sentar do lado de Tuor, enquanto Milena correu para sentar do outro lado. Ela logo se pendurou em seu braço, dizendo que estava com saudades e me fazendo ter enjôo. Stefan nos achou depois e Hiro deixou-o sentar do meu lado e ele logo foi apresentado a todos.

- Eu crente que ela não tinha dono! – Turin brincou e logo Stefan ria.
- Ela não tem dono. Ela é minha namorada, mas se eu falar que sou dono dela, ela é a primeira a me matar! – Ele falou, e meus amigos riram juntos.
- Essa princesinha tem um soco forte, Turin, mais do que você se bobear! – Tuor falou. Eu dei um tapa nele à menção do apelido. Vi Milena enrijecer ao ouvir Tuor me chamando assim e vi que ela queria saber o porquê. Sorri, encontrando a forma de ir à forra.
- Duvido! – Turin falou, admirado.
- É melhor não, Turin, nenhuma dessas quatro é indefesa. – Justin falou sorrindo.
- Acredite quando eu digo: as quatro te fariam ficar desacordado! – Julian emendou e logo todos riam. Explicamos que todos nós quatro sabíamos ao menos uma arte marcial e os garotos ficaram admirados.
- Mas aqui está muito quente! – Eu falei, e eles concordaram comigo. Tuor caiu na isca.
- Princesa, você reclama muito! Não está aqui a mais do que 24 horas! – Ele falou, eu dei outro tapa nele.
- Princesa?! – Ouvi Milena sussurrar para Elwing. Elas olharam sem entender de mim para Stefan, que estava abraçado a mim. Justin captou meus pensamentos e sorria malicioso. Clara também sorria. Os dois sabiam que eu estava adorando ver aquela garota assim curiosa e em dúvida.

Eu sabia que Milena gostava do Tuor e vi com prazer o modo como ela me encarava. Seria um longo período essa Olimpíada. Ainda mais que eu não gostava nem um pouco da amiga de infância atirada do meu melhor amigo.

Friday, November 12, 2010


Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts, Novembro de 2014.


V OLIMPÍADAS BRUXAS INTERESCOLARES

A delegação de Hogwarts partirá para o Instituto de Bruxaria de Melbourne às 17h do dia 13 de Novembro. Todos os alunos inscritos nas competições deverão estar no salão principal do castelo meia hora antes.

Minerva McGonagall
Diretora.


O aviso da data e hora da partida da nossa delegação podia ser visto em qualquer mural do castelo, garantindo que ninguém esquecesse, como se isso fosse realmente possível. Desde o anuncio dos Jogos Olímpicos o assunto na escola não era outro e com a proximidade da partida era até uma ofensa tentar encontrar algo mais sobre o que conversar. Dois dias antes da saída da delegação os centros de treinamento instalados nos terrenos da escola foram desativados e quando nos demos conta, estávamos em um muito agitado dia 13 de Novembro, arrumando nossas malas em uma euforia descontrolada.

Às 16:30 em ponto estávamos todos amontoados no salão principal com nossas mochilas enquanto tio Ben tentava organizar os alunos por turmas. Demorou um tempo, mas estávamos finalmente enfileirados de acordo com nossas turmas e uma a uma as fileiras foram guiadas para o lado de fora e embarcando nas carruagens que nos levariam até o Expresso de Hogwarts. Nunca havia feito nenhuma viagem naquele trem que não fosse de King’s Cross até Hogsmeade ou ao contrário, e aquela não seria uma viagem comum. A Austrália ficava em outro continente e o trem havia se transformado em uma espécie de Noitebus, que nos transportaria até lá como se não tivéssemos saído dos trilhos.

A viagem durou cerca de quatro horas, e quando chegamos à escola australiana apenas o diretor e alguns professores estavam recebendo as delegações. O calor era de matar. Eu, Haley, Justin e Julian estávamos acostumados ao clima, mas nossos amigos estavam derretendo. Iam ser duas longas semanas para eles. Fomos acomodados em chalés afastados do prédio central da escola e nenhum tipo de contato com os alunos de lá foi feito naquela noite. Só estaríamos juntos das outras delegações na manhã seguinte, quando a cerimônia de abertura aconteceria. Só nos restava dormir, ou tentar, e esperar que os jogos começassem.

ººººººº

Instituto de Bruxaria de Melbourne, 14 de Novembro de 2014.


- Muito bem, atenção – McGonagall falava alto, mas ninguém estava dando muita atenção - Silêncio!

Estávamos todos prontos, depois de um café da manhã no próprio chalé, para deixar a estalagem e se reunir com as outras delegações. A cerimônia de abertura começaria em meia hora e a diretora tentava nos organizar e passar instruções de como deveríamos nos comportar, mas estávamos agitados demais para ouvir. Ela precisou de um grito para conseguir nossa atenção.

- Assim está melhor – ela voltou a falar em seu tom de voz normal – Vamos sair dentro de alguns instantes para os jardins da escola e nos reuniremos com as delegações de mais 20 escolas para a cerimônia. Quando estivermos lá, espero um comportamento exemplar de todos vocês. Hogwarts é uma escola de tradição e não vou admitir que vocês acabem com a reputação dela no primeiro momento de interação com o resto do mundo bruxo. Andem sempre nas fileiras que o professor O’Shea organizou, não desfaçam essa formação, e acompanhem meus passos. Vocês ficarão posicionados à direita da escola anfitriã no semicírculo, e à esquerda de Beauxbatons, respeitando a ordem de fundação das três escolas mais tradicionais – ela parou de falar um instante para checar se todos estavam prestando atenção antes de continuar – Srta. Weasley irá ao meu lado, à frente da delegação, carregando a bandeira de Hogwarts. Srta. Weasley, por favor.

Lizzie, que foi a mais votada entre os alunos, deu um passo à frente confiante e segurou o estandarte de Hogwarts, caminhando ao lado da professora McGonagall enquanto o restante da delegação as seguia em uma marcha quase militar. Tio Ben vinha fechando a fila, se certificando de que ninguém sairia da posição. A delegação da Austrália já estava posicionada no primeiro espaço do semicírculo e McGonagall nos conduziu ao segundo espaço, sempre com Lizzie à frente com a bandeira. Em ordem, a delegação de Beauxbatons se posicionou ao nosso lado, depois a de Durmstrang. Depois vi as delegações da Espanha, Irlanda, Estados Unidos, Noruega e várias outras entrarem e, uma a uma, tomarem seus lugares. Quando o semicírculo já estava completo, o diretor da escola parou ao lado de um microfone e depois de um aceno rápido aos diretores das escolas, nos deu as boas vindas e anunciou o inicio da cerimônia.

A cerimônia durou cerca de duas horas. Cada escola havia preparado uma apresentação sobre a cultura do seu país e depois o coral da escola australiana cantou a música tema das Olimpíadas. Ao fim das apresentações, os alunos responsáveis pelos estandartes se reuniram no centro do semicírculo e cada um hasteou a bandeira da sua escola. O diretor então fez um longo discurso sobre amizade e confraternização entre diferentes culturas e enfim declarou oficialmente o inicio da V Olimpíadas Bruxas Interescolares. E no minuto que fomos liberados, a organização das delegações foi pro espaço. Alunos que tinham amigos em outras escolas imediatamente começaram a procurar uns pelos outros e a confraternização tanto frisada no discurso do diretor começava a aparecer.

- CLARA! – ouvi uma voz carregada no sotaque francês me chamar – Clara! Aqui!
- GABI! – localizei a dona da voz e corri até ela, abraçando-a – Que saudade!
- Oi Clara! – Devon me puxou para um abraço apertado – Não andou devorando ninguém, não é?
- Ai Devon, que brincadeira idiota! – Gabriela reclamou e rimos.
- Humor de lobo – ele disse e ela revirou os olhos.
- Pessoal, vocês se lembram da Gabriela e do Devon, não é? – falei para meus amigos e eles assentirem, começando a trocar abraços e apertos de mãos animados.
- Gente, que ESTUFA é essa? – Keiko se abanava freneticamente, o rosto já vermelho – Já estou arrependida de não ter me inscrito em mais esportes aquáticos!
- Não estou sentido tanto calor assim – Haley falou com a cara mais natural possível.
- É, está até fresquinho. Olha que brisa gostosa! – emendei e todos começaram a nos xingar.
- Uh, Aussie bonitão na área – Haley me cuturou e olhei para o lado. Keiko tentava secar o suor do rosto depressa, sem muito sucesso.
- Não se preocupem, no nosso salão de jantar o clima é mais agradável – o garoto que carregou a bandeira da escola australiana passou do nosso lado e piscou – Se estiverem suando demais, corram para pegar um bom lugar e aguardar o banquete.

Ele não precisou falar duas vezes. A galera que não estava acostumada com sol quente saiu em disparada na direção do prédio central da escola e os acompanhamos, rindo das reclamações com o sol forte em pleno inverno, mas ninguém havia se lembrado que na Austrália já era quase verão. Morar no Brasil e no Texas tem suas vantagens, e acho que posso dizer que vamos nos sair muito bem nos jogos em céu aberto. Pra quem estava acostumada com 40º na sombra no ápice do verão, aqueles 30º da Austrália não passavam de um típico dia fresco da primavera. Essas Olimpíadas seriam mais divertidas do que eu imaginava.

Tuesday, November 09, 2010


Após o jantar, Arte e eu nos encontramos próximos ao lago. Fazia uma noite bonita e cheia de estrelas. Ela sorriu animada para mim e sorri de volta, observando que ela era capaz de gerar uma aura muito boa ao redor dela.

- Como vamos para Avalon? Vai fazer como da outra vez? E o que era aquilo? – Eu perguntei curioso. Chronos surgiu atrás dela, observando-nos.

- Uma de cada vez! Não, hoje eu o levarei para o lago de Glastonbury, onde fica a ilha. Quero que você veja a abertura das brumas, como retiramos a barreira. E aquilo que eu fiz é algo semelhante à aparatação, só que é mais complicado e poderoso. Eu às vezes chamo de dobra.

- A barreira não permite a aparatação dentro da ilha? – Eu perguntei, querendo confirmar minhas suspeitas.

- Sim, faz parte da história de Avalon. A barreira que Arturia ergueu impede que qualquer forma de movimentação espacial ocorra lá. Ela impede chaves de portais, aparatações e convocações. Apenas à rainha é permitido isto, através daquela magia que te mostrei. É na verdade a utilização dos poderes de Chronos para romper os limites do tempo e do espaço.

- Mas te cansa muito. Você ficou exausta daquela vez.

- Sim, quanto mais pessoas eu tiver que transportar, mais difícil, pois preciso usar mais os poderes de Chronos e os meus. Mas chega de conversa, minha mãe e minha prima já devem estar esperando.

- Mas suas primas estão aqui. – Eu comentei lembrando das três meninas que emanavam uma força semelhante a de Artemis. Assim que voltei de Avalon da última vez, reconheci nelas o poder de sacerdotisas.

- Minha prima mais velha. – Ela sorriu e fomos envoltos por plumas e uma luz intensa.

Surgimos nas margens de um lago e no centro dele eu podia sentir uma força, porém ela parecia distante, como se não estivesse ligada a esse mundo. A mãe de Arte, a Senhor Mirian, já nos aguardava acompanhada por Gaia. As duas pareciam versões mais velhas de Arte, sendo que Gaia era loira, ao contrário de Arte e Mirian. Eu já conhecia Gaia da casa de Julian, mas notei seu olhar curioso e quando fui cumprimenta-la, não peguei sua mão, mas sim seu antebraço e disse sério, sob os olhares atenciosos da senhora Mirian e Arte. O único que não deve ter ficado surpreso foi Chronos:

- Olá, sacerdotisa de Avalon. Esta noite, eu humildemente peço a você que seja a minha guia e me permita atravessar as Brumas com você.- na hora, ao redor de nossos braços unidos, um circulo de luz surgiu e pude ouvir o ofêgo de Arte e Gaia, que após o espanto inicial disse:

- Pois eu agradeço a honra de poder guiá-lo até a Ilha sagrada, Shaman. – e logo ela se encaminhou para as margens e parou ali, respirando lentamente. Eu ofeguei ao sentir a energia que ela liberou e senti como se algo no meio das brumas respondesse. De fato, logo após ela virar de lado para nós, uma barca surgiu no meio das brumas guiada magicamente até nós. Embarcamos todos e a barca moveu-se até o meio do lago, onde parou. Gaia ficou de pé e respirou fundo, levantando os braços acima da cabeça. Ela os baixou com determinação e senti sua vontade sobre a vontade da barreira e as brumas abriram-se lentamente, e a barca levou-nos até a Ilha. Quando aportamos nas areias brancas, e sentindo o poder que pulsava da Ilha, eu disse:

- Chronos, acho que Artemis precisa ter noção do que posso fazer, gostaria de começar aqui, tenho sua permissão?- e Chronos assentiu e me afastei alguns passos e disse em voz clara e forte:

- Que Avalon permita que este humilde servo conjure seu circulo de magia, para que sua rainha possa avaliar o meu valor. – e a Ilha pareceu responder assentindo, pois uma leve brisa com o perfume de flores que me lembrou muito Artemis, agitou as nossas roupas e eu prossegui, após respirar fundo:

- O ar que está por toda a parte, é o primeiro elemento que eu saúdo e peço que venha ao meu circulo.- e na mesma hora uma rajada de vento bateu em nossos corpos, agitando nossas roupas.

- Quando penso em meus amigos, sempre os vejo rodeando uma fogueira, rindo despreocupados. Peço que me ouça fogo, e traga o calor da amizade de meus amigos até este circulo.Venha fogo!- e na mesma hora de minhas mãos surgiram esferas de fogo, que eu lancei até uma pilha de madeira e o cheiro de uma fogueira de acampamento encheram minhas narinas.

- A agua é a fonte da vida. Eu a invoco água. - E nesta hora as ondas da praia que eram calmas, se agitaram e começaram a formar ondas e quebrar na praia. Um forte cheio de água salgada invadia nossa narinas. – Da terra viemos, e será ela como mãe amorosa, que irá nos receber de volta um dia. Sem ela, não seríamos nada. Eu a invoco a este circulo, Terra. – e na hora fomos tomados pelo cheiro de pinheiros e terra molhada de chuva. Virei-me e fiquei de frente a elas e disse:

- O ultimo elemento é o que sopra vida em todas as coisas, Espírito eu o convoco a este circulo.- na hora eu estava cercado por todos os elementos e parecia estar no meio de um redemoinho de ar, fogo, agua, terra e espírito e sentia uma enorme alegria.

- Peço a proteção dos elementos a todos nós, e que eu possa aprender e ensinar tudo o que puder para Artemis.Permita que eu possa ser um guerreiro e lutar com honra e quando for preciso que eu possa curar e aliviar a dor dos que sofrem.

E nesta hora a terra tremeu, o mar se agitou, pequenas bolas de fogo riscaram os céus, enquanto um vento forte parecido com um tornado nos envolvia e eu sentia uma paz profunda, como se tudo fosse ficar bem. Vi que Mirian, Arte e Gaia me olhavam espantados. Ergui os braços e disse:

- Obrigado ar, você pode ir!Muito grato por ter seu calor fogo, pode ir agora! Água, agradeço por sua presença. Terra, obrigado por tudo, vá agora! Abençoados sejam.

Vi Arte ofegar e a olhei curioso. Sabia que as roupas de couro branco de gamo decoradas com vários simbolos, estavam em meu corpo, assim como fina faixa em minha testa, eu as sentia, pois desde que aceitei que sou um shaman e fazia uma convocação dos elementos, estas roupas apareciam em mim.Minha avó havia explicado que eram as roupas cerimoniais e inclusive sentia o arco em minhas costas.E eu só fazia estas convocações em momentos especiais, pois na maioria das vezes, eles vinham a mim naturalmente. Logo Arte, Gaia e Mirian se aproximaram e vi que elas usavam vestes de sacerdotisa e Mirian disse:

- Justin, estou espantada. Você domina os elementos com mais naturalidade do que eu esperava. E além disso, você sabia que quando conjura os elementos você muda de aparência? E não são apenas as vestes como Artemis, é espantoso.- E Gaia disse:

- Parece que quanto maior o poder que emana, mais adulto você parece, é como ver como você vai ficar daqui a sei lá...20 anos. E é interessante que vemos os espiritos de animais rodeando você, como o lobo, a raposa, águia, e até mesmo um urso enorme, era visível a troca de energia. – Eu sorri e disse:

- São os espíritos dos guardiões da tribo.Por isso é fácil me transformar em qualquer animal, eles me ajudam.

- E este arco em suas costas? Ele é simplesmente maravilhoso, parece cantar, mas não vejo a aljava com as flechas...- Disse Arte acariciando o arco em minhas costas. Eu sorri, me afastei dela um pouco, armei o arco e de minha mão se formou uma flecha de fogo e eu a atirei na para o alto, onde ela explodiu e eu disse:

- Quando for necessário, eu usarei uma aljava com flechas e também as transformações, mas hoje estamos aqui para treinar com os elementos e a nossa conexão com a natureza. Vamos começar?– Eu perguntei, e Arte assentiu entusiasmada.

- Vamos, o que quer que eu faça de início? – Ela perguntou, animada.

- Primeiro, antes que eu possa ensinar a você como comandar seus poderes, e antes também de que eu possa aprender algo com Chronos, quero determinar os elementos com que você tem maior afinidade.

- Quais os elementos que você considera? A forma de ver os elementos muda de cultura em cultura. – Gaia comentou, sabiamente. Eu olhei para ela antes de responder.

- Perfeitamente. Os gregos acreditam em quatro elementos e os chineses em sete, por exemplo. Minha tribo acredita em cinco: fogo, água, ar, terra e espírito. Sei que você poderia considerar a luz, as trevas e a energia como elementos também, mas vou tratar como se fossem cinco.

- A luz e as trevas fogem um pouco da definição de um elemento. Em todas as culturas, os elementos são aqueles que são capazes de formar todas as coisas. A luz, as trevas e a energia seriam entidades básicas, mas não formam coisas concretas. Estou de acordo com sua visão. – Chronos falou pela primeira vez e assenti. Ele era realmente sábio, muito mais do eu imaginava.

- Tudo bem. Como eu descubro isso? – Arte perguntou, agora séria.

- Eu posso ajudá-la. Quando estou assim, usando todos os meus poderes de Shaman, eu sou mais perceptivo aos elementos e aos sentimentos. – Eu falei e ergui uma sobrancelha, olhando na direção de Camelot. Agora eu percebia algo que me deixou assustado e preocupado. Era a presença de sangue. Chronos e Arte olharam na mesma direção e vi que eles sabiam de algo. Decidi continuar, deixando isso de lado. – Primeiro, deixe-me dar o meu exemplo: o elemento mais forte em mim e que tenho mais afinidade é com o Espírito. A grande rainha Arturia, pelo que vejo em Avalon e em você, tinha grande afinidade com o Fogo, por ser calorosa e poderosa como ele. Em primeira avaliação, alguém diria que você tem afinidade com o vento, pois é livre e feliz como ele.

- Porém, é apenas superficial. Os outros elementos tem maior afinidade com você. – Eu continuei. – Em você eu vejo o desejo de liberdade, de voar e de mudar como o Vento. – Assim que falei, uma esfera de vento surgiu em minhas mãos e a soprei para Arte. Um vento calmo rodopiou ao seu redor e ela fechou os olhos. Notei que ela começou a levitar alguns centímetros do chão, enquanto Mirian e Gaia estavam sérias, mas surpresas.

- Em seguida, o Fogo. Você é quente, cheia de vida e energia, capaz de tudo pelos que ama, seu coração é ardente. O Fogo que queima em você é intenso e poderoso. – Uma esfera de fogo surgiu em minhas mãos e ao soprá-la, ela tornou-se centenas de linhas de fogo, que rodopiavam Artemis.

- Agora, o Espírito em você é forte, antigo e poderoso. Você tem o dom para mudar e voar entre os mundos, sem ficar presa por limites. Você tem a capacidade de ultrapassar os limites desse e de todos os mundos. – Eu falei e de mim uma fina camada de energia incorpórea uniu-se ao fogo. Eu senti o crescimento do poder na Ilha, enquanto ela sentia a energia de Arte aumentar. Ela estava de olhos fechados, levitando em meio a um turbilhão de vento, fogo e espírito.

- Como a grande mãe Terra você nos dá apoio, carinho e nos sustenta. Você é a base para todos, amável e benigna. Você tem o dom de perdoar e de cuidar, mas também sabe ser rígida e punir com força. – Eu falei e esfreguei as mãos no vento, fazendo grãos de terra rodopiarem ao seu redor.

- Por fim. – Eu comecei, e a Ilha agitou-se, com as águas do lago agitando-se. – Aquele elemento que você é realmente unida. Você é límpida e clara, imensa e infinita, reconfortante e companheira. Você é capaz de purificar, de curar e de acalmar. Você é profunda, misteriosa, mas ao mesmo tempo simples e sincera. Você tem o poder da união, o dom para a proteção. A Água é seu grande elemento.

Eu não precisei fazer nada. Uma chuva fina começou a cair, enquanto as ondas agitavam-se. A chuva envolveu Artemis, rodopiando ao seu redor. Por fim, todos os elementos foram absorvidos por ela. Observei atônito quando partículas de luz, línguas de sombra e espirais de energia branca misturavam-se à ela. Eu nunca vira alguém capaz de estar em harmonia com todos os elementos, principalmente as trevas e a energia. Jamais alguém que tivesse afinidade com as trevas sem que tivesse o coração maligno. Mas com a Arte era diferente. Ela parecia capaz de equilibrar tudo. Não apenas tudo, mas todos. Eu sentia que ela era capaz de equilibrar o mundo, como se fosse sua pedra mestra.

A chuva parou e o céu voltou a ficar límpido, porém parecia mais claro e brilhante. Artemis desceu lentamente até o chão, e ao tocar o chão, abriu os olhos. Eles brilhavam em branco e transmitiam uma energia intensa, como eu jamais vi. Na verdade eu já havia visto, apenas em Chronos.

- Uau. – Ela falou, soltando um suspiro. Ela sorriu para mim e para sua mãe e prima.

- Justin, o que você fez foi magnífico! – Gaia falou admirada.

- Estou realmente admirada, nunca vi alguém capaz de controlar os elementos assim. – Mirian falou sorrindo. Eu sorri também.

- Eu apenas guiei os elementos a Arte, eles a encontraram por si só. Arte, você é incrível. – Foi o que consegui dizer. Ela sorriu sem jeito.

- Não, só fui capaz de fazer devido a você. Já que você fez isso, agora posso explicar. Sim, há sangue na Ilha. – Ela falou, com o semblante triste e sério. Mirian olhou para ela curiosa e preocupada.

- Como assim? – Gaia perguntou.

- Ao usar seus poderes de Shaman, Justin notou que havia sangue na Ilha. E é verdade. Houve derramamento de sangue aqui neste solo sagrado. Muito sangue. Sangue inocente e sangue sagrado.

- Mas por que? Esse local parede imaculado e ninguém pode entrar aqui. – Mirian falou.

- Não, mãe. Isso foi apenas depois da barreira. Arturia criou a barreira após esse derramamento de sangue, quando ela foi traída. Mordred invadira a Ilha e causara um massacre aqui. Foram assassinados camponeses, soldados, e o mais cruel de todos os assassinatos: o Rei. – Ela falou, com tristeza profunda nos olhos.

- Mordred... Esse nome tem crueldade. É um nome negro. – Eu falei com um calafrio percorrendo minha espinha. Senti que a pronuncia de seu nome fazia a Ilha tremer de raiva.

- É um nome maldito. Ele foi amaldiçoado por Arturia. Depois que ela destruiu sua traição, ela criou a barreira e deu início a retirada da capital para Londres, a antiga Londinium.

Arte estava muito triste e mudei de assunto, dizendo que já poderíamos começar a treinar. Ela sorriu agradecida e logo eu estava ensinando-a como convocar os elementos. Passamos ao menos duas horas treinando, duas horas de muito trabalho. Mas que valeram a pena.

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- MORDRED! – Arturia gritou, avançando com Excalibur em punho. Seus inimigos fugiam dela, com medo por sua raiva e poder. Uma aura branca a envolvia, enquanto ao seu redor centenas de armas rodopiavam, junto de uma tempestade formada por raios, fogo, gelo e pedras.

- Ora, ora, ora. Chegou finalmente? Bem na hora de assistir! – Ele gargalhou. Ele estava diante do Rei. O Rei estava caído no chão, desarmado e arfando, enquanto Mordred estava de pé ao seu lado com uma espada de lâmina negra. O Rei olhou para Arturia, que corria colina acima na direção de Camelot. Ele olhou para ela com ternura e sorriu cansado, mas feliz.

Mordred segurou-o puxando seus cabelos e com força jogou- o para trás. Mas antes que o Rei pudesse revidar ou mesmo cair, Mordred perfurou seu peito com a espada. Ele gargalhava enquanto golpeava. Então, ele puxou a espada ao chutá-lo e cortou diagonalmente com a espada, abrindo um largo corte que ia do meio da barriga ao pescoço. O Rei caiu no chão sem vida.

O desespero surgiu nos olhos de Arturia e o seu ímpeto diminuiu, ficando paralisada, olhando aquele que ela amou por tantos anos. Lágrimas grossas surgiram em seus olhos, enquanto ela observava aquilo em câmera lenta.

Mordred gargalhou uma vez mais e apontou a espada manchada de sangue para ela.

- Agora, o direito de Rei é meu! E você é minha! – Ele falou, os olhos brilhando em negro.

- MALDITO! MALDITO! SEU NOME SERÁ APAGADO DA HISTÓRIA! – Arturia urrou.

Avalon tremeu e uma tempestade formou-se instantaneamente em seu céu. A aura de Arturia tornou-se mais intensa em um redemoinho de energia e os inimigos ao seu redor foram aniquilados por ela. Os olhos dela brilhavam em branco intenso.

Uma lança dourada surgiu em sua mão esquerda e Excalibur brilhou em prata em sua mão direita. Avalon inteira entrou em guerra, com suas defesas sendo reativadas por sua rainha. O chão se abriu, engolindo inimigos. As árvores ganharam vida e suas raízes e galhos perfuravam armaduras e estrangulavam inimigos. O fogo começou a rodopiar queimando todos os inimigos. Camelot tremeu e suas pedras voaram contra os invasores. O exército invasor foi rechaçado pela Ilha, enquanto Arturia voava com asas brancas na direção de Mordred.

Mordred preparou-se para a batalha, mas apenas a aura de energia de Arturia foi suficiente para destruir sua espada e jogá-lo contra os muros de Camelot. Camelot rugiu e os braços e pernas dele foram engolidos pelo muro. Seus olhos transmitiam pavor, enquanto Arturia aproximava-se em uma tempestade de fogo e destruição.

Ele usou suas últimas energia para fugir. Deixou para trás muito sangue e morte. E fez os exércitos de Arturia terem ódio em suas veias. Ela e eles iriam lutar até a morte para que ele fosse destruído. E ela só pararia ao ter o corpo dele perfurado por sua espada.

Texto escrito em conjunto com a And, mantendo o ponto de vista do Justin. Obrigado pela ajuda!