Sunday, January 31, 2010

Algumas memórias de Artemis Arashi Capter Chronos

- Excelente, Arte! Continue assim! – John gritou, quando eu consegui agarrar a goles a centímetros dos aros. Eu agradeci a ele e joguei-a de volta para Lizzie, que trocando toques com Dean e Leonardo avançou pelo restante do campo.
Eu voltei a voar para o centro dos aros, me posicionando para melhor defendê-los e olhei rapidamente para a arquibancada, onde o time da Sonserina assistia o jogo.

Duas horas antes

- Boa noite, Artemis. – Stefan falou, quando me alcançou no caminho para o campo de Quadribol. Era terça-feira à noite e estava indo para o treino do dia, com meu uniforme de goleira já vestido. Hoje em particular eu estava indo sozinha, pois meus amigos estavam fazendo outras coisas e o Tuor tinha ido antes, para conhecer o estádio, a convite do próprio John. Apenas Chronos flutuava ao meu redor, conversando mentalmente comigo.
- Ah, Salvatore, boa noite. Hoje a noite está bem clara, vai ser ótimo treinar assim.
- Sim, com certeza. Está uma noite muito bela, e a lua está linda – Ele falou, me olhando nos olhos. – Quer ajuda? – Ele falou, indicando minha vassoura.
- Não se preocupa, está leve, mas obrigada. Os últimos treinos têm sido pesados!
- E tendem a piorar, o John tem cada idéia. Foi demais aquela dieta da sopa maluca! – Ele falou, revirando os olhos e rimos, enquanto ele me dava passagem para entrar primeiro nos vestiários.
- Ah, que bom que chegaram! Eu ia começar sem vocês, demoraram! Já ouviram da nova dieta? Vão ser 4 ovos crus toda a manhã! É proteína pura, vai fazer bem pros músculos! – John falou, com um olhar engraçado para o Stefan, enquanto Lizzie acenava desesperada pelas costas do irmão, dizendo que não, me obrigando a me segurar para não rir! – Arte, seu amigo Tuor já está nas arquibancadas e infelizmente, outros também.
- Ótimo, se não formos derrotados pelo time adversario, seremos pela salmonela, não? E isso vai fazer tão bem pra Grifinória! – Leonard comentou, rindo do meu lado.
- E como assim “outros também”? – Stefan perguntou.
- O Time da Sonserina veio assistir nosso treinamento. – Lizzie explicou, dando a notícia para mim, Stefan, Dean e Thurston.
- Por que?! – Dean perguntou, confuso.
- Eles podem fazer isso, o treino não pode ser fechado. Pensei em fazermos o mesmo depois. – John falou, dando de ombros. - Bom, não há como impedir, então vamos usar isso a nosso favor. Não usem nenhuma das táticas que temos treinado e joguem meio ruim, para que eles nos subestimem! E depois, nós os destruímos! – John falou, socando a mão, nos deixando entusiasmados!
- Vamos lá, Grifinória! – Eu falei, levantando e colocando a mão no ar e todos juntaram suas mãos as minhas e John olhou nos olhos de cada um antes de falar.
- Vamos mostrar a eles! – Ele falou, enquanto jogávamos as mãos pro alto e saíamos do vestiário.
Nós saímos para o campo e fomos recebidos pelo time da Sonserina, que gritava e zoava conosco, assobiando. Keiko e Haley gritavam para mim, acenando e desejando sorte e eu acenei para elas, que estavam sentadas perto de Tuor, que também acenava. Vi quando eles três apontaram para o John e para o Thurston imitando o movimento de um balaço, que John ignorou, mas riu. Nós entramos em formação, com John e Stefan primeiro, seguidos por Dean, Lizzie e Leonard, depois por mim e por último Thurston, o único vaiado.
Eu voei na direção dos aros e fiquei no centro deles, assumindo a posição para melhor defender todos os três, enquanto o resto do time espalhava-se pelo campo, com Thurston voando acima de todos.
Nossos treinos mudavam a cada dia, de acordo com que as idéias surgiam na cabeça do John, mas geralmente treinávamos as novas jogadas que ele inventava. Hoje, porém, ele decidiu que seria um treino geral, em que os artilheiros, Dean, Leonard e Lizzie, tentariam fazer gol em mim. Eu deveria defender e jogar a goles de volta para eles, que voariam para os aros opostos, trocando passes e desviando dos balaços de John e Stefan, enquanto o panaca do Thurston deveria apenas achar o pomo.
John voou até o chão e chutou a caixa onde as bolas ficavam guardadas, e após cinco segundos, alçou vôo novamente, iniciando o treino. Lizzie foi a primeira a pegar a goles, desviando de um balaço lançado por Stefan, e voou na minha direção, tocando para Leonard no último segundo, e este jogou a bola na direção do aro superior, certo de marcar um gol. Eu porém consegui fazer uma manobra rápida e perigosa, saltando da vassoura e agarrando a goles, caindo de volta na vassoura.
- Excelente, Arte! Continue assim, minha goleira dos sonhos! – John gritou, quando eu joguei a goles para Lizzie e recomeçamos o treino.
Nos minutos seguintes, eu acabei levando dois gols e defendi outros dois, mantendo o meu placar pessoal favorável, mas mesmo assim eu queria melhorar ainda mais. Dean voou rapidamente na minha direção e lançou a goles com força, me fazendo voar naquela direção. Mas de quanto de olho eu vi um balaço voando com velocidade na minha direção e girei a vassoura no ar, desviando dele, com certa dificuldade, deixando o aro aberto para o gol. Stefan voou para perto de mim e bateu o balaço para longe, sobrevoando lentamente do meu lado.
- Você está bem, Arte? – Ele falou, com um tom de preocupação.
- Estou, obrigada. – Eu falei, sorrindo aliviada, pois fora por pouco.
- Vê se pega leve, John!
- A Arte tem que começar a aprender a levar balaço! Ela não é de porcelana! – John respondeu, voando para o meio do campo, deixando o Stefan meio chocado, porém este também voou para o meio do campo, olhando novamente para mim.
Eu levei 6 gols, porém defendi pelo menos o dobro deles ao longo das uma hora de treino, tempo que o Thurston demorou para achar o pomo, o que rendeu a ele muitas vaias do time da Sonserina e uma bronca do John. Nosso capitão disse que naquele tempo de jogo em um treino ele deveria ter sido capaz de achar o pomo ao menos duas vezes. Keiko, Haley e Tuor começaram os gritos quando John ralhou com Thurston, aumentando ainda mais as vaias, e ganharam um olhar gélido dele. Sobrevoei a arquibancada e acenei para eles, antes de mergulhar na direção dos vestiários e ir me trocar, recebendo os aplausos deles, assim como o resto do time. Apesar da rivalidade, nós nos dávamos bem.

- Qual o nome da goleira deles mesmo? – Damon Salvatore, irmão gêmeo do Stefan, perguntou.
- Artemis Arashi Capter Chronos. – Keiko respondeu rapidamente.
- Ela é uma jogadora muito boa. – Damon falou, enquanto Artemis sobrevoava-os.
- Claro que é, é nossa amiga! – Haley falou, gritando e batendo palmas.
- Mas é sério, não sabia que ela jogava tão bem! – Tuor falou, animado também.
- Ela é a terceira geração de goleiros de sua família, está no sangue! – Keiko falou rindo. – Tio Griffon é um excelente goleiro.
- E o Tio Lu foi campeão mundial do Torneio entre Escolas junto com nossas mães, ela aprendeu com os melhores! – Haley falou rindo.
- E viram como ela desviou daquele balaço? – Tuor comentou, admirado.
- Espero que o Stefan seja tão atencioso comigo quando tentar me impedir de marcar pontos! – Haley falou rindo e batendo as pestanas, enquanto Keiko ria com ela também.
- Não se preocupem, minhas queridas, vocês tem a mim, sou melhor que ele e cuido de vocês! – Damon falou, piscando para as duas, que pós trocarem olhares, caíram na gargalhada, deixando-o meio sem jeito.
- E ai, o que acharam? – Eu corri para eles, quando terminei de me trocar.
- Você jogou muito bem! Nada que me impeça de te ganhar! – Haley falou, me dando um abraço.
- Ah, mas vou te dar trabalho! – Falei, implicando com ela.
- Tenho que realmente te dar os parabéns, esquivou legal do balaço! – Tuor falou, me dando os parabéns.
- Vê se não se acostuma hein? Eu não vou ser tão boazinha quanto o Stefan, já vou avisando! – Keiko falou.
- Qualquer um é mais “malvado” que ele. – O gêmeo de Stefan, Damon, era impossível não notar, pois eram idênticos, falou, dando de ombros.
- Este engraçadinho é o Damon Salvatore, meu irmão gêmeo. – Stefan falou, juntando-se a nós.
- Ah maninho, tão doce o que fez pela jovem indefesa! – Damon caçoou, deixando Stefan sem graça.
Apesar das implicâncias eles deram um pequeno abraço enquanto continuaram conversando e pouco depois John e Leonard se juntaram a eles assim como o restante do time da Sonserina. Apenas eu, Keiko, Haley e Tuor saímos, pois ainda teríamos aula de Astronomia. O campeonato desse ano seria extremamente competitivo!

Thursday, January 21, 2010


- Clara? Clara, acorde.

Remexi no colchão agarrada ao lençol resmungando e abri o olho devagar, me deparando com Penny parada ao lado da cabeceira da minha cama, já de uniforme. Olhei para o relógio na parede e dei um salto quando vi que já eram 9hs, mas me arrependi imediatamente. Cada parte do meu corpo doía e com o salto que dei da cama, a dor se intensificou. Fiz uma careta de dor e Penny me olhou curiosa.

- Você está bem? Não foi na aula de Astronomia ontem.
- Perdi a hora, mas estou bem. Onde estão todos? Porque ninguém me acordou mais cedo?
- As meninas falaram que era pra deixar você dormir, mas temos matéria nova em Transfiguração hoje e achei que era melhor você não perder. Fiz bem em te acordar?
- Sim, fez, não posso perder mais nenhuma aula.
- Vou esperar você. Já estou atrasada mesmo...

Vesti o uniforme de qualquer jeito, amarrei o cabelo e escovei os dentes, sem nem cogitar a idéia de tomar banho ou chegaria ainda mais atrasada na aula, podia fazer isso na hora do almoço. Tio Ben havia prometido que hoje começaríamos a praticar transfiguração em bichos maiores que besouros, então ninguém queria perder por nada. Quando chegamos à sala eu devia estar com uma aparência medonha, porque todo mundo olhou pra porta e fez cara de espanto. Penny sentou na cadeira vazia ao lado de Leslie e eu sentei com Hiro, logo atrás de Haley e Keiko.

- O que aconteceu com você? – Keiko perguntou virando para trás – Está com uma cara horrível!
- Isso se chama acordar atrasada. Por que ninguém me chamou hoje? – reclamei.
- Tio Yoshi disse que você chegou desmaiada ontem, então achamos melhor deixar você dormir – Hiro explicou.
- Estou tão horrível assim? – perguntei tentando ver meu reflexo no cálice em cima da mesa, que íamos usar pra transfigurar em um rato.
- Está parecendo a noiva cadáver – Haley sentenciou e Hiro engasgou tentando prender o riso.
- Muito bem, menos papo e mais trabalho! – a voz de tio Ben nos chamou a atenção e elas viraram pra frente – Antes de começarmos a transfigurar nossos cálices em ratos, quero que pratiquem a pronuncia do feitiço. Todos repitam comigo: Fera Verto.

A turma toda repetiu o encantamento várias vezes, até que todos estivessem pronunciando corretamente, então tio Ben nos autorizou a pegar as varinhas e começar a praticar com o cálice. O cálice de Hiro virou um rato parrudo em questão de minutos, mas o meu ainda apresentava resistência. Já havia adquirido bigodes, orelhas e um longo rabo, mas nada de pêlos e corpo de rato.

- Você não está pronunciando com muita firmeza – Hiro observou meu trabalho porto.
- Ai, não tenho forças nem pra pronunciar um encantamento idiota – resmunguei abaixando a varinha e deitando a cabeça na mesa.
- Está tão cansada assim? – ele riu.
- Até meu cabelo dói, Hiro! Eu não sei o que aconteceu porque não me lembro de muita coisa, mas pelo meu estado, acho que eles me espancaram – e ele riu mais ainda.
- Bom, acho que nossas aulas de Karatê foram pro espaço, não? Você mal se agüenta em pé.
- Não, vamos continuar! – levantei a cabeça da mesa na mesma hora – Gosto das aulas e quero continuar treinando, vou dar um jeito de arrumar energia pra tudo isso. Não desista de mim.
- Ótimo, porque tive uma idéia que acho que vai gostar, no nosso próximo treino eu explico.
- Como assim, só no próximo treino? Isso é só amanhã, não posso ficar curiosa esse tempo todo!
- Você está tão cansada que daqui a pouco esquece, não esquenta.
- É, verdade... – e deitei a cabeça na mesa outra vez, lutando para manter os olhos abertos.
- Ei, como está se sentindo? – tio Ben agachou ao meu lado na mesa para ficar na minha altura – Muito cansada?
- Sim, bastante. Tio Seth acabou comigo e não consigo me lembrar de nada.
- Seus pais não pediram a ajuda do Seth para ele dar moleza a você, mas todo o esforço vai valer à pena, você vai ver – ele piscou, sorrindo – E foi só o primeiro dia, daqui a pouco você acostuma e não vai mais sentir tanta dor.
- Espero mesmo, porque não posso aparecer em todas as aulas com essa cara de figurante de “A Volta dos Mortos Vivos” – falei apontando pro rosto e ele e Hiro riram.
- E o que houve aqui? – ele apontou pro meu cálice/rato – Pedi para transfigurar em rato, não em um objeto do castelo do Drácula.
- Diga o encantamento com firmeza dessa vez, sem hesitar – Hiro falou – E não pense em mais nada, só no objetivo do feitiço.
- Escute o que ele disse e tente outra vez – tio Ben desfez o que eu já tinha feito no cálice e me devolveu normal.
- Hem-hem – me concentrei no feitiço e apontei a varinha para o cálice – Fera Verto.
- Viu como você consegue? – tio Ben sorriu animado ao ver meu cálice virar um rato. Não tão saudável quanto o rato de Hiro, mas ainda assim um rato.
- Valeu pela dica – agradeci a Hiro e tio Ben parou na mesa da frente para socorrer Keiko – É bom fazer dupla com o amigo nerd.
- É sempre bom saber que sou útil.
- Ah, você não é útil só pra dar cola – brinquei – Também é ótimo para encostar e dormir.

Deixei a varinha sob a mesa junto com o rato, que agora rodeava o rato de Hiro, e deitei a cabeça em seu ombro, dormindo imediatamente. Quando acordei outra vez, Hiro segurava os ratos pelo rabo e os colocava em uma caixa que JJ segurava, para devolver ao tio Ben. Acordei um pouco mais disposta e acabei indo almoçar com meus amigos, ao invés de procurar um sofá para me encostar.

- E então, Clara? Como foi ontem? – Haley perguntou quando já estávamos todos sentados na mesa da Sonserina – Quando voltamos da aula de Astronomia você já estava jogada na cama.
- Não sei, não me lembro – e todos me olharam chocados, como se tivesse dito uma ofensa – Só me lembro de flashes confusos.
- Já serve, mas nos dê alguma coisa! – JJ falou quase se coçando e todos riram.
- Bom, lembro bem que ele me provocou até que ficasse bastante nervosa, ele fez eu me sentir acuada com aqueles dentes sinistros – todos me olhavam espantados e Keiko tremeu na cadeira – Até que eu consegui resistir bastante, mas uma hora não deu mais e acabei virando um lobo. E a partir daí não lembro mais nada, só me lembro de acordar muito cansada no dormitório.
- Você não deveria manter a consciência depois de transformada? – Jamal perguntou parecendo confuso.
- Acho que só consigo isso quando me acalmo e pelo estado em que estou hoje, ele não me deu brecha para relaxar.

Continuamos discutindo os efeitos ainda confusos das minhas transformações e repeti o pouco que lembrava para Arte, Julian, MJ e Rupert quando eles se juntaram ao nosso grupo na mesa da Sonserina, prolongando o assunto durante toda a hora de almoço.

Conversar com eles me impedia de sentir sono, mas não consegui me manter focada na aula de Adivinhação logo depois do almoço. Os pufes da torre nunca pareceram tão convidativos, e os incensos que enfumaçavam a sala me fizeram apagar em tempo recorde. Vez ou outra Keiko me cutucava com o livro e voltava ao exercício. Estávamos praticando Quiromancia, ou a leitura do futuro através das linhas da palma da mão.

- Está vendo alguma coisa? – perguntei espiando o caminho que ela traçava na minha mão com o dedo – O que diz?
- Diz que você precisa pegar um hidratante emprestado comigo – puxei a mão de volta fazendo careta e ela riu.
- Dê um desconto, acho que até quebrei coisas ontem com as mãos – e puxei a mão dela para olhar.
- Com as patas, você quis dizer – ela riu outra vez quando revirei os olhos – Então, o que minhas linhas dizem?
- Essas coisas sempre voltam pros mesmos resultados, mas a linha do coração é bem forte na sua mão, se estou entendendo direito o que todos esses riscos no livro significam – disse consultando o livro aberto no meu colo – Ela é bem longa, então significa que você age em função do sentimento. Se fosse curta, seria interesseira – e ri.
- Aposto que a da Brittany é um toquinho – e rimos alto, mas logo paramos quando a professora olhou atravessada – Deixe ver a sua outra vez – e puxou minha mão de volta.
- O que foi? Que cara esquisita é essa? – perguntei preocupada, vendo Keiko inclinar a cabeça pra olhar minha mão e consultar o livro várias vezes.
- É que tem uma linha diferente... Reta, que não tem na minha e na sua ela é até forte.
- E o que ela quer dizer? – já estava ficando com medo.
- Vou ler o que está aqui, pra não correr o risco de interpretar errado – ela me olhou com um sorriso meio debochado e olhou para o livro – “Linha da Paixão: Muito rara, quando aparece, corre paralela e à esquerda da linha da saúde. Sua presença revela personalidade vacilante e paixões desenfreadas”.
- Isso está dizendo que sou duas caras? – falei contrariada.
- Não duas caras, mas talvez instável, que você é. E também diz que você vai viver paixões desenfreadas – Keiko agora ria satisfeita.
- Não entendo onde está a graça.
- Não vejo você em uma paixão desenfreada, só isso – ela ainda ria.
- Bom, nem eu, essa coisa deve estar errada.
- Acertou na instabilidade...
- Além de achar graça na idéia de que possa me apaixonar, também está me chamando de maluca?
- Ei, olhem isso! – JJ interrompeu os risos de Keiko puxando a palma da mão de Haley com entusiasmo – Achei a linha da intuição, que é mediunidade! Isso é mais legal que borras de chá, é mais preciso.
- Funciona mesmo, ele também achou a linha da cabeça, que diz que eu sou geniosa – Haley completou e Keiko puxou minha mão de volta, olhando o livro.
- Clara também tem essa! – puxei minha mão de volta e peguei a dela depressa.
- Olhe só, você também. Geniosa de difícil relacionamento. Acho que Hiro vai concordar com isso – e todo mundo riu, menos Keiko.
- Haley leu na minha mão que eu sou racional e emotivo – JJ falou fingindo secar uma lágrima – Acho que é verdade, né? – e todas concordamos.
- E estou lendo mais uma coisa na mão dele – Haley pegou a palma da mão de JJ e mostrou pra Keiko e eu – Esta linha curva aqui diz que hoje é dia de reunião marota. Ou eu li errado?
- Leu certíssimo! – falamos os três ao mesmo tempo e começamos a rir.

Hoje, depois do jantar e antes que tio Seth chegasse para mais uma sessão de tortura, íamos nos reunir no banheiro da Murta para começarmos a finalização da nossa versão atualizada do Mapa do Maroto. Não havia mais nenhuma passagem secreta em Hogwarts que ainda não tínhamos descoberto. Passamos todo o nosso 2º ano reviramos o castelo de ponta a cabeça, anotando todos os corredores, salas e passagens recém-descobertas e antigas, não havia sobrado nenhum espaço não explorado. Agora ficava por conta de Rupert e JJ terminarem o desenho do mapa, para finalmente o enfeitiçarmos. Filch que se cuide, porque agora ninguém mais segura a nossa turma.

Monday, January 18, 2010

Eyes of the wolf

Memórias de Artemis Arashi Capter Chronos e de Mina e Luthien Lovegood Chronos

Visão das Gêmeas


- Muito bem, queridas, prestem atenção no que vou falar.
- Sim, pai. – Mina e Luthien responderam, enquanto Seth se ajoelhava diante delas. Luna estava sentada no sofá ali perto.
- Assim que atravessarmos essa lareira, vocês estarão em Hogwarts, diante de uma miscelânea de novos cheiros e sensações. Do outro lado da lareira estará nos esperando o Professor Benjamin O’Shea, Vice-diretora da Escola e amigo nosso, está bem? Não preciso pedir, pois sei que sabem se controlar, e quero que comecem a se acostumar com isso. Haverá dezenas de novos sons, muito barulho, muitos cheiros. Hogwarts é um castelo vivo, entenderam?
- Claro, papai. – Falaram as duas gêmeas.
- Elas vão se comportar, não é mesmo queridas? – Luna falou, beijando cada uma de suas filhas, para depois beijar o marido com carinho e entregar a eles uma sacola. – Pendurem isso pela sala, sempre funcionou com seu pai e com vocês, vai ajudá-la a se manter controlada, é calmante! E essa roupa é para ela vestir durante o treino, imagino que quando ela vira lobo, puf, as roupas não caibam.
- Obrigado, querida. – Seth falou sorrindo, beijando Luna novamente. – Vamos, filhas? – Mina e Luthien assentiram, beijando a mãe mais uma vez.
- Seth, não as deixe pensar demais nessas coisas, você sabe que elas ficam entusiasmadas demais com caçadas... Se elas não dormirem a noite, você que cuida! – Luna falou.
- Sim. Vamos... Digam Hogwarts! – Seth falou, jogando o pó de flu na lareira.

....

- Ah, Seth! E suas filhas encantadoras! Lembro como se fosse ontem quando fui visitar vocês e a Luna no hospital. – tio Ben falou quando Papai saiu de dentro de sua lareira, sendo acompanhado por nós, que batíamos o pó da roupa. Ele era um homem muito alto e com rosto um pouco sério, porém gentil, e vimos a animação com que papai apertou sua mão – Vocês duas são lindas, parecem cópias de sua mãe. Mas possuem o seu tipo de olhar, Seth, sereno, mas profundo.
- Obrigado, tio Ben, fico feliz de nos considerar tanto. Elas são muito parecidas mesmo com a Luna. É um prazer estar de volta.
- São realmente encantadoras. – O professor falou, enquanto recebíamos um olhar de papai, “controlem isso também”, sentimos sua mensagem mental.
- Ben, posso ir até o salão principal visitar minha irmã e meus sobrinhos? Quero que as garotas comecem a se acostumar.
- Claro, irei acompanhá-los, já devem estar jantando. Seth, eu mandei reabrirem as passagens para a Casa dos Gritos, imagino que lá será o melhor lugar para as aulas.
- Perfeitamente, lá poderemos treinar sem correr o risco de alguém olhar ou ouvir. E reacender a velha lenda de assombração não fará mal a ninguém.

O Professor O’Shea nos guiou através da escola, conversando com papai sobre as coisas do passado, de quando ele estudara ali. Nós duas conversávamos mentalmente, olhando tudo com atenção e maravilha. Hogwarts era um lugar único com certeza, cheia de vida e alegrias. Havia diversos tipos de cheiro, diversos tipos de sons e diversos tipos de sensações. No início nós ficamos atordoadas, surpresas com tantas emoções, mas quando nos acostumamos, era tudo muito novo e maravilhoso. Sentimos com prazer que conseguíamos nos controlar, mesmo quando captamos o cheiro de sangue das enfermarias. Descemos por uma escada suntuosa, até chegar ao Grande Salão.


Visão de Artemis

- Arte, me diz uma coisa, por que parece que suas sobrinhas são tão rígidas? Eu sei que elas são alegres, pois cresci com elas, mas geralmente são tão caladas.
- Elas foram criadas pelos Tios Seth e Luna, era inevitável serem assim. – Haley falou, rindo.
- Tem isso também. – Falei rindo. – Mas é porque elas precisam aprender a se controlar desde pequenas. Vocês todos sabem que elas são vampiras. – Falei, fazendo Tuor engasgar.
- Então é verdade, os Chronos têm vampiros como aliados? – Ele perguntou, mostrando curiosidade e admiração.
- Francamente, Viking, seus pais trabalham no Ministério e não sabe disso? – Julian falou, fingindo superioridade. Há poucos meses ele achava que vampiros eram de mentira.
- Ah, Corvo, você também descobriu há pouco tempo! – Keiko falou, implicando com ele.
- Tuor, depois te conto a história ta? Mas voltando... Minhas sobrinhas são meio-vampiras, então elas precisam de um controle absurdo sobre o lado vampírico delas. Seth as treinou desde pequenas para isso. Por isso o Kung Fu, a meditação e tudo mais. Elas precisam de tudo isso por diversos motivos: para não atacar qualquer um, para resistir ao cheiro de sangue, para controlar o lado vampírico, para controlar sua força, para controlar a atração que elas causam nas pessoas e, principalmente, para controlar a própria sanidade e consciência...
- Eu lembro quando elas nasceram, pareciam dois anjinhos, todos babavam, literalmente. – Hiro vasculhou suas memórias de infância.
- Vocês vão ver quando elas chegarem, todos não vão tirar os olhos delas. – Falei rindo, imaginando todos encantados pelas minhas pequenas sobrinhas.
- Mas e quanto à dieta delas?! – Tuor perguntou curioso novamente.
- Ué, sangue. E comida normal é claro. Elas precisam de sangue para continuar controlando seus poderes inclusive.
- Mas elas bebem de quem? – Ele perguntou meio amedrontado.
- Depende... Meu irmão controla muito bem isso, pois elas não podem beber de qualquer um. Ao menos por enquanto, imagino que dentro de alguns anos, elas vão caçar também.
- Caçar? – Ele perguntou novamente.
- Caçar bruxos das trevas, bandidos, criminosos em geral. É como eles se alimentam... – Falei dando de ombros, pois já estava acostumada com isso, assim como todos eles, com exceção de Tuor e Julian, que não deixaram de engolir em seco.
- E Arte, por que elas não bebem do sangue do Tio Seth? Sempre vejo a Tia Luna ou você doando sangue e tudo mais. – JJ perguntou.
- Porque quando um vampiro bebe sangue, ele não bebe apenas o sangue, mas ele absorve também lembranças e memórias. Isso é intensificado quando o sangue provem de um vampiro, dando origem ao fenômeno de Herança, quando todos os poderes e lembranças do vampiro morto incorporam no outro vampiro. Por isso elas só bebem sangue da mãe, que as gerou, e meu, que é, digamos, compatível, com elas. Agora imaginem se elas bebessem sangue do Seth? Tentem imaginar quantas décadas de memórias elas absorveriam e quantos poderes também! Elas ficariam malucas!
- Com certeza, seu irmão está certo em não querer isto. – Clara falou, pensativa. Nesse momento, Chronos me avisou que eles haviam chegado e pouco tempo depois as portas do Salão se abriram, e vimos tio Ben entrando com meu irmão e minhas sobrinhas.
- Eu falei. Tuor, fecha a boca, elas tem só 8 anos... – Falei rindo, fechando a boca dele.

Era engraçado ver a reação que Luthien e Mina causavam nas pessoas que não estavam acostumadas a elas. Todos no salão, de qualquer idade ou sexo não conseguiam tirar os olhos das duas pequenas garotas loiras e de olhos verdes e azuis, com exceção de meus amigos que cresceram com elas. O quarteto se dirigiu a onde estávamos sentados, e eu corri para abraçar Seth.

- Bem vindo, maninho.
- Ola, Luna, como está?
- Melhor agora que vocês chegaram. – Eu falei, ganhando um beijo na testa e um abraço forte de minhas sobrinhas.
- Fique com elas então, Ben me convidou para jantar com ele e os professores. Nos vemos mais tarde.
- Tudo bem, vamos garotas? Tem um amigo novo pra vocês... Não se importem com o olhar de bobo dele, ele é sempre assim. – Falei para as duas, alto o suficiente para que Tuor ouvisse. Minhas sobrinhas sentaram-se entre nós e começaram a conversar normalmente com todos e rapidamente suas risadas eram ouvidas por todos. E, devo dizer, apreciadas.

....

- Muito bem, minha querida, está pronta para começarmos? – Seth perguntou para Clara que estava empolgada, e eu sabia, nervosa também. Olhávamos ao redor, maravilhados por estar na famosa Casa dos Gritos e curiosos com as diversas ervas que Luna mandou para que espalhássemos pelo local.
- Claro, tio! – Ela falou alegre, olhando em volta.
- Que bom... Primeiro... Eu não permitirei que seus amigos fiquem na sala, nem mesmo a Arte.
- Ahn?! Por quê?! – Clara perguntou rapidamente, sendo ecoada por todos nós. – Você falou que eles me ajudariam a me acalmar.
- Sim, eu sei o que falei. Mas eu pretendo forçar seu lado lobo para fora, isso pode ser perigoso. As gêmeas estão aqui por causa disso, ainda não conheço a força de seu outro lado. Elas me ajudarão a contê-la. – Meu irmão falou, indicando minhas sobrinhas, que estavam sentadas calmamente, olhando todos ao redor, enquanto seus pés balançavam acima do chão. Clara também olhou para elas e sorriu, sem muita alegria, imaginando se elas duas conseguiriam segurá-la.
- Er... Tem certeza, tio?
- Nós somos capazes. – Mina respondeu calmamente, enquanto sorria.
- Somos mais fortes do que você imagina. – Luthien falou e eu tive que concordar. Treinar Kung Fu com elas era doloroso... Muito doloroso.
- Muito bem, meus caros, gostaria de pedir que voltassem ao castelo. Ben irá levá-los até lá.
- Ah, Seth! Por favor! Nós ficaremos quietos! – Eu falei, fazendo manha.
- Tio, por favor! A gente promete que não fala nada! – Keiko falou, sendo imitada por Hiro, JJ, Haley, Julian, MJ e Jamal.
- Nada disso, há uma lição importante também a ser aprendida, ela deve aprender a se acalmar sozinha, sem a ajuda de vocês. Fora que vocês irão dificultar sua concentração. Nada de “mas”! – Seth falou já nos olhando com olhar atravessado. – E será perigoso.
- Chronos nos protege! – Eu usei meu último argumento, sabendo que meu irmão não aceitaria.
- Quer parar de ver o Chronos como seu guarda-costas? Não. Saiam antes que eu tenha que carregá-los no colo. E vocês sabem que eu faço isso! E ainda levarei cada um em seus dormitórios, querem? – Seth falou, com um sorriso malvado no rosto, nos fazendo recuar. Apenas Julian não passara pela humilhação de ser carregado por ele, enquanto oito crianças se debatiam tentando fugir... Na verdade nós adorávamos, mas era humilhante com certeza.

Não tivemos outra escolha a não ser aceitar e saímos da Casa dos Gritos pela passagem secreta do Salgueiro Lutador, onde tio Ben já nos aguardava, para ter certeza que voltaríamos para nossos dormitórios. A Clara vai ter que nos contar tudo! Por favor, que ela se lembre de quando estiver como Loba!


Visão das Gêmeas

Papai guiou os nossos primos e amigos para a passagem que levava para o Salgueiro Lutador e nos deixou sozinhas com Clara.
- Meninas, seu pai é muito rigoroso? Eu sei que sim, mas quero dizer no treino!
- Ele é sim, mas não se preocupa, ele tem coração mole. – Mina falou rindo.
- Vai nessa, mamãe conta que quando ele deu aula para ela e os amigos, ele fez eles terem pesadelos! – Luthien falou, fazendo Clara ficar pálida.
- Não a assustem, ela já está nervosa o suficiente. – Papai falou, voltando à Casa e passando a mão nos cabelos de Clara, para se ajoelhar diante dela. – Clara, querida, não precisa ter medo e nem ficar nervosa está bem? Alguma vez eu já te deixei com medo ou fiz algo para você?
- Nunca!
- Então, eu nunca faria algo que te machucasse. Você é minha sobrinha praticamente, e amo muito você e todos de sua família, que é minha também. E você é irmã do meu melhor amigo, que acaba de se casar, acha que eu o privaria de sua linda e calma irmã? Eu tenho dentes alvos, mas não mordo! – Papai perguntou, sorrindo e Clara relaxou, rindo também.
- Tudo bem, eu confio em você tio.
- Muito bem. Deixe-me lhe explicar algumas coisas. Na aula de hoje, eu ensinarei pouco a você, pois a usarei para conhecer melhor o seu outro lado. Clara, lembre-se sempre disso, pois é algo importante, para se ter o controle de algo, você precisa conhecê-lo. Por isso hoje eu forçarei seu lado lobo para fora, para que eu possa ver o quão forte ele é, o quão poderoso. Depois, eu começarei a te mostrar como conhecer esse lado, para enfim controlá-lo. Quando você for capaz de controlar suas transformações e seu outro consciente, eu ensinarei você a controlar esse dom. Pois eu acredito que ele seja isto, um dom.
- Um dom? – Clara perguntou, meio confusa.
- Tudo pode ser visto como um dom, até mesmo nosso vampirismo. – Papai explicou levantando-se e abraçando nossos ombros. – Se for usado de forma correta e adequada. Essas aulas são importantes não apenas para você, mas para Luthien e Mina também. Elas estão em um nível semelhante ao seu, pois são capazes de se controlar e não liberar o outro lado. Porém, elas conseguem fazer isso com mais facilidade e perfeição que você.
- Muito melhor com certeza! – Ela respondeu, rindo e piscando para nós, que também sorrimos.
- Sim, sim. Mas vocês três ainda estão longe de controlar seu outro lado. O seu estado e o nosso estado são semelhantes. Ambos somos tomados por uma outra consciência que move nossos corpos e nos leva a fazer coisas que não faríamos normalmente. Ambas são entidades movidas por instinto, como medo, fome, raiva, sobrevivência, mas a diferença entre nós reside justamente nisso. Os seus são instintos animais, bestiais, sem ofensas.
- Tudo bem, já me acostumei com isso. Eles me chamam de Lessie agora! – Clara falou dando de ombros. Nós notamos que papai já começava a testá-la e ele ficara feliz ao ver que ela não reagira instintivamente.
- Certo... Os seus são instintos de sobrevivência, sem malícia, inocentes e comuns. Porém, nosso outro lado, que chamamos de lado negro, é um ser de pura maldade, cheio de malícia e crueldade. A melhor descrição para ele é a loucura e a crueldade. Esta é a principal diferença entre nós. Mas você e minhas filhas serão capazes de controlar o outro lado de vocês. Ao final dessas aulas, eu prometo a você que levarei vocês três para um passeio na floresta. – Papai falou com um sorriso nos lábios e vimos o brilho do interesse nascer nos olhos de Clara ainda mais.
- É sério, tio?!
- Sim, prometo. Levarei você em sua forma lobo para correr pela floresta. Considere como um estímulo!
- Não vejo a hora! Já estou mais do que estimulada!
- É assim que eu quero. Eu acredito que o que falta para você controlar seu lado lobo é treinamento, pois há algo que me intriga em sua transformação. Você deveria encarnar um lobo completo e a partir do momento que se torna-se um lobo, deveria perder a consciência humana. Porém, pelo que me falaram, quando você se transformou, você primeiro protegeu suas amigas e não as atacou, para depois fugir. Por que você não correu atrás delas?
- Eu não sei... Eu não me lembro direito.
- Quando souber controlar seu lado lobo, você se lembrará. Ai que está, você de alguma forma conseguiu controlar o lado lobo, pois preocupava-se com suas amigas...Bom chega de falar, já estamos quase no final da aula.
- Já?! – Clara perguntou, surpresa, e nós também.
- O tempo voa! Querida, essa roupa foi mandada pela sua Tia Luna, ela fez para você, é uma roupa mais larga e simples para que quando se transformar, não danificar suas vestes atuais. As meninas vão ajudá-la a se trocar, eu aguardarei do lado de fora. – Papai falou, entregando o embrulho para Clara.

Papai saiu do quarto e ajudamos Clara a trocar de roupa. A roupa que mamãe fez para ela consistia em um pedaço de pano branco, simples, porém confortável, e bem longo, parecendo algum tipo de camisola, e ela ficaria descalça. Quando ela estava pronta, chamamos papai.

- Excelente. Podemos começar? Clara, eu vou forçar seu lado lobo para fora, para isso eu mexerei na sua mente. Eu a protegerei do que vou causar, e não olharei nada, eu juro. Não verei seus namorados. – Papai piscou e Clara sorriu, vermelha. – Vamos começar.

Papai então começou a encarar Clara, que parecia desconfortável, porém não desviava os olhos dos dele. Os olhos de papai se tornaram vermelhos e Clara pulou de susto, mas manteve-se no lugar. Então foi nossa vez de ascendermos os olhos, assustadas, pois papai começou a emanar um instinto assassino gigantesco, que nos pegou desprevenidas. Se um vampiro a um raio de pelo menos 1 quilômetro dali, ele sentiria muito medo.

Mesmo em sua forma humana Clara captou aquele instinto e começou a olhar em volta, parecendo assustada e acuada. Nós podíamos sentir papai mexendo com a mente dela, provocando o lado lobo. Seu instinto assassino começava a ficar ainda maior quando pareceu que Clara perdeu a consciência, ficando de pé, porém sem nada perceber.

Ela se afastava, e quando ficou acuada contra a parede, olhou para papai com brilho nos olhos. Papai a encarava ainda mais, forçando seu outro lado para fora, e até mesmo nós precisávamos nos controlar com mais força.

- Vejam só, ela realmente está controlando bem a transformação. Apesar de sua consciência humana já ter caído no subconsciente, ela ainda não se transformou Ela está de parabéns, controlando-se perfeitamente, mas falta pouco agora.

Papai então praticamente ameaçou-a, tamanho seu instinto assassino. Foi então que aconteceu. Começou levemente, com as mãos dela tremendo lentamente. Depois os braços começaram a tremer, e por fim todo seu corpo tremia fortemente. Papai mostrou as pressas e deu um passo a frente, ameaçando-a mais. Nesse momento, apenas nossos olhos nos permitiram ver, pêlos surgiram por todo seu corpo em uma velocidade enorme e ela pareceu estourar em uma nuvem de pêlos.

E diante de nós estava um gigantesco lobo. Ele era maior do que papai e o encarava com olhos cheios de raiva e de medo.

- Eu estava certo, ela consegue mantê-lo sob controle por pouco tempo... – O lobo começou a rosnar. – Luthien, Mina, uma de cada lado, agora!

Nós obedecemos imediatamente e cada uma de nós saltou à frente, segurando cada braço do gigantesco lobo. Ele tentara morder nosso pai, e sua mandíbula abria e fechava a centímetros dele, que sequer se mexia. Nós duas agora estávamos com os olhos rubros e as pressas à mostra, segurando o imenso lobo, que parecia não nos notar, devido ao instinto de papai. Ele era realmente forte e precisávamos fazer força para mantê-lo seguro, mas conseguíamos. O lobo latia e uivava, sua imensa mandíbula ainda tentando morder papai e seus braços tentando atacá-lo.

- Afastem-se. – Papai falou, e pulamos para longe, com facilidade. O lobo colocou-se sobre quatro patas e encarou papai, preparando-se para saltar.

Papai manteve-se parado, com seu instinto assassino ainda ativo. O lobo saltou contra ele, cortando o ar com as garras, mas papai desviou com facilidade. O lobo derrapou no chão e pulou novamente, e quando papai saltou de lado, ele esticou o pescoço para mordê-lo, fazendo papai saltar de lado novamente. O lobo pulou contra ele novamente e dessa vez papai segurou suas garras. O impacto do choque fez a casa tremer levemente, mas papai conseguiu segurá-lo, e o jogou para longe novamente. O lobo pulou no ar, mas longe de papai e começou a atacar o ar às cegas, destruindo a mobília e as paredes.

- O que houve? – Luthien perguntou.
- Eu a coloquei dentro de uma ilusão, ela está tentando me acertar agora. Quero ver quanto tempo ela consegue manter esse lado lobo em um ataque. Vamos esperar ela cansar. O lado lobo dela é inteligente e astuto, além de forte e rápido, mas está sem treinamento. Se ela treinar, ela pode aumentar ainda mais sua força e velocidade.

Demorou pelo menos uma hora para Clara ficar cansada, e a todo momento ela atacava com ferocidade o ar, atacando um Seth invisível. Após esse tempo, o lobo parou, cansado e arfando, olhando em todas as direções, caindo no chão de cansaço, deitado sob as patas. Lentamente seu pêlo foi agitado, lembrando um vento, e os pêlos começaram a desaparecer, fazendo nossa prima ressurgiu de onde antes estava o imenso lobo. A roupa estava em farrapos, mas ainda a cobria, e papai foi até ela e a cobriu com sua capa, levantando-a no colo.

- Meninas, troquem a roupa dela e coloquem a que ela estava usando, depois vamos voltar para o castelo, já é madrugada.

Nós trocamos a roupa de Clara, ainda inconsciente de exaustão, enquanto papai saia do quarto. Depois ele voltou e a pegou no colo e voltamos pela passagem do Salgueiro, onde o tio Ben e o Tio Yoshi nos aguardavam.

Wednesday, January 13, 2010

Viking

Memórias de Artemis Arashi Capter Chronos

- Ei, Chronos! – Ouvi alguém me chamar enquanto terminava o café da manhã. Eu me virei e vi que um Monitor da Corvinal estava me chamando.
- Que foi? – Perguntei intrigada, vendo os olhares curiosos de meus amigos.
- O professor O’Shea pediu que chamasse você. Ele quer que você vá para a Sala dele. A senha está anotada nesse pergaminho. – Ele falou, me entregando um pedaço de pergaminho, onde estava escrito “Feraverto”. Eu engoli em seco, tentando me lembrar do que eu havia feito de errado para ser chamada à sala do Diretor. Se eu levasse mais uma suspensão, meus pais, principalmente mamãe, me matavam!
- Ih, Arte, o que você fez dessa vez?! – Keiko perguntou, olhando o pergaminho como se fosse uma sentença de morte.
- Po, a gente anda tão calmo! Não lembro de termos feito algo. – Clara falou, tentando pensar em algo assim como eu.
- Eu tenho certeza que ela não descobriu que fomos a Floresta novamente... – Haley falou, forçando a mente.
- Nem sobre aquelas Gemialidades... – Corvo falou.
- Será que aconteceu alguma coisa? – Hiro perguntou preocupado.
- Acho que não, eles teriam avisado de outra forma. – JJ concluiu.
- É melhor eu ir logo e descobrir de uma vez o que eu fiz... Mas realmente não consigo pensar em nada! – Falei, ainda segurando o pergaminho como se fosse feito de fogo.
- Boa sorte! Depois conta o que houve! – Todos falaram, me apoiando, enquanto eu saia do Salão Principal em ritmo lento, marchando para o paredão de fuzilamento.

Subi as em direção à sala do diretor sem muita animação, ainda tentando lembrar se eu havia feito algo de errado. Chronos não ajudava, flutuando ao meu lado com um sorriso cínico no rosto e sem querer me dizer o que era.
Quando cheguei à gárgula de pedra, eu apurei meus ouvidos para ver se ouvia alguma coisa, como a voz enfurecida de mamãe, mas nada pude ouvir além das conversas de alunos no corredor. Olhei para a estátua e falei com um nó na garganta “Feraverto” e a gárgula girou de lado, revelando a escadaria, que eu já conhecia e muito bem. Quando se faz parte da Turma Pesadelo da escola, você se torna íntimo da sala do Diretor... Subi os degraus lentamente, tentando ouvir alguma coisa, mas ainda sem muito sucesso, apenas na porta da sala fui capaz de ouvir alguma coisa.
- Ah sejam bem vindos, estávamos apenas esperando o senhor. – Ouvi a voz de tio Ben e esperei para ver se meus pais respondiam, mas nesse momento ouvi a voz de Snape, um dos ex-Diretores.
- O’Shea, tenho a impressão de que aquela grifinória, está escutando atrás da porta. – Ele falou com a voz de sempre e o xinguei mentalmente, batendo na porta de leve.
- Entre Senhorita Chronos. – Ouvi o vice-diretor O’Shea, que estava no lugar da diretora McGonagall enquanto ela estava em Dursmtrang acompanhando os alunos do sétimo ano, tio Ben, como o chamávamos, falando e empurrei a porta lentamente, já falando.
- Seja o que for, eu juro que não fui eu, professor! Mamãe, acredite em mim! – Comecei falando, mas parei ao ficar de frente com cinco pessoas totalmente desconhecidas que me olhavam sem entender. Tio Ben sorriu, assim como o quadro de Dumbledore e um garoto mais ou menos da minha altura, com cabelos loiros e olhos cinzentos. – Érr... Desculpe.
- Desta vez não a chamei para levar uma bronca, Senhorita Chronos. Mas vejo que está com a consciência pesada. – tio Ben, falou, franzindo as sobrancelhas.
- É apenas impressão sua, Professor. A que devo a honra de ser chamada ao seu gabinete? – Perguntei inocentemente, desviando o assunto. Ele me dirigiu um olhar sério, antes de continuar falando.
- Senhores, esta é Artemis Arashi Capter Chronos, aluna do Terceiro Ano de Hogwarts, da Grifinória. Senhorita Chronos, estes são o Sr. e a Sra. Mithrandir, seu filho Tuor, o Chefe da Sessão de Execução das Leis Mágicas do Ministério Norueguês de Magia, Sr. Vladmir, e nosso Chefe de Relações Internacionais, Sr. Watsson.
- Eita...Fiz algo tão ruim assim que virou caso internacional?! – Eu perguntei chocada, fazendo o garoto rir.
- Não, Senhorita Chronos. – tio Ben frisou o “Senhorita”, me lembrando para ficar quieta. – O jovem Tuor Mithrandir está sendo transferido para Hogwarts...
- E eu vou ser mandada para a Noruega?! – Perguntei surpresa.
- Senhorita Chronos, por favor! – Ele falou e não consegui segurar o riso, sabendo que o estava irritando, mas divertindo os demais.
- Desculpe.
- Como eu estava falando... Quando você estava ouvindo nossa conversa pela porta, o Sr. Watsson chegava a minha sala para concluirmos essa reunião.
- O jovem Tuor foi selecionado pelo Chapéu Seletor para a casa Grifinória, Senhorita Chronos. – O Funcionário Norueguês Vladmir explicou, sendo emendado por tio Ben.
- E pedi que chamassem você para que desse as boas vindas a ele e o ajudasse a se acostumar à rotina da escola, uma vez que estará na mesma casa e mesmo ano que você, além de que escolheu fazer as mesmas disciplinas.
- Ah sim, achei que haviam descoberto sobre as Gemia... Nada! – Falei, fingindo inocência.
- Está liberada, Senhorita Chronos, leve o Senhor Mithrandir para os Dormitórios da Grifinória e depois vá direto para sua aula. Entendido, diretamente!
- Sim, senhor.Obrigado, Senhor.- respondi e vi um canto da boca de tio Ben tremer ligeiramente.
- Tchau, filho cuide-se e espero que faça bons amigos aqui. – Ouvi a Sra. Mithrandir despedindo-se do filho, ela possuía um forte sotaque nórdico. Assim como o pai que tinha uma voz grossa e forte.
- Nada de encrencas, filho. Espero que realmente se divirta.
- Obrigado, pai. Minhas malas?
- Já foram levadas para o dormitório. – tio Ben explicou, indicando a porta, pois ele terminaria de conversar com os demais.
- Com licença, e boa tarde para os senhores. – Falei sorrindo para todos, enquanto saia e era seguida pelo garoto.
Nós descemos a escada lado a lado, porém calados, enquanto eu o analisava com mais atenção. Ele tinha um cabelo loiro nem muito curto nem muito longo, os olhos eram cinzentos, lembrando os de meu padrinho Ty e do Corvo. Ele era quase da minha altura, porém mais baixo, muito parecido com o pai dele. Os traços de seu rosto eram firmes, apesar do rosto de criança, e me fizeram lembrar algum tipo de guerreiro.
- Então, você é da Família Chronos, quero dizer, do Clã Chronos? – Ele perguntou, quando chegamos ao final da escada, puxando assunto. A voz dele era comum, longe da voz forte do pai.
- Sim, essa mesma. Sou a filha mais nova de Alucard e Mirian. E seus pais, quais os nomes deles?
- Meu pai é Huor Beorson Mithrandir e minha mãe Rían Earendil, somos Noruegueses.
- Isso, acho que eu notei. – Falei, rindo, e ele riu junto. Ele parou diante de mim quando chegamos no final do corredor, próximos a escada.
- Deixe-me me apresentar corretamente, eu sou Tuor Huorson Earendil Mithrandir, é um prazer conhecê-la, Senhorita Artemis Arashi Capter Chronos. – Ele falou, apertando minha mão e depois dando um beijo de leve nela.
- É um prazer também. Você fala muito bem a nossa língua. Como veio parar aqui? – Perguntei quanto chegamos nas escadas, parando um pouco.
- Obrigado, sempre gostei do inglês. Meu país começou um projeto de intercâmbios e quando soube que seria para a famosa Hogwarts, fui o primeiro a me candidatar! Meus pais trabalham no Ministério, na Execução das Leis Mágicas, então foi fácil eu conseguir a vaga.
- Entendi. Bom seja bem vindo à Inglaterra e à Hogwarts. Está prestando atenção nos lugares? – Perguntei abrindo os braços para indicar o corretor.
- Sim, por que?
- Hogwarts é um lugar enorme, cheia de caminhos diferentes. Vem comigo, vou te levar até o Dormitório da Grifinória, é no sétimo andar.
- Vamos ter que andar tudo isso? E deixa te perguntar: você é algum tipo de Monitora?
- Eu, monitora?! O dia que a Mimi me fizer Monitora ela vai estar gagá ou bebeu Whisky de Fogo demais!
- Mimi? – Ele perguntou, rindo.
- Ah, desculpa. A diretora Minerva McGonagall, se ela me ouvir chamando-a assim ela me mata! É que conheço ela desde criança ai me acostumei a chamar de Minerva, e Mimi é como eu e meus amigos a chamamos. Tio Ben, não ligaria, mas Mimi...- como ele ainda me olhasse curioso expliquei:
- O vice-diretor O’Shea, também me conhece desde bebê, e eu o chamo de tio Ben, mas continuando...O Salão Comunal da Grifinória fica na Torre do Sétimo Andar, há algumas passagens secretar até lá. – Falei baixinho, próxima dele, e, olhando em volta, levantei uma tapeçaria, batendo com a varinha em um dos tijolos da parede, revelando uma passagem secreta. – Vem por aqui, é mais rápido.
Nós usamos uma passagem secreta que havia naquela tapeçaria que nos levava diretamente para o corredor que dava acesso ao Salão Comunal Grifinório. Ele ficou encantado com a passagem secreta e prometi mostrar outras depois.
- Esta é a Mulher-Gorda, o quadro que guarda a passagem para o Salão Comunal.
- Olá, minha cara, a senha por favor?
- Coração de Leão.
- Perfeitamente. – Ela falou, girando o quadro e revelando o Salão Comunal que aquela hora estava quase vazio, com a maioria dos alunos indo para suas aulas.
- Memorize a senha ta bom? Ela não te deixará entrar no Salão sem a senha. Se mudarem as senhas, um Monitor vem nos avisar. Seja bem vindo ao seu novo lar, a Grifinória! – Eu falei, mostrando o Salão Comunal me jogando em um dos sofás vermelho vivo. Ele olhou tudo em volta com atenção, captando cada detalhe da decoração repleta de leões e vermelho. – O Leão é nosso emblema. Vem comigo, vou te mostrar o Dormitório Masculino da turma do Terceiro Ano.
- Você pode entrar lá?
- Posso. Aparentemente os criadores de Hogwarts consideram as garotas mais confiáveis que garotos, então podemos entrar em todos os Dormitórios, mas vocês não. – Sorri, provocando-o.
- Muito justo. – Ele falou enquanto eu o levava até a porta do Dormitório e o abri sem qualquer cerimônia, mas estava vazio. – Ah, minhas malas! – Ele falou, indicando um malão e uma mala menor ao pé de uma cama recém arrumada.
- É aqui que você vai passar os próximos anos. Pegue ai alguns pergaminhos e vamos pra aula de Herbologia, se não nos atrasamos. Por falar nisso, você ficará até a formatura?
- A princípio não, devo fiar até o final do 5º ano, por um período de três anos. Eca, Herbologia.
- Não fale mal de Herbologia! É minha matéria favorita! – Eu falei, colocando o dedo no peito dele. E falei brincando, quando chegamos ao Salão Comunal novamente – É uma ordem!
- Desde quando você manda em alguém, Chronos. – ouvi uma voz chata e sarcástica falando as minhas costas e nem precisei virar para saber que era o Thurston. – Síndrome de grandiosidade?
- Cala a boca, Thurston, acho que não chamei você na conversa. Vai procurar o seu pominho vai, inútil.
- Olha como fala comigo, Chronos!
- Olha você como fala com ela! – Tuor falou, zangado, colocando-se entre eu e Thurston. Ele ficou a centímetros de Thurston, e seu rosto firme mostrava raiva. – Não te deram modos e educação em casa não?
- Quem você acha que é para falar comigo assim? É um namoradinho dela ou novo guarda-costas?
- Cale a boca! – Tuor falou, segurando Thurston pelo colarinho da roupa, que foi pego de surpresa. – Exijo educação com uma dama.
- Tuor, deixa ele, não é legal você conseguir uma detenção no seu primeiro dia. – Eu falei, puxando seu braço e fazendo-o largar. – Ele não merece. Esse idiota aí é o Thurston, também é do Terceiro Ano.
- Ninguém pediu que se metesse, garota! – Thurston falou, querendo ainda brigar com Tuor.
- O que está acontecendo aqui?! – Ouvimos uma voz falando por trás de Thurston, que parou imediatamente, pois reconhecemos a voz de um de nossos batedores, Stefan Salvatore. Junto dele estava o John, nosso capitão.
- Nada, Salvatore. – Thurston falou, olhando rapidamente para John, como se tivesse medo de sofrer alguma represalia no quadribol, já que John andava tendo algumas idéias insanas sobre o treinamento.
- Você não deveria estar em aula, Thurston? Vá logo. – John falou e Thurston saiu, ainda olhando com raiva para Tuor e para mim.
- Obrigada John, obrigada Salvatore. – Falei, sorrindo para eles.
- Nada, Arte, não quero ver brigas no meu time dos sonhos! – John falou. – E você, quem é?
- Deixem-me apresentar vocês, Stefan, John, esse é Tuor, ele foi transferido da Noruega. Tuor, estes são Stefan e John, ambos do time de quadribol da Grifinória e do quinto ano.
- Muito prazer, desculpem-me por ter parecido agressivo. – Ele falou apertando a mão dos dois.
- Nada. Admirei o modo como protegeu a Artemis, um perfeito cavalheiro. – Salvatore falou, lançando um olhar para mim.
- E a minha goleira querida! É bom vocês irem logo pra aula. Até mais tarde. – John falou, bagunçando meu cabelo e saindo com Salvatore, que ainda lançou um longo olhar para mim e para Tuor.
- Você é a goleira do time de Quadribol?
- Sim! – Falei com orgulho enquanto saíamos.
- Meus parabéns, quero muito ver o jogo de vocês. Na minha terra era complicado jogar quadribol, estava sempre muito frio. E quem era aquele ogro idiota?
- James Thurston, um idiota que se acha o dono da Grifinória.
- Não gostei nem um pouco dele. Idiota.
- Minha opinião sobre você acaba de se tornar positiva!
- Por que, antes era negativa?
- Ah, você é mais baixo que eu, tinha que ser negativa!
Ele riu comigo enquanto descíamos as escadas até as Estufas. Ele era muito divertido e não via a hora de apresentá-lo aos meus amigos, dizendo que mais um pouco e ele brigava com o Thurston! A Clara vai adorar ele! Na próxima guerra contra o Thurston ele vai estar na nossa linha de frente!

Monday, January 11, 2010

Avalon parte III - Memórias

- Morgana...
- Sim, minha mãe e senhora?
- É chegada minha hora...
- Não, mãe, você ainda é tão forte!
- Não, minha filha, eu mereço o descanso. Liderei nossa família até hoje através da guerra e da destruição, através de bênçãos e felicidade. É chegada minha hora de me unir a ele finalmente.
- Mãe...
- Não fique triste, estarei sempre protegendo e guiando todos vocês. Quero que realize um último pedido.
- Diga, mãe.
- Avalon deve ser evacuada. Após a minha morte, ninguém mais deve pisar nesta ilha. Vocês devem se mudar para Londinium. Lá devem viver, e manter os Chronos vivos.
- Se é seu desejo, eu mesma cumprirei.
- Apenas minhas herdeiras poderão pisar neste solo sagrado quando eu me for. Assim que eu me for, manterei Avalon neste mundo apenas para que você possa depositar meu corpo nos braços Dele. Quando você pegar a barca, Avalon se fechará, esquecida de todos. Apenas minhas filhas poderão vir até aqui por quererem. Apesar disso, Avalon nunca fechará suas portas para aqueles que precisem, para os puros de coração. Estes sempre encontrarão o caminho, mas não ficarão por muito aqui.
- Eu mesma farei para que ninguém mais entre aqui, a não ser suas herdeiras.
- Aquelas que conseguirem abrir minha barreira, terão o direito de viver aqui e vir quantas vezes quiserem. Mas por enquanto, quero que Avalon seja esquecida... Você só deve retornar quando for sua vez de se juntar a mim.
- Eu entendo, mãe... – Morgana falou, os olhos brilhantes de lágrimas.

Morgana subiu na barca com o corpo da mãe nos braços, a Rainha Arturia, líder dos Chronos e dos bretões. A barca viajou sozinha até a ilha sagrada de Avalon, guiada pelas antigas magias de sua mãe. Lentamente ela chegou ao cais de Avalon e Morgana viu os Legionários em suas roupas brancas de cada lado do caminho que levava aos santuários. Ela não podia ver seus rostos, como nunca pode, mas não sentia medo deles, ao contrário, sentia-se segura e protegida ao lado o exército de Chronos e de sua mãe.
Ela subiu lentamente o caminho até os santuários, sua mãe parecia nada pesar e com facilidade ela o levava, sem mais chorar, entendendo que sua mãe partia para uma esfera maior. Os Legionários não se mexiam, dando a última homenagem a sua líder. Ao chegar nos templos, ela viu que havia um homem nos pés das escadas do templo do Deus, e ela soube no mesmo momento que era Ele.
Morgana ajoelhou-se diante dele, mas ele a levantou pelos ombros e sorriu para ela, para depois pegar o corpo de Arturia nos braços. Chronos beijou a testa de Morgana e depois de sua mãe, acariciando com carinho os cabelos brancos de Arturia.
- Cumpro o desejo de minha mãe, meu senhor.
- Obrigado, Morgana Chronos, ela nunca deixará de protegê-los. Você é a partir de hoje a líder dos Chronos, e no seu devido momento, virá aqui também.
- Obrigada, meu senhor. Cuidarei para que este solo sagrado seja protegido.
- Vá em paz, minha filha e herdeira.

Morgana olhou uma última vez para o corpo da mãe e beijou sua mão, para depois virar as costas e descer o caminho para o cais. A cada passo que ela dava, brumas as seguiam, e ela sabia que Avalon estava desaparecendo do mundo a cada novo passo, assim como os Legionários e os Templos. Ela subiu na barca pela penúltima vez em sua vida e olhou para trás a tempo de ver as brumas cobrirem toda a ilha sagrada, para desaparecerem em seguida.

Eu abri os olhos, procurando imediatamente Chronos e vi que eu estivera com a cabeça deitada em seu colo e estávamos sentados na mesma escadaria que Morgana deixara o corpo da mãe.
Quando consegui abrir as brumas e Avalon surgiu diante de mim em todo seu esplendor e glória eu fiquei extremamente feliz. A Ilha era muito linda, cheia de flores e árvores intocadas, e havia sempre o barulho de água corrente. Haviam animais ali, todos muito pacíficos e calmos.
Haviam também os Legionários de Chronos, os guerreiros de sua Legião Branca, que vieram me receber como sua nova rainha, para desaparecer assim que eu pisei no solo sagrado. Eles eram o Exército de Chronos, e agora meu também, e lutariam eternamente por seu mestre e rainha.
Chronos me pedira para provar da água do poço sagrado e quando a provei, consegui ver a memória do passado, quando Avalon foi separada do mundo pela Magia de Arturia. Eu notei que haviam lágrimas em meus olhos, e nos olhos de Chronos também, e usei minhas vestes para secar os olhos de ambos.
- Nunca vi você chorando Chronos. Não deve chorar.
- Eu deveria estar falando isso, pequena.
- Eu também devo cuidar de você. – Eu falei, sorrindo para ele, enquanto me sentava ao seu lado. – Ela era realmente poderosa, era imponente e grandiosa.
- Arturia era um espírito como há poucos no mundo, uma mulher de fibra, uma guerreira monumental, uma Sacerdotisa poderosa, uma Rainha justa e uma Mãe amorosa.
- Ela era admirável... Ainda verei mais memórias?
- Sim, mas não hoje, você está exausta da magia, e devo levá-la para casa, seus pais podem procurá-la.
- Ainda não, quero ficar um pouco mais aqui. Aqui eu consigo sentir você mais fisicamente. – Falei encostando a cabeça em seu ombro e olhando o céu.
- Porque essa Ilha está cheia de meu poder, uma vez que foi minha Capital. E este templo, foi erguido para mim.
- Esse lugar é lindo... Eu posso realmente trazer meus amigos aqui?
- Agora, Avalon é sua. Essa Ilha merece receber mais vida com certeza. Seus amigos serão bem vindos. Apenas lembre-se de que apenas você pode abrir as brumas.
- Sim, eu sei disso... Chronos, como eu consegui?
- Artemis, Arte, minha pequena. – Ele falou, enquanto abraçava-me levemente. – Você é mais poderosa do que pode imaginar. Desde Arturia não houve uma Herdeira tão poderosa quanto você. Mas seus poderes ainda estão longe da maturidade e estão apenas acordando. Você é especial, nunca esqueça-se disso. Podemos voltar?
- Sim, estou feliz por ter encontrado Avalon. – Falei, fechando os olhos novamente, enquanto as asas dele nos envolviam e me levava de volta para meu quarto. Avalon seria minha segunda casa agora, e queria muito voltar lá e levar todos aqueles que eu amo.
Eu estava tão exausta que quando surgimos no quarto, eu já estava dormindo e lembro-me apenas de Chronos me colocando na cama, antes de desaparecer no ar. Não vejo a hora de ver como todos irão reagir ao descobrir Avalon.



Do diário de Julian McGregor

- Julian, mão esquerda, no verde!- disse o primo Jefrey, depois de jogar os dados e ver as cores e o que eu teria que movimentar para continuar no jogo de Twister, só restavam eu e Sam.
Haley, Daniel, Maya, Olivia, Sam e Suzie, que já haviam perdido ficavam de olho em nos dois e a torcida era dividida. E após Sam ter que dobrar o corpo ao meio, eu venci a disputa. E nada como um mergulho do rio, para relaxar os musculos depois de uma partida de twister.
Os feriados de final de ano foram ansiosamente aguardados por mim e Haley, pois seria muito agitado. Não só porque minha irmãzinha Selene, havia nascido antes da hora, e como pude comprovar era o bebê mais bonito que eu havia visto, teriamos o casamento de tio Gabriel em Paris, depois do Natal na casa de minha bisavó, na Escócia e eu reencontraria meu amigo Tonto.

Faltando alguns dias de voltar às aulas, meus pais me autorizaram a ficar uns dias com meu amigo Justin, na reserva indígena, onde morava a avó dele. Ele e o pai, conectariam as lareiras via pó de Flu e viriam me buscar.
Estavamos na cozinha esperando por eles, quando as chamas ficaram verde esmeralda e um homem alto e moreno saiu de lá de dentro, segurando uma menina morena, com vivos olhos dourados que reconheci como sendo a Dana, irmã de Justin, e enquanto eles espanavam as roupas, Justin foi o proximo a chegar. Eles aproveitaram a visita para connhecer minha irmãzinha e Selene recebeu de presente um talismã índio, que a protegeria dos maus espiritos e dos sonhos ruins. Claro que durante a visita, Haley e Justin andaram trocando algumas farpas e se eu não os conhecesse diria que havia muito mais do que só antipatia entre eles.

A reserva era um dos meus lugares favoritos para estar no mundo, não só por ser cheia de belezas naturais como rio, cachoeira, cavernas e animais silvestres.Todos se conheciam, mesmo as familais sendo enormes e ter muitas crianças de varias idades e se ajudavam. A avó de Justin era a xamã e a chefe da tribo. Ela sempre me tratou como se eu fosse neto dela e quando queria se referia mim sempre dizia que eu era filho do ’espirito que anda’, claro que depois de conhecer o meu pai e saber sobre a projeção astral, eu finalmente entendi o que ela queria dizer. Durante as noites, nos reuniamos em volta de uma grande fogueira e ela contava várias lendas ancestrais, enquanto assávamos marshmallows e devoravamos grandes baldes com pipoca.
- ...e é serio Selene, já sabe quem eu sou, posso dizer que até já sorriu para mim.- eu dizia empolgado enquanto estavamos sentados na beira do rio, fingindo pescar.
- Se eu não fosse maluco pela minha irmã, ia te zoar cara pálida, tão sentimental, tá usando blusinha fúcsia com a carinha do bebê é??- dei soco no ombro dele e ele devolveu enquanto riamos.
- E ai já beijou alguém??- ele perguntou.
- Talvez...
- Patético e olha que você era o mais esperto de nós dois.
- As garotas de lá não são fáceis ok? Estou trabalhando nisso.
- ‘Trabalhando nisso’, equivale a ‘Keiko não me dá a mínima e eu vou morrer boca virgem’.
- Já disse que você é um idiota?- resmunguei e ele riu.
- Posso ser um idiota, mas já beijei na boca e era uma pessoa que respirava, não uma boneca inflável. – fez aqueles barulhos de beijos e eu o empurrei no rio, quando ele voltou, sacudiu o corpo como se fosse um cachorro espalhando água para todo lado.
- Tonto, o que está acontecendo? Você está mudado, dava para sentir nas ultimas cartas. - disse quando ele se sentou ao meu lado novamente.
- Sabe as vezes acontecem coisas fora de nosso controle que mudam a nossa vida.Algumas pessoas não aceitam bem o ‘novo’ e acabam sendo preconceituosas. ...- fiquei calado esperando ele continuar e ele não demorou:
- E desde o meu aniversário, algumas mudanças aconteceram comigo e sim, eu realmente estou diferente...
- Ah Tonto, você é gay! Que maneiro.
- NÃO!- a voz de Justian saiu até esganiçada quando gritou comigo e eu ri , provocando.
- Sou seu amigo pro que der e vier, só não dê em cima de mim ok? E ai quem é o eleito?
- Seu besta. - disse me olhando irritadinho e eu disse sério:
- Agora dá pra parar de enrolar e contar logo o que está havendo com você? – vi que seus olhos estavam sérios ao me encarar e de repente o medo tomou conta de mim:
- Você não está doente não é? Igual a sua mãe??
- Não, eu não estou doente...Sabe as lendas que vovó Silverhorn conta sobre os homens que se juntaram aos animais para proteger a nossa gente? E criaram uma nova raça?
- Ah sim, os guardiões, e só alguns poucos eram os escolhidos. Mas por muitos anos, não houve a necessidade dos guardiões se manifestarem, porque o mundo atingiu o equilíbrio. E pessoalmente, eu acho que é uma lenda bem engenhosa...
- Eu também achava que era lenda, mas não é...-fiquei olhando-o e ele:
- Ficaria mais fácil te mostrar.- e sem nenhum aviso, o corpo dele começou a mudar.
Primeiro o corpo foi se esticando , e se eu não estava enganado, ouvia ossos estalando enquanto se ajustavam, a uma nova forma. O rosto de Justin, ia ficando pontudo como se fosse um focinho, e ao mesmo tempo pêlos marrons cresciam por todo o seu corpo, e após os segundos mais aterradores de minha vida,no lugar onde meu amigo de infância estivera sentado, agora um enorme lobo marrom me encarava. Eu estava congelado no lugar e acho que nem piscava, pois o medo de levar uma mordida, era enorme.
Após o lobo me olhar longamente, o processo de transformação recomeçou e ao final, Justin depois de uma expressão de dor, voltou a me encarar.
- Eu sou um guardião.- disse e como eu estivesse calado, ele continuou:
- Olha eu não perco a razão e saio atacando todos por ai, consigo entender o que as pessoas dizem e eu posso me transformar no animal que quiser, e eu ainda continuo sendo o Tonto. E isso não foi uma escolha minha ok? Aconteceu quando fiz 13 anos...E por favor, diga ou faça alguma coisa, nem que seja sair correndo com medo de mim.
- Então você pode se transformar no animal que quiser...- disse enquanto levantava devagar e me afastava. Notei o ar de decepção que tomou o seu rosto e ele fechou os olhos. Aproximei-me dele e coloquei a mão em seu ombro, e ele abriu os olhos me encarando:
- Uma das minhas tias ajuda espiritos a ir para a luz, a outra é nora de um vampiro, e o marido dela é um dos super gêmeos Chronos; meu pai e minha avó fazem projeção astral e claro somos de uma familia que tem aurores condecorados em quase todas as gerações e eu já sinto a expectativa para cima de mim. Vou ficar feliz se passar de ano com boas notas. (disse fazendo drama e ele esboçou um sorriso dizendo):
- Papai diz que você é um ótimo bruxo e tem dom para feitiços complexos...- e eu continuei em cima do seu comentario:
- Então chego aqui e meu melhor amigo me diz pode se transformar no animal que quiser... Tio Blade disse isso?? Bom, mas voltando ao assunto, fazer o que você pode fazer sem precisar estudar animagia, é irado. Cara, você tem noção do quanto o mundo é injusto?? – rimos e vimos que estavamos na boa.
Voltamos a pescar e após algum tempo eu perguntei maroto:
- Se eu jogar um graveto você vai correr atrás?- e ele fez um barulho parecendo um rosnado respondendo:
- Posso esquecer a regra sobre não perder o controle e atacar...
- Não custava nada perguntar.
Ficamos o resto da tarde esperando que os peixes mordessem a isca. Justin e eu haviamos atingido o grau de amizade em que podiamos ficar horas sem falar nada, que mesmo assim entendiamos um ao outro. Enquanto ele estava absorto em seus pensamentos, eu já fazia planos para começar a pesquisar sobre Animagia, uma vez que dois dos meus amigos, agora tinham fortes ligações com o reino animal e no que dependesse de mim, eles não iriam ficar com toda a diversão.
Julian Thomas Montpellier às 8:00 PM


Avalon parte II - A Ilha Sagrada

- É a letra de minha tia-avó, Gomeisa...
- Esse diário é enfeitiçado... Ele mostra o que a pessoa deve ler, quando deve ler. Por anos, ele mostrou apenas o que foi revelado ao seu avô, Alderan, revelando a Traição e a minha existência para ele. Agora, porém, ele indica o que você deve saber, sobre a Capital dos Chronos, a Ilha Sagrada de Avalon.
- E ela fica em Glastonbury, agora tudo faz sentido! – Eu exclamei, lembrando-me da sensação ao estar naquele lago.
- Exatamente. Artur existiu, ou alguém que depois recebeu esse nome.
- O que quer dizer?
- Sua antepassada, a única que foi Avatar e Reencarnação, se chamava Arturia Chronos. Ela unificou a Bretanha sobre uma única bandeira, tornando-se a primeira Grande Rainha.
- Você quer dizer que Artur, era uma mulher?
- Exatamente. Ao final de seu reinado, quando o Cristianismo tornou-se forte na ilha, eles mudaram seu nome, tornando-a o Rei Artur e modificaram muitas de suas histórias. O Novo Reino Cristão precisava de heróis e guerreiros, de lendas, masculinas principalmente, para manter o poder da Igreja e o coração das pessoas.
- Mas os Chronos nada fizeram!?
- Não. As filhas de Arturia seguiam o desejo dela, de que não se envolvessem mais com isso e passaram a viver apenas como a Família Chronos, não mais o Reino.
- Eu sequer imaginava algo assim... Já fomos reis da Inglaterra?! – Eu perguntei chocada e surpresa.
- Sim. Você é uma Herdeira de Arturia, e uma Sacerdotisa de Avalon. Minha Herdeira e Sacerdotisa na verdade. Avalon era a Capital dos Chronos e do Reino da Bretanha, onde Arturia viveu e governou por quase 150 anos. Pouco antes dela morrer, ela escondeu Avalon com uma poderosa barreira e proibiu a Família de retornar para lá. Ela os mandou viver entre a população e ir para Londinium, a atual Londres, a nova capital do Reino.
- Por que ela fez isso? Não consigo entender...
- Com o tempo você entenderá, mas por hora basta dizer que a Realeza e o Poder trazem muitos problemas... Ela proclamou que apenas suas Herdeiras poderiam entrar na Ilha, e mesmo assim se fossem puras de coração e capazes de abrir sua barreira.
- Você quer que eu rompa a barreira de uma Rainha?! – Eu falei, entendendo o que ele queria dizer.
- Exatamente. Antes de você, Gomeisa fez o mesmo. Em Avalon você será capaz de aprender muito. Sobre o passado, sobre os poderes, e sobre o futuro. Avalon era na verdade uma Ilha Sagrada, centro da Magia e Religião antigas.
- Chronos, eu estou no meu Terceiro Ano, mas sei realizar feitiços mais complexos, como você quer que eu consiga abrir uma barreira antiga como essa?! – Eu falei, deixando o nervosismo na voz. Ele esperava muito de mim e isso começava a me deixar amedrontada. Ele sorriu, e ajoelhou-se diante de mim, pegando minha mão entre as suas levemente. Seus olhos verdes olhavam diretamente dentro dos meus, e pareciam me acalmar e acalentar.
- Minha pequena, minha Princesa e Herdeira. As graduações do mundo Bruxo nada querem dizer quanto ao seu coração. Você é mais poderosa do que aparenta, pois reside em você um poder enorme, ainda não desperto. Em Avalon você será capaz de despertar esse poder e aprender a usá-lo, até lá terá o meu poder para auxiliá-la. Avalon se mostra para aqueles que são dignos, corajosos e bondosos, qualidades que não faltam em você. Por que você acha que eu escolhi você como minha Herdeira e Sacerdotisa? Eu escolhi você porque a amo, e conheço-a melhor do que você mesma. A primeira prova disso, é que você foi capaz de ler o Diário, e sei que terá sucesso. Acredite em si mesma.
Eu me senti tocada por aquelas palavras, e enquanto as ouvia meu coração não parava de saltar, quase como se houvesse uma dor nele. Mas era uma dor estranha, pois não trazia tristeza, mas felicidade, deixando-me calma e confiante. Eu pisquei rapidamente, sem tirar os olhos dos olhos dele e sorri, decidida.
- Eu tentarei. Ou melhor, eu farei. Abrirei a barreira de Arturia e irei até Avalon.
- Esse é o jeito correto de se falar, o seu jeito. Contará sempre com meu apoio e auxílio, minha pequena. Quando estiver pronta, eu a levarei a Glastonbury.

Três dias depois...

Naquela noite, eu continuei lendo o Diário de Gomeisa e li como ela encontrou Avalon, como lá ela conseguiu descobrir mais sobre o passado da família. Descobri também que após esse dia, ela sentia um novo poder dentro dela e começou realmente a ser uma Sacerdotisa, conseguindo às vezes ver o futuro.
Tudo isso me deixava entusiasmada, mas também nervosa e amedrontada. Eu não sabia o que encontraria em Avalon, mas queria muito ir até lá o quanto antes. Chronos, porém não me apressou e pediu que eu aguardasse o momento certo, e quando eu perguntei que momento seria esse, ele apenas me respondeu “Você saberá”. Eu adoro o Chronos, mas o jeito Yoda de ser dele às vezes me irrita!
Como eu não sabia como me preparar, nem o que fazer, eu passava boa parte dos dias lendo o Diário e outros livros de magia antiga, além de passar longas horas meditando nos jardins. Apenas para me manter em forma, eu treinava um pouco de Kung Fu todos os dias de manhã por volta de 2 horas. Mas realmente não sabia mais o que fazer, no final do segundo dia após ler o Diário.
- Chronos estive pensando. – Eu falei em meu quarto, esperando ele surgir diante de mim antes de continuar o pensamento. – Eu não quero ir para Avalon vestindo tênis e camisa, não condiz muito com aquele lugar sagrado. – Ele riu, divertindo-se, enquanto eu ria também. – Como eram as roupas de Sacerdotisa?
- Eram parecidas com essa túnica que eu estou usando, porém mais longas, assemelhando-se a vestidos. – Ele explicou, mostrando a túnica branca que usava.
- Gomeisa diz que ela usou um vestido longo em sua primeira visita a Avalon... Chronos, você me ajuda em algo?
- O que tem em mente?
- Você sabe o que eu quero. Quero conjurar uma roupa de sacerdotisa agora... Mas conheço muito pouco de Transfiguração ainda.
- Eu ajudarei você. Fique de pé. – Ele falou, e obedeci. – Imagine como você acha que eram as roupas de Sacerdotisa. Imagine cada detalhe. A cor, a forma, o tecido, o cheiro, a sensação dele na pele.
- Sim.... Um longo vestido, de cor azul clara. Ele é leve e parece seda ao toque. E tem o perfume de flores. – Eu falei, fechando os olhos, mantendo a imagem na minha cabeça.
- Agora, convoque-o aqui. – Ele falou, e eu abri um olho, enquanto franzia a sobrancelha, mas ele assentiu com a cabeça e eu voltei a fechar os olhos.
Me imaginei tocando na roupa de Sacerdotisa, passando a mão pelo tecido leve, e sentindo o frescor daquela roupa sagrada. Nesse momento eu senti um peso nos braços e quando abrir os olhos, para meu espanto, um longo vestido, da exata forma como havia imaginado, estava nos meus braços. Eu o desdobrei e olhei maravilhada para ele, e vi que caberia em mim perfeitamente.
- Você fez isso? Não foi! – Eu falei, olhando acusadoramente para ele.
- Não. Você o conjurou. Já falei para confiar mais em si mesma. – Ele falou, sorrindo.
- É lindo... Vou experimentá-lo. – Falei, correndo para tirar a blusa, enquanto Chronos virava-se de costa.
- Já falei para não fazer isso na minha frente.
- Até parece que nunca viu alguém assim. – Eu retruquei, brincando com ele, pois eu sabia que ele ficaria sem graça.
O vestido caia perfeitamente em mim, e era extremamente longo, parecendo feito especialmente para mim. Eu rodopiei me olhando no espelho e estava maravilhada com ele. Eu me sentia feliz e alegre, e também solene, e por algum motivo eu me senti pronta e certa de uma coisa.
- Essa veste... Era dela, não era? De Arturia?
- Sim... Era a veste cerimonial dela.
- É lindo... Chronos, eu estou pronta.
- Eu sei. Venha comigo. – Ele estendeu a mão, que peguei sem nem pensar duas vezes. Era estranho como, apesar dele ser um espírito, nossas mãos podiam se tocar e eu sentia uma brisa morna vinda dele. Ele se ajoelhou diante de mim, fazendo uma referência e eu me aproximei dele, quando ele ficou de pé. Então duas de suas asas brancas abriram-se e nos envolveram, fechando-se ao nosso redor. Fomos envoltos por uma poderosa luz branca.
No momento seguinte, as asas se abriram, fechando-se as costas Dele. E estávamos na margem do Lago de Glastonbury. A noite estava estrelada e parecia fria, porém eu não sentia nada disso. Olhei para o lago e vi as tradicionais brumas, e finalmente entendi.
- As brumas são a barreira!
- Sim, minha Sacerdotisa. Essa é a maior magia de Arturia, que mantém Avalon escondida e protegida, de modo que apenas suas Herdeiras possam chegar lá.
- Eu preciso ir ao centro do lago, sinto isso... Mas como vou chegar lá?! – Eu pensei, sabendo que seria difícil nadar com aquele vestido.
- Há uma forma, e é a primeira parte do teste de Sacerdotisa. Você deve chamar a barca de Avalon.
Eu não respondi, e continuei olhando para o centro do lago. Em meu íntimo eu chamei pela barca, com uma voz forte, porém silenciosa. Para meu espanto, houve uma agitação no lago e do meio dele surgiu uma barca. Ela era feita de madeira, sem nenhum adorno e movia-se sozinha, lentamente pelo lago. Eu estava radiante de felicidade, e olhei para Chronos sorrindo com alegria. A barca finalmente encostou na margem e eu subi nela, notando como ela sequer se mexeu com meu peso, mantida em equilíbrio por artes antigas.
Após eu subir, ela moveu-se lentamente de volta para o centro do lago, levando-me de encontro à parede de Brumas, onde eu realizaria o meu teste.

continua...



Algumas lembranças de Hiro Menken...

Tudo mudara por Hogwarts após a noite do dia das Bruxas; e não é só por causa do clima – que começava a esfriar – que essa mudança se tornara muito evidente para mim e meus amigos, mas porque aquela noite representou uma espécie de “marco” na história das nossas vidas acadêmicas.
Por causa da repentina transformação de Clara em um lobisomem e, conseqüentemente, seu diagnóstico como uma transformo que deveria ser a todo custo “mantida sob controle” (principalmente sob autocontrole), agora nos dividíamos para mantê-la sempre distraída, calma, e ocupada com tarefas e atividades que a cansassem e tranqüilizassem mais do que as poções que tomava todos os dias, feitas por tio Yoshi. (E por mais que já estivéssemos adaptados ao “pavio curto” da Clara, eu tinha que admitir que também estava gostando de acompanhá-la nessa nova fase “zen”.)
A mim coube ajudá-la com alguns treinos de karatê, e embora não me lembrasse de todos os golpes que aprendi na época que praticara, os que lembrava estavam sendo suficientes para preencher várias horas de exercícios cansativos e, muitas vezes, divertidos, em cada semana...

Clara e eu chegamos à sala de aula do quarto andar, que McGonagall havia reservado para nós praticarmos os treinos de karatê. A sala estava completamente vazia, sendo preenchida somente por um tatame de borracha que tampava todo o piso, e um grande espelho que cobria um de seus lados.

- Certo. Antes de começarmos a praticar os golpes, de fato, eu acho que é interessante eu te explicar um pouco de teoria... – eu disse meio incerto sobre qual seria a reação dela ao ouvir a palavra “teoria”, mas, para meu alívio, ela concordou com a cabeça e sorriu animada, então voltei a falar com mais firmeza. – Prometo que é só um pouco mesmo. Não vamos precisar cair em um monólogo como os do Sheldon, e não vou te aplicar exames para trocas de faixas e coisas do tipo. – virei os olhos e Clara riu alto.
- Você não está realmente querendo se comparar com o Sheldon né? Porque não existe comparação Hiro. Faça do jeito que quiser; Tenho certeza de que vou me divertir muito mais com as suas “aulas” do que aconteceu quando tive que pegar reforço com ele... – ela disse e eu ri, sentindo uma espécie de calor se espalhar por todo meu corpo e rosto. Gaguejei e desviei o olhar, me concentrando.
- Bem... A palavra Karate significa "mãos vazias" (kara - vazia / te - mãos) – escrevi a palavra no ar com a varinha e a dividi enquanto falava -, mas o karate (assim como outras artes marciais japonesas) ultrapassa a questão de arte marcial, e passa a ser um caminho para o desenvolvimento espiritual. Por isso, eventualmente acrescenta-se ao nome a palavra "Do" que significa "caminho". Sendo assim, Karate-Do significa "caminho das mãos vazias".
- Japoneses são mesmo muito tranqüilos, não são? – Clara comentou se divertindo enquanto as palavras se juntavam no ar. Concordei rindo antes de continuar.
- Cada pessoa pode ter objetivos diferentes ao optar pela prática do Karatê. Cada um deverá ter a oportunidade de atingir suas metas, sejam elas: tornar-se forte e saudável; obter autoconfiança e equilíbrio interior (o nosso caso!); ou mesmo dominar técnicas de defesa pessoal. Contudo, não deve o praticante fugir do real objetivo da arte e, por isso, deve sempre se guiar pelos seus cinco princípios éticos mais básicos e fundamentais que são:

- Esforçar-se para a formação do caráter;
- Criar intuito de esforço;
- Respeitar acima de tudo;
- Conter o espírito de agressão;
- Fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão

E, portanto, embora se pareça com uma luta ou um confronto, o karatê não tem nenhuma intenção de ser violento.
Os golpes utilizados se dividem entre golpes de defesa e golpes de ataque. E eles podem ser encerrados com as mãos, ou como chutes. Nós vamos começar a trabalhar com as mãos, que são as que mais exigem concentração e equilíbrio... Preparada? – perguntei rindo ao retirá-la do estado de absoluta concentração em que estava e ela empurrou os dois braços para frente, com as duas mãos abertas, para se aquecer.
- Preparada. Minhas mãos estão até formigando de tanta vontade de aprender novos golpes com ela... Não que eu vá usar karatê para violentar uma pessoa e nem nada disso! – ela acrescentou depressa com um tom malicioso. E depois completou sorrindo marota: - Mas não que os grifinórios mereçam qualquer tipo de clemência também, não é?
- “Criar intuito de esforço” é um princípio que vem antes de “conter o espírito de agressão”, certo? Não estaria traindo o movimento karateca se criasse esse “intuito de esforço” em cima de um grifinório... – eu respondi e nós rimos alto, antes de começarmos os exercícios práticos.

Se Clara continuasse se dedicando tanto ao karatê, e às outras atividades para as quais era freqüentemente requisitada, nenhum de nós tinha alguma dúvida de que em pouco tempo ela se veria livre de todas as poções calmantes, e seria capaz de se controlar sozinha. E nós já contávamos com isso...

-----------

Voltar para casa para as festas de fim de ano era sempre divertido. Neste ano, porém, estava mais! Pois, além do casamento do tio Gabriel com a Mad (e a oportunidade de reencontrar todos os meus amigos fora de Hogwarts) em Paris, era também o primeiro Natal, e Reveillon de Eicca. Por isso, mamãe tinha caprichado na decoração da nossa casa, que agora contava não só com um, mas três grandes pinheiros lotados de bolas, luzes e diversos enfeites brilhantes.
Na véspera do Natal a família começou a chegar durante a tarde para a ceia, e na cozinha eu podia escutar as vozes de mamãe, tio Yuri e Sabrina se revezando desajeitados na cozinha para prepararem os pratos mais típicos da ocasião.

Enquanto Sabine, Gisela, Miyako e Keiko tricotavam conversas sobre lojas e compras de Paris, do outro lado da sala papai (que segurava no colo um Eicca fascinado com as luzes na árvore de Natal), tio Yoshi, Estephan, Sebastian e Henri conversavam sobre esportes, economia e o avanço das pesquisas com os animais mágicos que Sebastian e Estephan andavam desenvolvendo na Noruega. Monique estava no canto oposto da sala, alheia a todas as conversas, deitada de lado em uma das poltronas que ali estavam sendo diretamente aquecidas pelo fogo da lareira. Ela parecia cantarolar alguma coisa e dobrava um papel minúsculo quando me sentei do seu lado sorrindo.

De todos meus primos, Monique é de quem eu mais gosto! Ela é filha única do tio Yoshi e, por eu sempre ter mostrado muito interesse em poções, durante todos os anos antes de poder ir para Hogwarts, eu acabava passando vários dias na casa deles – o que fez com que tivesse muita afinidade com ambos. Embora ela tivesse herdado algumas características do tio Yoshi (calma, paciência, e observação), também se parece muito com sua mãe – que faleceu há alguns anos. É muito viva e animada, gosta de conversar e rir, e é completamente apaixonada por seu trabalho no Departamento de Esportes Mágicos. Além disso, ganhou por vários anos consecutivos o Torneio Mundial de Xadrez de Bruxo, o que a consagrou como uma excelente estrategista...

- Hey “Nique”, o que está fazendo? – perguntei observando-a puxar um dos lados do papel e finalizar o origami que tomou a forma de um tsuru. Ela sorriu e o estendeu pra mim.
- Estou dobrando 1000 tsurus para mim, Hiro. E sem magia! Não vale... – ela piscou os olhos sorrindo e puxou um novo quadrado de papel, recomeçando o processo.
- Por quê??? – perguntei assustado enquanto encarava o pássaro de origami na palma da minha mão. Eu sabia dobrar alguns origamis, inclusive tsuru, mas raramente os fazia; geralmente eles exigem um tempo precioso, e MUITA paciência.
- Não sei... Talvez eu me candidate para o livro dos recordes... – Ela respondeu se divertindo da minha expressão assustada. – Mentira, não é nada disso. Nunca ouviu a lenda dos tsurus?
- Não.
- Bem... Conta a lenda que, se você dobrar 1000 tsurus, tem o direito de fazer um pedido. O pedido mais especial que desejar! E eles geralmente se tornam realidade.
- Você está fazendo tudo isso em troca de um pedido que talvez não se realize? – perguntei ainda assustado e ela abriu um sorriso ainda maior, me entregando um segundo tsuru pronto e pegando um terceiro quadrado de papel.
- Sim! Depois de prontos, vou fazer um móbile pra mim e, se o desejo não estiver realizado... Pelo menos eu decorei meu quarto com origamis próprios!
- Você é louca! – respondi, agora também me divertindo. Ela riu alto.
- Todos sempre me falam isso! Enfim... Me conte como foi o seu semestre em Hogwarts! Papai me adiantou, por cima, algumas coisas sobre o caso da Clara. Ela ainda está tomando as poções dele?
- Sim... Tio Yoshi está fazendo uma composição menos pesada, mas ela ainda tem que tomá-las. Enquanto isso, nos dividimos para ocupá-la com atividades que a façam “tranqüila”. Eu até voltei a praticar karatê com ela! É divertido! Estamos quase entrando nos golpes com chutes... Ela é realmente boa nisso, sabia? Não demora muito e não vou mais conseguir lutar com ela sem me envergonhar. – sorri um pouco distante, me lembrando dos últimos treinos que tivera com Clara antes de voltarmos pra casa.

Não percebi que Monique tinha parado de dobrar o quarto tsuru e me observava atentamente; os olhos me avaliando, mas ela mantinha um sorriso besta no rosto.

- Você gosta dela?!!! Não gosta? Claro! Você gosta da Clara! Ah Hiro... – ela falou tudo de uma só vez e me assustei com seus tons de voz variados, terminando com uma espécie de suspiro.
- É claro que eu gosto da Clara! Ela é uma das minhas melhores amigas desde o quê? A maternidade? – eu respondi tentando desconversar mas sabia que não tinha adiantado nada. Monique ainda me olhava empolgada e foi impossível não sentir uma coceira estranha no estômago.
- Não se faça de bobo, você sabe do que estou falando. Você gosta dela! Mais do que amiga. Não adianta disfarçar para mim... Eu vi o jeito como você falou dela, e dos treinos de karatê... Você sorriu! Anda, admite. – ela me cutucou no peito e ri desconfortável.
- Eu não sei Nique. Ok? Eu realmente gosto de estar com a Clara! Ela é engraçada, inteligente, irônica... Tem sempre as melhores idéias e...
- Tem também o melhor jeito de sorrir, de andar, de conversar...? Ela é a mais linda das suas amigas? E é com ela que você gostaria de... Sei lá! Gastar todo o tempo junto? – Monique completou e engoli um nó. Ela riu.
- Mas ela é só minha amiga! E é só assim que ela também me vê: como um amigo.
- É claro! E se você nunca fizer nada para mostrar a ela que podem ser mais do que isso, provavelmente ela nunca caia na real. Sinto te informar primo, mas você está apaixonado! E se quiser que a Clara te note como uma real possibilidade... É melhor começar a aceitar isso e tomar algumas atitudes!
- Não viaja! Eu tenho 13 anos! – ri tenso tentando demonstrar sarcasmo mas, mais uma vez, não funcionou. – Escuta, esquece isso Nique. Eu não pretendo fazer nada ok? Nós somos amigos e é só. Além disso, ela está passando por um momento difícil e eu tenho que estar ajudando ela, e não fazendo-a surtar com “essas coisas”.
- Mas você ainda nem escutou o que vou propor, antes de descartar a idéia! Não seja bobo! Eu sei que você (e ela também!) ainda é muito novo para TOMAR ATITUDES, de fato. Não estou pedindo que se declare, faça serenata ou a agarre no meio do corredor... Mas o fato de você não ter idade, não quer dizer que não possa se apaixonar. Aliás, já aconteceu! – ela frisou sorrindo e senti meu rosto esquentar olhando para os lados para me certificar de que o restante da família, e principalmente Keiko, estava longe o suficiente de nós e de nossa conversa.
- Certo... Então o que você sugere que eu faça, para começar? – perguntei entregando os pontos.
- Ensine-a a dobrar tsurus! – ela exclamou animada e meus ombros caíram.
- Você está brincando?
- Não, Hiro, é sério. Veja bem: se você contar a ela sobre a lenda dos tsurus (faça parecer algo romântico, como a grande história do Taj Mahal! Sei lá... coloque samurais e donzelas no meio dos origamis! Você é melhor nisso do que eu.), ela vai se animar a dobrar não é? E quer um exercício maior de paciência e concentração do que esse? Além do mais, pode ser mais um bom tempo extra que vocês dois podem dividir!
- Não acho que a Clara vá ter paciência para dobrar mais do que um deles. – respondi desanimado me lembrando que nem eu a tinha. Monique sorriu.
- Pois se ela não tiver, dobre você o restante! E depois eu te ajudo a fazer um móbile para ela. Se ela dobrar um, e você dobrar os outros e dar para ela... O pedido continuará sendo dela. E ela não vai esquecer!
- 999 tsurus, sozinho... – repeti fixando a idéia e Monique concordou com a cabeça sorrindo.
- 999 tsurus, sozinho, e sem magia. Encare isso como um desafio pessoal e tenha certeza de que, quando estiverem prontos, a Clara vai começar a te observar de outro jeito. Isso se ela não gostar de dobrá-los com você, e te ajudar.
- Duvido muito que aconteça. Mas... Tudo bem, aceito. Vou fazer o que você disse!
- É sucesso garantido. Tome, pode começar agora. Quanto mais rápido começar, mais rápido termina. – ela me ofereceu um quadradinho de papel intacto e eu peguei, virando os olhos.

Sabia que aquilo era uma loucura total, mas Monique tinha razão: eu tinha que começar de algum lugar. Resolvi começar por um tsuru (dos 998 que ainda viriam...).

--------

N.A.: Teoria do Karatê retirada deste site: http://www.meusite.pro.br/karate/golpes.htm


Sunday, January 10, 2010

Avalon – Parte I – Herdeira e Sacerdotisa

Memórias de Artemis Arashi Capter Chronos

- Posso trazer quem eu quiser aqui? – Perguntei, enquanto a barca me levava lentamente até o meio do lago. Eu não falava palavra alguma, sequer me mexia, envolta pela atmosfera de poder e magia daquele local. Eu não precisava de palavras para ele, pois ele podia ler direto de meu coração.
- Assim que você for capaz de abrir a barreira de Arturia, esse lugar será seu por direito. – Ele falou diretamente ao meu coração, enquanto surgia lentamente ao meu lado. A barca sequer notou a presença dele, pois ele não possuía corpo, era um espírito ligado a mim. Um espírito extremamente poderoso. A barca parou no meio do lago, guiada por artes antigas. – É chegada a hora. Boa sorte, minha pequena.
- Obrigada, Chronos. – Falei sorrindo para ele, que sorriu de volta antes de desaparecer por um tempo. Eu deveria fazer aquilo sozinha, sem a ajuda dele e de ninguém.

Respirei fundo e dei um passo à frente, notando como a barca sequer balançou. Eu fechei os olhos enquanto levantava os braços, mantendo-os abertos, formando uma cruz com meu corpo. Eu sentia o vento calmo bater em meu rosto e em meus cabelos, que voavam livres, assim como o pano de minha roupa. Parecia haver algo no vento, algo que me acalentava e acalmava, uma voz ao mesmo tempo doce e poderosa sussurrava para que eu não tivesse medo e que minha coragem me guiaria.

Abri então os olhos e soube que eles brilhavam em dourado, da mesma cor que os Dele, enquanto eu baixava os braços com velocidade. Meus cabelos começaram a se agitar, porém dessa vez a fonte do vento era eu mesma. A partir de meu corpo um vento forte surgiu, agitando as águas calmas do lago.

- Revela-te Avalon. – Eu falei em inglês arcaico e senti o poder daquelas palavras.

As brumas então se agitaram e senti como minhas energias as guiavam, e de pouco em pouco elas se abriram, revelando uma ilha escondida de tudo e todos. Apagada da memória de todos, até mesmo de minha família, que era a verdadeira dona daquele lugar. Avalon, a Capital dos Chronos. Avalon, que agora era minha por direito.

Semanas antes

- Uau! É realmente lindo! – Eu falei, entusiasmada, enquanto chegávamos às margens do lago.
- Este é o Lago de Glastonbury, e aquelas, as Ruínas da Famosa Abadia de Glastonbury. – Papai explicou, enquanto indicava as Ruínas em um morro próximo, no alto do Tor.
- Você acredita que é a primeira vez que venho visitar essa região? – Mamãe comentou, enquanto segurava minha mão.
- É tudo tão lindo... E tão místico também, será que realmente o Rei Arthur está enterrado aqui? E Excalibur?! – Eu falei rindo.
- Você é mesmo uma Chronos, só pensa em batalhas e em armas! – Papai falou rindo, enquanto me puxava para um abraço. Ficamos nós três juntos de pé na margem olhando na direção do centro do lago, envolto em fortes brumas naquela época do ano. – Se ele está, e se ele realmente existiu, eu não sei. Mas há registros do clã de que nessa região foi a primeira sede de nossa família.
- É sério?! Devia ser maravilhoso aqui! – Falei rindo também.
- Então conviveram com Merlin, Morgana, talvez até com o próprio Arthur! Teria sido ótimo se os outros tivessem vindo também.
- Mas é nossa viagem! – Eu falei, fazendo beicinho.

Eram nossas férias de final de ano, e antes do Natal, que passaríamos todos juntos na casa de meus avós maternos, meus pais me levaram para conhecer a região de Glastonbury. Depois iríamos para o casamento do Tio Gabriel com a Tia Mad, que seria na França, com direito a todos hospedados em La Force!
- Vamos visitar as ruínas? Tem algumas zonas bem conversadas e é aberto ao público. – Papai falou, guiando-nos naquela direção.

Mamãe o seguiu de mãos dadas e eles rapidamente se abraçaram, pois estava começando a ficar frio, e talvez houvesse neve. Eu, porém, me mantive mais um tempo parada na margem, olhando para as brumas. Havia algo nelas, eu tinha certeza, pois elas pulsavam com uma energia poderosa e pareciam me chamar... Elas me lembravam Chronos na verdade.

- Chronos? O que tem aqui? – Eu pensei, sabendo que ele leria diretamente de meu coração.
- Você em breve saberá. – Senti ele respondendo, e não precisei olhar para trás para saber que ele estava do meu lado.
- Mas estou curiosa... Essas brumas me chamam, há algo nelas.
- A paciência é uma virtude, minha pequena. Mas sim, há algo nas brumas, que apenas você pode sentir.
- Arte? Está tudo bem? – Mamãe perguntou, há alguns passos de mim, me trazendo de volta à realidade.
- Estou, desculpa. – Eu falei, correndo até eles, mas voltando a olhar por cima do ombro.

As brumas pareceram ficar mais densas de acordo com que eu me afastava e vi que Chronos não tirava os olhos delas... Ele parecia pensativo, envolto em lembranças e memórias, e captei uma certa tristeza em seu olhar. Chronos era alguém cheio de vida (tirando a ironia de que ele é um espírito, é claro), sempre sorrindo e calmo, porém, no fundo de seus olhos, sempre havia uma certa tristeza antiga.

- Arte, o jantar já vai sair, não se esqueça que temos que vamos partir cedo amanhã. – Mamãe falou assim que cheguei em casa e subi rapidamente para meu quarto. Assim que eu entrei, Chronos já me esperava, de pé ao lado de minha cama. Como sempre, ele virou-se de costa enquanto eu trocava de roupa e sentava na cama.
- Pode começar falando!
- É melhor entender por si só, Pequena. Vá a biblioteca e pegue o Diário de Gomeisa, está junto das Crônicas de Alderan.
- Eu já li esse livro, ela conta sobre o que ela viveu e sobre a traição.
- Ele será diferente agora. – Ele falou, e eu corri curiosa, trazendo o livro para meu quarto. O Diário de Gomeisa, minha tia-avó, era um dos livros mais importantes para a família, e junto das Crônicas de Alderan, meu avô, contavam a história de quando fomos traídos. – Abra-o.
Eu obedeci e abri na primeira página. Para meu espanto, ele estava em branco e olhei para Chronos perplexa, mas ele continuou sorrindo e quando olhei novamente, letras prateadas na caligrafia de Gomeisa começavam a surgir:

“Se você é capaz de ler este texto é porque você é como eu, uma das Herdeiras, a Reencarnação de Chronos. Eu sou Gomeisa Asteris Chronos, a Reencarnação de Chronos nessa época, sua protegida, Herdeira e Sacerdotisa.

Você, assim como eu, é protegida e amada por Chronos, um ser de luz e bondade. Mas nós também temos fardos pesados a carregar, pois somos a base e esperança de nossa família.

Há um lugar que você deve visitar, e com certeza você o conhece por nome, pois está nos registros da família. Lá você encontrará muitas respostas e poderá ver e saber de muitas coisas.

Avalon é o seu nome, a Ilha Sagrada e primeira sede de nossa família, a Capital de um Reino governado por uma mulher. A mais poderosa Chronos e mulher mais forte...

Você é uma Sacerdotisa de Chronos, possui a luz e a sabedoria Dele, e será capaz de chegar a Avalon, que será sua por direito. Apenas aquelas puras de coração e realmente Herdeiras poderão chegar à ilha sagrada.

Tenha fé e coragem, e não duvide de si mesma, pois a chave para Avalon e para os seus poderes estão em você mesma. Jamais duvide de seu poder, que não é o Dele.

Todas as Herdeiras são naturalmente poderosas, jóias raras, de imenso poder, que além do próprio poder, possuem o Dele como auxílio.

Mas tenha em mente: você é a chave o cerne de tudo isso, e é seu poder que abrirá as portas de Avalon.

Desejo-lhe toda a sorte e felicidade que houver, e sei que seu caminho será iluminado.

Gomeisa Asteris Chronos”