Sunday, May 06, 2012 Desde que havia desconfiado que alguém estranho tinha estado no nosso abrigo, não conseguia me concentrar em nada. Uma sensação estranha não me deixava em paz, sensação de que o abrigo não foi encontrado por acaso e que algo ruim ia acontecer. Passava todo o meu o meu tempo livre percorrendo os túneis, tentando pensar em uma maneira de proteger eles, porque não me saia da cabeça a ideia de que o castelo corria perigo. Já passava das 2h da manhã quando, a caminho do abrigo, um barulho chamou minha atenção. Apontei a varinha na direção do intruso e a luz forte que saia de sua ponta iluminou uma Artemis de pijama com uma das cópias do mapa do maroto na mão. - Ah que bom, você não é um sonambulo – ela disse parecendo aliviada – Pode tirar a luz da minha cara? Está me cegando. - Desculpe – apontei a varinha para o lado – O que está fazendo aqui? Onde estão suas sombras, como diz a Clara. - Dormindo, como eu também deveria estar, mas não consegui porque fui dar uma olhada rápida no mapa e vi você perambulando pelos tuneis. Primeiro quis ver para onde estava indo, depois percebi que estava apenas atravessando todos eles e isso tirou totalmente o meu sono. O que está aprontando e por que não me convidou? - Não estou aprontando nada, só estava sem sono – ri, mas ela ainda me olhava desconfiado – Promete não contar a ninguém? Não quero ninguém entrando em pânico. - Segredo nosso, o que houve? – ela cruzou os dedos e os beijos, ansiosa. - Lembra aquele dia que eu disse que alguém tinha estado no abrigo e Clara imediatamente sentiu um cheiro diferente, mas ninguém deu muito credito? – ela assentiu – Alguém esteve lá sim e roubou o mapa de tuneis de Hogwarts, aquele da época dos fundadores que encontramos. - E você está preocupado com isso por que...? - Porque foi um aluno e acho muito pouco provável que esse aluno tenha encontrado nosso abrigo por acaso, tampouco esbarrou com o mapa por sorte. - Como tem tanta certeza que foi um aluno? - Se tivesse sido um professor, já teríamos sido repreendidos. Têm coisas pessoais nossas lá por todo lado. Foi um aluno, e esse aluno não está interessado em voltar lá porque sabe que vai nos encontrar. Ele só queria o mapa. - Você acha que, quem quer que tenha roubado o mapa, está tentando facilitar a entrada dos vampiros? - Pode parecer uma teoria conspiratória, mas sim, é isso que acho. Já aconteceu antes, por que não dessa vez? - Certo, Draco Malfoy ajudou os Comensais da Morte a entrarem no castelo – ela se lembrou da passagem da 2ª Guerra Bruxa e assenti – Mas ele estava sendo pressionado por Voldemort, não era como se tivesse uma escolha. Ele tinha que ajudar ou seus pais seriam assassinados. - Não importa o motivo, os comensais jamais teriam conseguido passar pela segurança em volta do castelo sem a ajuda dele. Não sei se tem mesmo alguém ajudando, nem seus motivos, mas se os vampiros entrarem aqui por esses tuneis... Não podemos deixar isso acontecer. - Está me parecendo que você tem um plano em mente. - Tenho, mas mais uma vez, ele tem que ficar entre nós dois. Não quero que ninguém mais saiba que existe essa possibilidade, nem mesmo a AD. Podemos evitar que eles os usem sem gerar pânico. Sou um melhor estrategista que soldado, posso fazer isso. - Muito bem, Sun Tzu, não contarei a ninguém. O que pretende fazer? Sorri animado e puxei um rolo de pergaminho do bolso, abrindo no chão. Era uma cópia do mapa do maroto, mas marcando apenas os túneis e principais pontos do castelo que passavam por cima deles. Arte ajoelhou ao meu lado e ajudou a iluminar o mapa com a varinha, enquanto eu explicava meu plano de ataque a ela. Pelo sorriso que se formou em seu rosto, um misto de diversão e ansiedade, soube que o plano seria posto em prática. °°°°°°°°°° Foi preciso muita paciência para conseguir explicar a Sheldon o que eu tinha em mente, e também fazê-lo entender que aquilo deveria ser mantido no mais absoluto sigilo. Sheldon não era exatamente a pessoa mais indicada para se confiar um segredo, mas sabia que tudo dependia da maneira que o segredo era compartilhado com ele e se a motivação para mantê-lo era boa o bastante. E essa era. - Então? Acha que dá pra fazer? – perguntei. Ele apoiou as mãos na cintura e deu uma olhada de 360º no túnel onde estávamos. O mapa com o desenho de todos eles estava na minha mão e havia marcações em X por todos os lados. Ele demorou um tempo maior encarando o teto e então se virou pra mim. - É um pouco arriscado. - Mas é possível? - Sim, é possível. - E você sabe mesmo como produzir fogovivo? - Se pediu minha ajuda é porque sabe que posso. - E isso não vai sair do controle? Não quero fazer nada a menos que seja realmente necessário, mas não quero deixar os túneis desprotegidos. - Se fizer tudo como planejado, nada vai sair do controle. Isso só vai ser ativado se você quiser. - Quanto tempo acha que precisamos para fazer tudo? - Bom, para uma quantidade suficiente para parar os vampiros e não danificar o castelo, e se não desviarmos nossa atenção, duas semanas serão suficiente. Precisamos morar em uma das masmorras por duas semanas, entendeu? - Certo, sem problemas. Já terminei meu livro e não estou atrasado nos estudos, tenho tempo suficiente. - Então mãos à obra – Sheldon deu mais uma olhada no túnel e me encarou empolgado – Vamos explodir os túneis de Hogwarts. |